D&C Event Solutions: “Mais do que eventos, criamos relações”

Entrevista

05-01-2026

# tags: Agências , Eventos

A D&C Event Solutions nasceu em setembro de 2024, pelas mãos de Célia Caldas e Diogo Castanheira.

Os cofundadores da agência recordam que tudo começou “de forma inesperada, num contexto pouco convencional”, quando se conheceram num evento no deserto, em Marraquexe. E nunca imaginaram “que um lugar tão árido pudesse dar origem a um projeto com tantos frutos”.

A partir desse momento, perceberam que partilhavam “a mesma forma de pensar eventos, o mesmo rigor no trabalho e a mesma vontade de criar experiências com impacto real”, o que fez com que não demorassem a projetar um futuro profissional em conjunto.

Com décadas de experiência na hotelaria e nos eventos e com percursos profissionais complementares, decidiram avançar e criar a D&C, num movimento que descrevem como “um salto de fé”, sustentado “pela experiência, pela confiança no nosso trabalho e pela vontade de construir algo nosso”.

O percurso inicial confirmou essa aposta. “Em pouco tempo, tivemos a oportunidade de desenvolver projetos de grande dimensão, trabalhar com marcas exigentes e, acima de tudo, criar relações de confiança com clientes que continuam a escolher-nos”, referem.

Para Célia Caldas e Diogo Castanheira, a agência é sobretudo “o reflexo de quem somos”, marcada por “exigência e responsabilidade”, mas também por “proximidade, alegria e muita cumplicidade”. Acreditam que é essa postura, uma “forma genuína de estar”, que “transforma eventos em memórias”.

“Os melhores projetos surgem quando se somam competências”


Ao nível da oferta, explicam que na D&C são, “acima de tudo, solucionistas”, com o objetivo de “simplificar tudo o que envolve a organização de eventos”, através de “um serviço chave-na-mão que liberta os clientes do stress habitual”, com foco em soluções práticas, criativas e ajustadas à realidade.

Não se definem como uma DMC nem como uma agência convencional, preferindo posicionar-se como “parceiros de confiança, com grande capacidade de resposta e uma rede sólida de fornecedores e parceiros”. Colaboram também com outras agências e equipas de comunicação, “porque acreditamos que os melhores projetos surgem quando se somam competências”.

A D&C trabalha, sobretudo, eventos corporativos e ativações de marca, sendo a produção integral de eventos a área com mais peso na agência. No entanto, o verdadeiro fator distintivo “não é apenas o que fazemos, mas a forma como o fazemos e as relações que construímos ao longo do caminho”.

“Aprendemos que tudo começa nas relações”


No arranque, o maior desafio foi “a prospeção e a conquista dos primeiros clientes”. Apesar de terem “a experiência, o know-how e a confiança”, estavam a começar “sem uma marca estabelecida ou uma estrutura montada”. Assim, “rapidamente percebemos que o nosso maior ativo éramos nós próprios, o Diogo e a Célia”.

Puseram mãos à obra e o contacto com pessoas com quem já tinham trabalhado revelou-se decisivo, pois “a resposta foi imediata”. “Fomos recebidos de braços abertos, não por causa de um nome ou de um logótipo, mas pela confiança construída ao longo do tempo e pela forma como sempre trabalhámos”, contam, acrescentando que as primeiras reuniões trouxeram, pouco tempo depois, os primeiros projetos e eventos.

O início trouxe um natural “frio na barriga”, que tem sido substituído por oportunidades que surgem “de forma muito orgânica” – através de recomendações e referências, o que lhes dá “uma enorme confiança” – e por uma “agradável surpresa”: a vertente internacional, através de contactos de longa data, reforçando a ideia de que “as relações construídas ao longo dos anos ultrapassam marcas, geografias e estruturas formais”.

Outro desafio do arranque foi “conhecer a fundo os espaços e os parceiros certos para cada tipo de evento”. Por isso, investiram muito em visitas, reuniões e testes no terreno, e essa preparação, que se tornou numa das grandes forças, garante que hoje a resposta é dada com “rapidez, critério e qualidade”.

“No fundo, aprendemos que tudo começa nas relações. É essa base humana e de confiança que nos permite crescer com segurança e que faz com que, mesmo nos momentos mais desafiantes, nunca sintamos que estamos a fazer este caminho sozinhos”, frisam.

“Somos nós que vendemos, enquanto pessoas e profissionais”


A consolidação da D&C assenta numa estratégia que definem como “simples e assumidamente humilde”, que não parte de um “plano elaborado”, mas da convicção de que “somos nós que vendemos, enquanto pessoas e profissionais” e de que se consegue criar valor real “sendo fiéis a quem somos”.

A proximidade com clientes e parceiros, o estar no terreno e a experiência técnica e hoteleira são pilares para a agência, sempre com a ambição de “continuar a divertir-nos a trabalhar juntos, com autenticidade e exigência”.

Consideram difícil escolher um único evento marcante, porque “todos os projetos contam”. Ainda assim, destacam um projeto internacional realizado em Lisboa, um evento chave-na-mão com “quase 800 participantes, vindos de 32 países”, cujo objetivo foi transformar relações digitais em encontros presenciais, “aquilo a que chamámos IRL – In Real Life”.

O processo, explicam, “decorreu em menos de oito meses, desde a adjudicação até à realização do evento, um prazo particularmente exigente para um projeto desta dimensão”. O sucesso refletiu-se “nos elogios recebidos” e, sobretudo, “na continuidade da relação com o nosso cliente”. Esta vitória deu-lhes “um enorme orgulho e a certeza de que estamos no caminho certo”.

“O futuro da D&C está ligado ao presente que vivemos”


Sobre a indústria dos eventos, reconhecem desafios que influenciam decisões e comportamentos, da instabilidade económica e política às alterações climáticas. Do terreno, destacam um mercado “cada vez mais competitivo e, por vezes, agressivo” e a “falta de pessoas qualificadas”.

Defendem que, “em Portugal, há talento, criatividade e trabalho para todos” e que o setor beneficiaria mais “com uma lógica de colaboração”. Na D&C, escolhem trabalhar com quem valoriza “relações, respeito e qualidade”, acreditando num setor “mais unido, mais profissional e mais humano”.

Quanto ao futuro, Célia Caldas e Diogo Castanheira são claros ao afirmar que “o futuro da D&C está ligado ao presente que vivemos”. Querem crescer “sem perder identidade, proximidade e autenticidade”. O objetivo passa por continuar a ser “parceiros de confiança” e por lembrar que, “mais do que eventos, criamos relações”.

© Maria João Leite Redação