Opinião

O futuro continuará nas nossas mãos!

Entre computadores e smartphones, câmaras, drones, até aos robots – a ideia de um mundo definido sob o olhar atento da tecnologia já esteve mais longe.

Passada a edição da CES de 2017, é tempo de respirar fundo e abraçar as novidades. Entre computadores e smartphones, câmaras, os já conhecidos drones, até aos robots – a ideia de um mundo definido sob o olhar atento da tecnologia já esteve mais longe. Aliás, hoje em dia, a percepção é exactamente essa, e imaginar a vida sem a presença da tecnologia torna‑se cada vez mais impossível.

Na área dos eventos, em particular, ainda não foram desenvolvidas tecnologias que permitam dispensar o cérebro humano, em prol de um sistema de inteligência artificial. Isto porque o universo dos eventos é muitas vezes imprevisível e exige uma capacidade de reacção imediata; além disso, a experiência que pode até ser simulada através de um histórico não assegura um resultado rápido e eficaz, quando comparada à resiliência humana em situações de maior pressão e exigência. Esta ideia pode mudar nos próximos tempos, com o rápido e profundo avanço da tecnologia.

Devemos temer e querer atrasar esse dia? Creio que não. Unicamente por acreditar que todo o ser humano se deve servir das inovações tecnológicas como plataformas e aplicações, por forma a optimizar a execução de algumas tarefas. No entanto, na prática, o Homem dificilmente será substituído em funções mais complexas.

A criatividade humana, o julgamento subjectivo, a ginástica mental, o plano B, C e D em carteira, a capacidade para activar as decisões e correcções do alinhamento à milésima de segundo, de um espectáculo live onde a luz, o som, a projecção, a imersão e a interacção não podem falhar. Neste campo, não há máquina suficientemente desenvolvida com capacidade de julgamento e análise.

A gamificação, os hologramas e a realidade imersiva fazem já parte do novo paradigma dos eventos, mas hoje torna‑se fundamental procurar, além do virtual, a experiência do real, de forma cada vez mais autêntica e personalizada. Num tempo em que as distracções são tantas, o desafio é esse mesmo: estimular a vontade em cada um de ser continuamente desafiado pela percepção sensorial, de tudo o que nos rodeia.

E em rigor da verdade, essa necessidade tem vindo a aumentar, com a proximidade dos padrões tecnológicos – o desejo de viver de uma forma natural e a valorização de uma vida real, despida de artifícios e maquiagem. O "raro, o real e o visceral" serão valores privilegiados, e aqueles que podem fornecer experiências autênticas permanecerão estimados por outros seres humanos.

Se a missão dos eventos consiste muitas vezes em aproximar as marcas dos seus públicos, em eventos de massas e de grande escala, hoje a missão é mais ambiciosa ‑ passa por humanizar cada vez mais as marcas, mostrá‑las tangíveis e promovê‑las de uma forma mais próxima e simultaneamente única.

Em eventos, a tendência é a de criar experiências imersivas que apelam aos desejos dos participantes. A mensagem passa por todo o evento, touch‑see‑taste&feel e o melhor resultado é exactamente deixar a percepção de que a marca é capaz de se conectar com cada um de uma forma muito pessoal, reconhecendo os seus desejos e ambições.

Pequenos eventos de nichos e subgrupos começarão a ganhar mais ímpeto, já que oferecem a quem participa o conforto e uma proximidade maior com o grupo, o que torna as actividades mais autênticas e pessoais.

O desafio de libertar os convidados durante o evento dos seus smartphones é também algo a valorizar, já que sabemos que passam muito do seu tempo concentrados nos smartphones, tablets, PCs... As tecnologias heads up cumprem esta função! Há que pensar e desenhar soluções e aplicações que os façam erguer as cabeças dos seus telefones, largando as redes sociais para participar num jogo interactivo com os restantes presentes na sala, usar o seu telefone como o controlador da dinâmica ou até no microfone do evento... Activações diferentes com os interfaces que hoje ninguém larga impõem‑se, uma tendência que devemos perseguir.

O sucesso dos eventos depende não só da imaginação, da audácia, da proposta de novas combinações mas também do domínio dos procedimentos, das ferramentas e técnicas aos dispor, que nos libertam energia para novas construções, reconstruções e transformação da nossa realidade.

A criatividade sim, é crucial. Na relação de pessoas com pessoas. Na experiência das pessoas com as marcas. Por isso, sejam audazes!Dominem e mostrem saber quem é o cliente do vosso cliente. Onde está, de que gosta, o que procura, o que segue, o que comenta, onde se envolve...Desafiem as marcas. Desafiem o cliente. Insistam na resposta, no feedback, na justificação.Mostrem caminhos distantes do normal e do mais comum. Juntem risco à equação!

Procuram‑se espíritos indisciplinados que tornem o desafio constante e a exigência maior. E, dessa forma, o futuro dos eventos continua nas nossas mãos!


Filipa Oliveira
Directora da Restart 

Licenciada em Psicologia Organizacional pela Universidade Lusíada e doutoranda em Organizações pela Universidade de Cádiz. Tem um percurso de vários anos nas áreas de marketing, comunicação, eventos e criatividade. Passou por importantes agências como a Realizar, onde geriu vários projectos e organizou diversos eventos nacionais e internacionais.Antes de assumir a direcção da Restart trabalhou ainda na Sonae.

Tags: Eventos, Opinião, Criatividade

17-04-2017