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Dolce Campo Real Lisboa aposta em 2019 no exigente mercado alemão

Desde que reabriu, em 2013, com a marca Dolce as conferências têm vindo a conquistar uma crescente importância no volume de negócio do Campo Real Lisboa.

Neste momento atinge já os 65%, diz à Event Point a directora geral Paula Duarte. O restante da facturação divide-se entre os individuais e o golfe, sendo que os mercados nacional e internacional estão equilibrados, muito perto dos 50/50. Uma nuance apenas para a dimensão dos grupos, que são maiores no caso dos internacionais, e mais pequenos no dos nacionais.
 
À semelhança de todos os hotéis da cadeia Dolce, também o Campo Real está fora de uma grande cidade. Próximo [a cerca de meia-hora de Lisboa], mas ainda assim afastado. E porquê? Paula Duarte refere que, sendo os eventos, as conferências, o core business vão apenas ao encontro das necessidades dos promotores. “Quem organiza um evento quer que as pessoas estejam de facto presentes. Fazer uma conferência no Centro de Lisboa significa muitas vezes que no segundo dia já só tem 70% das pessoas e ao terceiro dia já só estão 40%. Entretanto já se perderam na noite de Lisboa, com toda a animação que a cidade oferece. Aqui não. O cliente sabe que todos os dias os delegados estão focados naquela conferência. Durante o dia é dia de trabalho, à noite temos uma oferta que podemos proporcionar. De um modo geral os nossos clientes ficam connosco duas a três noites, e numa dessas noites eles saem e fazem um evento aqui na região. Trabalhamos muito com as adegas, por exemplo. Os estrangeiros adoram os nossos jantares vínicos, e nós somos uma região muito boa de vinhos, que ainda não é tão conhecida”.
 
E é difícil vender essa periferia? Paula Duarte faz a distinção, “Para o mercado internacional dizer que estamos a meia-hora de Lisboa não significa nada, porque eles estão habituados a demorar duas e três horas para se deslocarem nos seus países. Dizer que estamos a meia-hora de Lisboa no mercado nacional é um desafio enorme. O mais importante é trazer cá os clientes. Quando eles passam a portaria e começam a descer a avenida em direcção ao Hotel muda a perspectiva. Estão super perto de Lisboa, e no meio de uma paisagem fantástica, entre duas serras, com estas vistas lindas das nossas vinhas. E isso faz toda a diferença”.
 
Atendendo à origem dos clientes estrangeiros, Paula Duarte explica que tradicionalmente o primeiro mercado é o Reino Unido, “embora esteja a ter agora uma quebra, talvez por causa do Brexit. Creio que sucede o mesmo que em Portugal: quando há uma crise, as pessoas centram-se no seu próprio país, e não vão para fora. Por isso o nosso mercado maior é neste momento o norte-americano, o que nos deixa muito felizes, porque não é fácil trazê-los à Europa, em segundo o Reino Unido, e depois, em terceiro, Portugal, onde temos a maioria dos individuais. Estamos a ver a Alemanha a crescer, um mercado muito difícil, que não aceita o “não consigo”; “não temos”; “não posso”, e em que vamos apostar em 2019, conclui a directora geral do Hotel.
 
Europe Knowledge Festival
 
Em Outubro do ano passado, o Dolce Campo Real Lisboa acolheu o Europe Knowledge Festival da International Association of Conference Centers (IACC). O Campo Real é de resto o único membro português desta associação, que reúne 1% do mercado global de venues de pequena e média dimensão. Paula Duarte recorda que o director de F&B, Miguel Inácio, tinha ido a uma conferência em Londres, “veio de lá cheio de ideias, e conseguiu falar com o Mark [Cooper, CEO da IACC] sobre esta possibilidade, de termos aqui um evento deles. Para nós é importante ter no nosso hotel, que é maioritariamente para conferências, um encontro em que se discute o futuro das conferências. Pessoas que estão no mercado, e que nos podem ajudar a pensar diferente, com novas ideias”. E continua, “Temos tudo o que os outros têm, salas, comida, mas temos também uma equipa excepcional, que quer fazer coisas diferentes. A nossa equipa tem um cunho muito genuíno, é muito empenhada, muito torreense, o que é giro”.
 
Qual a importância então de pertencer à IACC? Paula Duarte refere que são membros porque a marca internacional Dolce integra esta Associação, que “é muito reconhecida internacionalmente. Há venue finders que procuram especificamente membros da IACC, e isso dá-nos uma credibilidade grande. É o mercado internacional que nos faz crescer, que nos dá lucro. Precisamos de todas as ferramentas que nos dêem visibilidade e credibilidade. A IACC é mais uma dessas ferramentas, que nos ajudam a conquistar clientes. É um desafio convencer as pessoas a virem a Portugal, ao Turcifal, fazer o seu evento, a sua conferência”.

Tags: Dolce, IACC, Venue, Hotel

25-01-2019