Consultório de protocolo: públicos jovens e informais

Opinião

28-04-2026

# tags: Protocolo , Eventos , Eventos corporativos

As especialistas de protocolo e imagem, Cristina Fernandes e Susana de Salazar Casanova, respondem às perguntas dos leitores.

Pergunta: Deve adaptar-se o Protocolo a públicos jovens e informais em eventos empresariais, ou deve manter-se a formalidade para educar e preparar as novas gerações?

Resposta: Esta questão é muito atual, interessante e pertinente, enfatizando um dos maiores desafios contemporâneos no que respeita ao Cerimonial e ao Protocolo: a tensão entre tradição/formalidade e informalidade das novas gerações/universo digital.

Do ponto de vista protocolar, a estratégia deve ser o equilíbrio entre princípios e forma. Cada situação deve ser equacionada especificamente, pois nenhuma solução, nesta matéria, é transversal.

Os principais fundamentos em Protocolo – respeito, cortesia, estatuto, hierarquia, precedência, representação – são intemporais e não podem ser desconsiderados. O que pode (e deve) adaptar-se é a forma da sua expressão.

Com efeito, manter um mínimo de formalidade é essencial para preparar as novas gerações para contextos institucionais, internacionais e até de representação diplomática. A excessiva informalidade empobrece a comunicação e o evento, fragilizando a autoridade organizacional.

Em eventos empresariais dirigidos a públicos jovens pode, contudo, optar-se por estratégias como uma linguagem menos rígida nos discursos, uma redução de formalismos desnecessários, um cenário mais moderno e tecnológico, uma maior proximidade na interação entre anfitriões e convidados, por exemplo.

Contudo, devem manter-se aspetos como irrepreensível organização, ordem correta de intervenções, adequada comunicação com eventuais entidades oficiais presentes, cuidadoso plano de seating, entre outros aspetos específicos de cada evento.

O Protocolo não pode ser encarado como um obstáculo à modernidade, mas sim como um referencial estruturante, que educa pelo exemplo e prepara para contextos de maior formalidade e, até, representação organizacional e institucional.

© Cristina Fernandes e Susana Casanova Opinião