Big Fish: há dez anos a pensar com e para a emoção

Entrevista

17-06-2026

# tags: Marcas , Agências , Eventos , Big Fish

São dez anos de histórias, eventos e projetos. A Big Fish tem vindo a celebrar este ano uma década de atividade na indústria dos eventos.

Olhando para os projetos realizados, os clientes conquistados, as relações construídas e para a equipa que é hoje a Big Fish, Maria Couceiro, managing partner da agência, sente “um grande orgulho”. “É um cliché dizer que o tempo passou a correr, mas passou mesmo. Sinto que existe uma marca Big Fish, há uma maneira de fazer Big Fish e até um tipo de projeto Big Fish”, refere, acreditando que, mesmo com as mudanças no mercado na última década, a agência mantém o rumo traçado desde o início.

Maria Couceiro recorda que a Big Fish foi criada “num movimento não premeditado, para preservar relações e continuar um caminho que sentíamos que ainda tinha muito para dar”. Com Jorge Trindade e Rafael Ripper, deu-se a procura de um sócio que “desse o conforto e a credibilidade de um grupo a uma agência novinha-em-folha, com três sócios ‘menos-novinhos-em-folha’ e uma pool de clientes onde ‘pescar’”.

©Nuno Fox

A independência imperou e a participação do sócio maioritário foi comprada. E, desde então, “trabalhamos intensamente para manter essa independência – e celebramo-la todos os dias”, adianta. Essa conquista e o Ouro alcançado nos European Best Event Awards (EUBEA), em 2019, na categoria Brand Activation, foram os dois momentos “verdadeiramente decisivos” para a agência.

Enfrentar momentos desafiantes não é novidade para quem trabalha nesta área – “estão sempre a acontecer”. “A área dos eventos e dos patrocínios é especialmente sensível ao contexto macroeconómico e os últimos dez anos têm sido muito ‘ricos’ em desafios”, recorda Maria Couceiro, sublinhando que a agência tem conseguido adaptar-se “aos tempos, aos budgets e aos novos canais, sem perder o nosso foco: encontrar o Big Fish, seja em que território for”.

Mergulhar o mais fundo possível, sem perder o fôlego


São muitos os projetos que representam na perfeição o ADN da empresa. “Adorávamos dizer que todos representam. E, no limite, até seria verdade. Porque tentamos sempre fazer à nossa maneira, mesmo quando o mar não está nada de feição”, afirma Jorge Trindade, diretor criativo da Big Fish.

Mas, a ter de escolher, destaca o projeto Cozinha do Rock para o Continente no Rock in Rio, desenvolvido em 2022, que teve tudo o que a equipa gosta de fazer: “uma ideia disruptiva – pôr pessoas a cozinhar quando o expectável é cantar e dançar –; uma cenografia à altura: uma bateria gigante feita de ‘panelas’, ‘pratos’ e ‘tachos’; uma atenção obsessiva ao detalhe, desde o desenho até à execução final; e uma identidade e universo visual para fechar tudo como deve ser”. E ainda houve tempo para gravar no local uma mini-série de televisão, conta.


Nesta “espécie de ópera-rock”, Jorge Trindade frisa que foi possível entrelaçar as disciplinas que a equipa adora: “da narrativa à experiência imersiva, passando pelos conteúdos multiplataforma e terminando na arquitetura e cenografia”.

Hoje, a abordagem criativa da Big Fish distingue-se pelo espírito de sempre. “Nunca querer navegar em mar já explorado. Pensar com emoção e para a emoção. Deixar o calculismo de fazer o fácil ou o garantido para depois do prolongamento”, sublinha.

Jorge Trindade lembra uma das frases mais repetidas na Big Fish –"estamos sempre à procura de lenha para nos queimarmos" –, o que representa o espírito da agência, que deixa “que a cumplicidade e a confiança que criamos com os clientes sejam as águas comuns onde as ideias crescem”, com a segurança que oferece uma equipa muito experiente. “Tentamos mergulhar sempre o mais fundo possível, mas sempre sem perder o fôlego”, sublinha.

“As pessoas querem mais proximidade e genuinidade”


Para Jorge Trindade, apesar da redução dos orçamentos, da tendência em usar a tecnologia como uma ideia em si mesma – “e não como uma ferramenta ao serviço de uma ideia verdadeira” – e da existência de pedidos para replicar campanhas feitas noutros mercados, “a maior alteração de paradigma para a comunicação comercial, nas suas várias áreas e plataformas, foi, sem dúvida, o crescimento exponencial dos influenciadores”. Ao serem um verdadeiro “3 em 1 – criam, veiculam e interagem –”, tornaram-se incontornáveis e, em muitos casos, o objeto quase exclusivo de várias campanhas.

Ainda assim, entende que, “apesar de aparentemente tudo ter mudado”, as transformações são à superfície. “A nossa mundividência enquanto equipa continua a ser a ferramenta mais poderosa, única e intransmissível com que iremos sempre desafiar o lugar-comum e resolver o que estiver para vir”, garante.


No que toca a tendências, Rafael Ripper, creative partner da Big Fish, acredita que os avanços tecnológicos vão continuar a marcar a indústria nos próximos anos. “Permitem criar sempre um fator ‘wow’ no público que ainda não os presenciou ao vivo.”

Mas “esta espiral de avanços tecnológicos e o excesso de tempo de ecrã” podem levar a uma “espécie de ‘reset’”, já que se sente “que as pessoas querem mais proximidade e genuinidade”. Dá o exemplo do aumento da procura, noutros países, de formatos de festivais “mais ‘despidos’” e adianta que “as pessoas querem verdade” no palco e não algo gerado por IA. Por outro lado, também já se começa a ver uma necessidade de diferenciação. “Contrariar o algoritmo. Vemos isso nos formatos ‘alcohol-free’ que cruzam música, desporto e gastronomia, por exemplo.”

Além disso, Rafael Ripper sente que vão continuar a aumentar as “iniciativas de envolvimento com os colaboradores das empresas, através de todos os canais possíveis. Nas redes sociais (não apenas LinkedIn), no empowerment de eventos internos, programas e ativações nas empresas, e até em eventos externos ou patrocínios, transitando para os RHs os benefícios que normalmente seriam atribuídos para os clientes finais”.

“Que nunca se perca o drive pelo novo”


Neste universo, Rafael Ripper espera “que nunca se perca o drive pelo novo”. Defende que os eventos devem contrariar a “fórmula ‘chapa 5’”, que até torna difícil distinguir que evento é, por ser igual a tantos outros, com “as mesmas soluções, a mesma cenografia totalmente dependente de tecnologia e da escala. Ou então a mesma trend replicada vezes sem conta”.

Adianta que do que mais gostava “era que os decisores das marcas voltassem a abraçar a atração pelo risco”. Perante a existência de cada vez mais dados, defende a perspetiva de os usar “como rede de segurança para impulsionar projetos arrojados que criem memórias e marquem as vidas de quem se relaciona com as marcas”.

©Tiago Marques

Para o futuro, Maria Couceiro indica que a expectativa passa por continuarem a ser “relevantes, curiosos e inconformados” e continuarem “a trabalhar em projetos que nos desafiem. No fundo, continuar a gostar tanto disto como no primeiro dia”.

Rafael Ripper acrescenta que a Big Fish quer “estar cada vez mais próxima dos decisores nacionais”, para criar em conjunto “marcas com melhor relação com os seus públicos”. “E o mais importante: que todas as pessoas à nossa volta tenham um ambiente onde se sintam felizes e tenham liberdade para amplificar ao máximo todas as suas capacidades”, aponta.

O 10.º aniversário da Big Fish está a ser celebrado desde o início do ano, com a equipa – “através de experiências ‘off the hook’ que têm fortalecido, e de que maneira, a ligação entre todos” – e com os clientes, cocriando “projetos relacionais 360º, que transcendem a área dos eventos e potenciam todas as skills da nossa equipa, desde a estratégia, branding, ilustração, motion ou produção”, conta Rafel Ripper, exemplificando com o projeto solidário Concertamos Juntos da Vodafone.

No final de maio, a agência assinalou a data especial com todo o mercado, com uma grande festa, onde se juntaram clientes, parceiros e ex-colegas. Afinal, “fazem todos parte da Big Fish. Somos todos amigos e todos com o mesmo drive: criar algo ‘fora’”, conclui.

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© Maria João Leite Redação