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Gronelândia: A “terra verde” onde o sol não se põe e pinta o céu de cores eléctricas

A Gronelândia não é um destino óbvio para a Meetings Industry. Mas uma viagem a esta ilha de auroras boreais, icebergues e pequenas cidades geladas pode ser uma experiência de vida.

A Norte da Islândia há uma ilha misteriosa, onde o sol brilha à meia noite e as auroras boreais pintam o céu de cores eléctricas durante a escuridão do Inverno. A Gronelândia é o país menos densamente povoado do mundo e simultaneamente a maior ilha (a Austrália é considerada uma massa continental) do planeta, e está em grande parte coberta por um manto de gelo ártico que em certas partes tem mais de 100 mil anos. Uma visita a esta região deserta, onde impera o silêncio e o ar é tão puro que se consegue observar a paisagem ao longe com uma clareza sem par, é um dos pontos altos de qualquer viagem ao topo do mundo.

A costa da Gronelândia é pontuada por pequenas localidades, com nomes difíceis, de consoantes repetidas. Os povos que emigraram consecutivamente para a ilha, começando há 5000 anos, chamados Inuítes, são originários do Canadá e têm semelhanças com os esquimós, nomeadamente ao nível da língua, que está dividida em vários dialectos. Entretanto, a região foi invadida por outros povos nórdicos, especialmente islandeses e noruegueses, mas as colónias que fundaram na Idade Média duraram pouco tempo, tendo sido uma das inspirações para as famosas Sagas, que contam histórias grandiosas dos povos nórdicos medievais. Estas histórias, uma tradição oral que foi depois transcrita, alegam que o nome desta ilha, “Terra Verde”, foi escolhido por um dos exploradores pioneiros, o viking Érico, o Vermelho, numa estratégia de marketing original, com o objectivo de atrair mais colonizadores para a zona. Actualmente, a Gronelândia é uma região autónoma que integra o Reino da Dinamarca, mas o seu território faz parte da América do Norte. É uma ilha que flutua entre dois Continentes.

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© Rebecca Gustafsson - Visit Greenland

Congressos com vista para os icebergues

A capital, Nuuk, é uma cidade em crescimento, com edifícios modernos, mas que não escapa ao dramatismo das paisagens geladas que a envolvem, albergando a maior concentração de população da zona. É aí que fica o espaço para eventos da ilha de dimensão mais alargada, o hotel Hans Egede, com capacidade para até 350 pessoas, incluindo alojamento e catering. Para reuniões mais pequenas existem o Katuaq - Greenland Culutural Center, o Inuk Hostels e o Hotel Seamen's Home Nuuk.

Visitar a Gronelândia não é para todos. Os preços são elevados e o clima, sobretudo no Inverno, com temperaturas médias de -20 graus em certas zonas, é dissuasor. Além disso, a ilha tem um sistema de estradas bastante limitado e depende, por isso, de barcos, helicópteros e aviões para ligar as diferentes zonas do país umas às outras. Em cidades como Ittoqqortoormiit o isolamento é enorme, o que adiciona a este pequeno conjunto de casas coloridas uma aura de mistério e curiosidade. Nesta zona remota, os trenós puxados por cães levam turistas, durante o Verão, a ver paisagens com fiordes imponentes e vida selvagem intocada, que inclui focas e ursos polares. Mais a Norte, a cidade de Qaanaaq foi criada pelos americanos, para acolher a população deslocada de várias aldeias, para construir uma base aérea. Aqui, o sol mantém-se no céu durante 24 horas no Verão. No Inverno as auroras boreais são personagens principais na escuridão do Ártico, um fenómeno que também é causado pelo sol e que se pode ver em toda a ilha. E os turistas têm oportunidade de conhecer melhor os locais e aventurar-se na natureza gelada.

Em Ilulissat os icebergues navegam no mar, à vista das gentes da cidade e à sombra do enorme glaciar de onde saíram. Aliás, o bloco de gelo que afundou o Titanic nasceu, provavelmente, nesta cidade. Foi Ilulissat a escolhida para a abertura do Hotel Arctic, um dos melhores do país e que está na linha da frente da aposta da região no sector da Meetings Industry. Com 4 estrelas e um centro de conferências com capacidade para 120 pessoas, o espaço tem uma vista privilegiada para os icebergues, uma paisagem que nenhum conferencista certamente irá esquecer.

Já em Sisimiut, bem dentro do circulo polar Ártico, o Hotel Sisimiut consegue acolher 250 pessoas.

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© Rebecca Gustafsson - Visit Greenland

A entidade que lidera o turismo na ilha, chamada Visit Greenland, explicou à Event Point que a Meetings Industry na região é de “pequena escala, limitada sobretudo a algumas cidades, com base em recursos existentes no que diz respeito a centros de conferências”. Apesar disso, a Gronelândia vai receber, em Setembro, uma conferência de turismo, que reúne players daquela zona, a Vestnorden Travel Mart, distribuída por vários destes venues.

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© Mads Pihl- Visit Greenland

“A Gronelândia é certamente um dos destinos menos conhecidos em termos de MICE, mas temos, definitivamente, toda a aventura, exploração cultural e experiências de natureza em que qualquer conferencista estaria interessado para relaxar do trabalho”, referiu o mesmo organismo.

Ainda que a região esteja mais focada no turismo de lazer, o MICE tem conquistado alguma importância, à escala da Gronelândia. Eventos como o Future Greenland, para estreitar relações entre investidores estrangeiros e empreendedores locais começam a fazer mexer o ecossistema empresarial do país. 

Alexandra Noronha

Tags: Gronelândia, Destinos, Meetings Industry

07-11-2017