Entrevistas

Desafio do protocolo: Flexibilidade

Convidado das Jornadas de Protocolo da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo, Jean Paul Wijers é responsável da Protocolbureau, empresa que presta serviços para eventos e que oferece uma panóplia alargada e diversificada de formação nesta área do protocolo.

Com uma visão moderna desta matéria, Wijers é um dos mais reputados especialistas na Europa, e esteve à conversa com a Event Point.

A Protocolbureau é uma das mais reputadas empresas de protocolo da Holanda, responsável por exemplo por cerimónias reais, mas também por eventos high‑profile que se realizam naquele país. O segredo do sucesso está na flexibilidade e na capacidade de abraçar aquilo que é novo. “Nós, as pessoas do protocolo, não somos muito progressistas, nem muito ligadas à inovação de uma forma geral, mas eu tento ser as duas coisas. E acho que isso é a chave do sucesso”, refere Jean Paul Wijers. Note‑se que a sociedade holandesa é muito informal, “mas ainda assim precisa de protocolo”, alerta o especialista. Mesmo a monarquia “é muito moderna e informal, portanto encontramos uma maneira de sermos protocolares e sermos ao mesmo tempo modernos e informais”.

Mas o que significa, de facto, ser moderno no protocolo? Para Wijers significa focar a atenção no “porquê” e no tipo de protocolo que vai permitir atingir o objectivo do evento. “Embora saibamos as regras, elas devem poder ser mudadas, e serem diferentes. Por exemplo, as pessoas do protocolo dizem: não se deve estar de pé com as mãos nos bolsos, e acho que isso é uma abordagem errada. Em algumas situações, talvez raras claro, até pode ajudar estar de mãos nos bolsos”, exemplifica o especialista. Portanto devemos comunicar o protocolo como sendo flexível, adaptável. “Nós não somos o objectivo, somos uma forma de chegar ao objectivo. Se abordarmos desta forma o protocolo, então ele é moderno, e novo”.

Para o responsável não há grandes diferenças em termos de exigência em fazer grandes cerimónias, com altos dignitários, e eventos corporate. “Desde logo em eventos corporate não devemos usar a palavra protocolo. De resto não é assim tão diferente. Claro que o rei tem uma carruagem dourada e uma coroa, e o mundo corporate não tem isto, mas tem seating, sobretudo com propósitos de networking. Mais uma vez, o objectivo é diferente, mas há que ter regras do protocolo”.

O protocolo, segundo Wijers, pode ajudar no “return on relationship” e aumentar o número de contactos relevantes. “Com o protocolo tem a garantia que numa sala com 500 pessoas, o director de facto vai contactar com os clientes importantes. Para designers de moda o protocolo é a garantia de que as mulheres não vão para casa antes de conhecerem o designer”, sublinha.

Para se ter sucesso nesta profissão há algumas soft skills essenciais. Desde logo a capacidade de empatia, diz Jean Paul Wijers. Por outro lado, “ter a percepção das situações, daí que 75, 80% dos profissionais sejam mulheres, ter a capacidade de ler entrelinhas, entender aquilo que não é dito, ou que não está escrito”. Mas de uma coisa o responsável não tem dúvidas: “A nossa profissão vai ser imensamente importante no futuro. Com um mundo cada vez mais digital, as pessoas têm cada vez mais dificuldade em comunicar, e os encontros entre as pessoas estão a tornar‑se algo de luxo. Os profissionais capazes de estabelecer contactos e relacionar as pessoas vão tornar‑se cada vez mais importantes”.

Cláudia Coutinho de Sousa

© Marco Espírito Santo 

 

Tags: Protocolo

25-03-2019