Vodafone Paredes de Coura: eclipse abriu a festa num recinto que continua fiel a si próprio

Reportagem

17-08-2026

# tags: Festivais , Eventos , Cultura , Vodafone Paredes de Coura

Entre 12 e 15 de agosto, a vila de Paredes de Coura voltou a transformar-se no epicentro da música alternativa em Portugal.

A 32.ª edição do festival, que decorre junto à Praia Fluvial do Taboão, arrancou com uma verdadeira cabeça de cartaz celeste: a abertura do evento coincidiu com o eclipse solar de 12 de agosto de 2026.

Há momentos que nenhuma agência consegue colocar num briefing. Durante algumas horas, o fenómeno astronómico tornou-se parte da programação emocional do festival. O céu sobre o recinto do festival o ofereceu aquilo que qualquer marca gostaria de conseguir produzir: um momento espontâneo, irrepetível e partilhado simultaneamente por milhares de pessoas.

©Hugo Lima

A Vodafone percebeu a oportunidade e levou o eclipse para dentro do próprio espetáculo. Durante os concertos de Salvador Sobral e First Breath After Coma, no palco principal, imagens do eclipse foram transmitidas em direto nos ecrãs do recinto.

Um recinto que não se reinventa — e não precisa


Em termos estruturais, o festival mantém a base das edições anteriores. O anfiteatro natural junto ao rio Coura continua a ser o coração do recinto, ladeado pelo palco Vodafone (principal) e pelo segundo palco, este ano batizado Coura Sem Paredes. A organização optou, mais uma vez, por não mexer numa fórmula que já provou funcionar: mesma disposição de acessos, mesma relação de proximidade entre público e artistas, e a já conhecida ligação entre o recinto e o centro da vila, que continua a funcionar como extensão informal da festa.


O espaço continua cool e paradisíaco, na definição que já lhe é habitual: água, sombra das árvores e um ambiente bucólico que contrasta com a intensidade dos cartazes. É essa combinação — natureza, escala humana e programação — que continua a distinguir Paredes de Coura de outros festivais de maior dimensão realizados em Portugal.

Mesmas marcas, mesma estrutura


Também ao nível dos parceiros comerciais, a edição de 2026 repete o desenho dos últimos anos: mesmas marcas, mesma estrutura de ativações espalhadas pelo recinto. Entre os parceiros presentes este ano contam-se: Vodafone (patrocinador principal e naming sponsor do festival, mantendo o papel de destaque que já assume há mais de uma década); Toyota (parceiro da mobilidade); Évora 2027, Capital Europeia da Cultura (pela primeira vez no festival, marcou pela presença institucional e aproveitou para promover a candidatura e o programa cultural da cidade); Zyn; Fidelidade; Iqos; Pleno; Cabriz; e a Super Bock (responsável pela oferta de bebidas no recinto).


A manutenção deste conjunto de marcas reforça a leitura de continuidade que atravessa toda a edição: Paredes de Coura consolida-se como um festival que não procura reinventar-se a cada ano, mas antes aperfeiçoar uma fórmula já testada, tanto na música como na relação com os parceiros que o sustentam.

Toyota: mobilidade como assinatura de marca


Entre os parceiros presentes, a Toyota é uma das ativações mais consolidadas do festival. Há mais de duas décadas que a marca japonesa assume o estatuto de "Carro Oficial" do Vodafone Paredes de Coura, e a edição de 2026 não fugiu à tradição. No recinto, a Toyota mantém o já conhecido Spot Toyota, um espaço de marca onde os festivaleiros podem conhecer de perto a gama de SUV da casa.


O destaque continua a ir para o serviço de boleias gratuitas, que liga o campismo, junto à Praia Fluvial do Taboão, ao centro da vila — um trajeto que, nos dias de maior calor e maior fluxo de público, se torna um dos apoios mais procurados por quem acampa no recinto. Para além deste serviço, a marca disponibiliza também viaturas ao serviço da organização, utilizadas no transporte de bandas e artistas durante os quatro dias de festival. Paredes de Coura marca, além disso, o encerramento sazonal da presença da Toyota nos grandes festivais de verão portugueses, depois de passagens por outros palcos do país ao longo da época.

Évora, Capital Europeia da Cultura 2027


A presença da candidatura de Évora 2027 – Capital Europeia da Cultura no recinto de Paredes de Coura insere-se na estratégia de promoção nacional que a organização tem vindo a desenvolver junto de diferentes públicos. Évora foi escolhida em dezembro de 2022 para representar Portugal nesta iniciativa da União Europeia, ao lado da cidade letã de Liepaja, com um programa cultural construído em torno do conceito de "Vagar", a ideia de um modo de vida alentejano mais lento, contemplativo e ligado à paisagem.


E para isso, convidou os festivaleiros a entrar numa experiência imersiva em realidade virtual. Através de óculos VR, os festivaleiros foram convidados a afastar-se, ainda que por alguns minutos, da intensidade do festival e a experimentar o Vagar em 360 graus. A ativação ganhou particular significado precisamente pelo contraste com o contexto onde acontece. O festival é velocidade, música, estímulo, encontros e movimento. E esta ação propôs o contrário: tempo, contemplação, território e uma outra relação com a experiência.

Iqos: discrição na comunicação, destaque na localização


A presença da Iqos no recinto segue um registo que já é praticamente uma referência da marca em contexto de festivais portugueses: discrição na comunicação, mas destaque na localização. Ao contrário de outros parceiros, a Iqos não aposta em sinalética exuberante nem em grande visibilidade de marca à distância — uma opção que decorre, muito provavelmente, das restrições impostas pela lei da publicidade a produtos de tabaco e dispositivos afins, que limitam fortemente a exposição deste tipo de marcas em espaços públicos e eventos.

©Hugo Lima

Ainda assim, e apesar dessa discrição, a Iqos garante, mais uma vez, uma das localizações mais cobiçadas de todo o recinto: um espaço de zona VIP com vista privilegiada sobre o palco principal. É um paradoxo interessante desta edição — e das anteriores — o facto de ser precisamente uma das marcas menos visíveis a ocupar um dos pontos mais valiosos do festival em termos de experiência e proximidade ao palco.

Mais do que ativações


É esta capacidade de transformar momentos em experiências que ajuda a explicar a relevância das marcas nos grandes festivais. Em Paredes de Coura, a publicidade tradicional tem pouco espaço. O que ganha importância é a capacidade de criar uma memória.


Carregar o telemóvel, participar num conteúdo, descobrir um artista, deslocar-se pelo festival, experimentar uma realidade virtual ou olhar para o céu durante um eclipse são experiências diferentes, mas têm algo em comum: acontecem dentro do universo do festival e podem ficar associadas às marcas que as proporcionaram. No fundo, a questão já não é simplesmente “onde está a marca?”. É “o que é que a marca acrescenta à experiência?” E é, provavelmente, essa a verdadeira medida de uma boa ativação em Paredes de Coura.

A próxima edição do Vodafone Paredes de Coura já tem encontro marcado: de 18 a 21 de agosto de 2027, o Taboão volta a transformar-se no habitat natural da música.

 

 

Jorge Ferreira

IBTM World 2026