Leading: há 20 anos a colocar Portugal no mapa dos grandes congressos internacionais
02-09-2026
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Duas décadas depois da fundação, a Leading afirma-se como uma das referências na organização de congressos em Portugal. João Paulo Oliveira, fundador e managing partner, revisita os momentos-chave da empresa, reflete sobre a evolução do setor e aponta os desafios que ainda se colocam ao país para ganhar escala e competitividade internacional.
A Leading nasceu com a ambição de colocar Portugal no mapa dos grandes congressos internacionais. João Paulo Oliveira recorda que essa visão surgiu de uma leitura clara do mercado na altura: “A motivação foi simples: Portugal tinha tudo para competir internacionalmente, mas ainda não estava a jogar esse jogo de forma consistente. Faltava conhecimento, ambição, método e uma abordagem mais estratégica à captação de congressos. Há 20 anos quando fundamos a Leading, o mercado era constituído por empresas com um perfil muito operacional, mas com um nível baixo de especialização. Para além disso, era um mercado muito reativo e pouco orientado para a captação de negócio a longo prazo. No fundo, foram essas as razões que nos levaram a pensar que havia uma oportunidade de fazer uma empresa diferente.”
Ao longo destas duas décadas, vários momentos contribuíram para a afirmação da empresa no setor. Entre eles, o responsável destaca três em particular: “Houve vários, mas destaco três: a entrada consistente no mercado associativo internacional com a conquista dos primeiros grandes congressos internacionais, o período da pandemia onde praticamente reinventamos a nossa operação e teremos sido das agências com maior impacto no setor, e, mais recentemente, a nossa aposta clara na internacionalização. Cada um destes momentos obrigou-nos a melhorar a equipa, os processos e a visão do negócio.”
Com centenas de congressos organizados, nacionais e internacionais, João Paulo Oliveira identifica também alguns projetos determinantes no percurso da Leading. “Por exemplo, 2008 foi o primeiro ano de verdadeira afirmação em termos de congressos internacionais. Organizamos vários congressos de grande dimensão destacando o SSIEM (Society for the Study of Inborn Errors of Metabolism) que voltaríamos a organizar 16 anos depois com o dobro dos participantes. Outro marco importante foi a primeira candidatura para um congresso internacional ganha em 2007 para o EORNAC 2012 (European Operating Room Nurses Association Congress). Foi o ponto de partida para um trabalho que gostamos muito de fazer e onde estamos a apostar cada vez mais. Mas houve muitos mais. Diria que os turning points foram todos os projetos que nos tiraram da zona de conforto: congressos com grande dimensão, com programas científicos muito desafiantes e outros muito complexos tecnicamente. Esses projetos, e esses momentos, obrigaram-nos a profissionalizar ainda mais a empresa — e aceleraram muito o nosso crescimento.”
Num mercado altamente competitivo como o das associações internacionais, a reputação constrói-se com “consistência e confiança”. “Neste setor, a reputação constrói-se projeto a projeto. Entregas bem, resolves problemas, superas expectativas — e isso circula. As associações falam entre si. Não há atalhos e é preciso muita paciência. Depois há um conjunto de ações que são complementares e ajudam. Por exemplo, a presença permanente no mercado e sobretudo em ações que são especificas para este segmento.”
A pandemia representou um ponto de viragem profundo para toda a indústria dos eventos – e a Leading não foi exceção. “A pandemia obrigou-nos a repensar tudo. Tornámo-nos mais ágeis, mais digitais e mais conscientes da importância da diversificação do negócio. O que fizemos na pandemia em termos de trabalho de equipa foi único e fica registado entre as coisas mais espetaculares que a Leading fez em 20 anos”.
O momento foi vivido com altos e baixos. “No início da pandemia passamos de um período de profunda tristeza num ano que se afigurava particularmente bom, para um momento de grande criatividade e empenho da equipa que conseguiu num par de meses recriar digitalmente uma operação muito complexa como é a organização de um congresso. Talvez o maior exemplo do trabalho realizado tenha sido o Planetiers World Gathering feito em condições duríssimas e onde a resiliência de todos, incluindo bons parceiros, permitiu fazer o maior evento deste malfadado período.” E, por isso, João Paulo Oliveira não tem dúvidas de que hoje a Leading é “uma empresa mais preparada para a incerteza e com uma abordagem mais estratégica a situações de risco.”
Contributos e desafios
Sobre a crescente relevância de Portugal nos rankings internacionais de congressos, o fundador da Leading acredita que o setor tem tido um papel ativo nessa evolução. “As empresas como a Leading tiveram um papel importante ao profissionalizar o setor e ao trabalhar ativamente a captação internacional. Ajudámos a criar confiança no destino e a provar que Portugal consegue entregar eventos de grande escala com qualidade. Foi, e continuará a ser, um trabalho em parceria com os verdadeiros iniciadores de congressos: médicos, professores, investigadores e outros profissionais que com o seu prestigio internacional procuram levar mais longe o nome do país.”
Ainda assim, persistem desafios estruturais. “Falta escala e coordenação. Precisamos de mais infraestruturas e de uma visão mais integrada entre stakeholders – públicos e privados. Portugal já provou que é competitivo. Agora precisa de ganhar massa crítica. Olhando, por exemplo, para Lisboa ou Porto, é fácil de perceber que numa lógica de crescimento é preciso aumentar a oferta de equipamentos. E se a criação de infraestruturas de raiz, adequadas e com dimensão, significa um desafio financeiro relevante, o crescimento pode ser feito com a requalificação e expansão de equipamentos existentes. Pode até ser também, uma forma de reforçar os operadores de mercado existentes e com provas dadas no setor.”
Quanto às competências essenciais para competir globalmente, João Paulo Oliveira aponta três: “visão estratégica, capacidade comercial internacional e domínio da tecnologia. A isso junta-se a necessidade de uma forte aposta na especialização e capacidade de execução – porque, no fim, tudo se resume à entrega.”
A tecnologia e a inteligência artificial estão já a moldar o futuro do setor, sobretudo ao nível da eficiência e da personalização. “Desde processos internos até à experiência do participante, são muitas as ferramentas que começam a estar disponíveis. Acredito também que, se bem utilizada, a IA vai libertar tempo das equipas para se focarem no que realmente cria valor: estratégia, criatividade e relação humana. Dizendo isso, devo confessar que, na Leading e no setor em geral, estamos longe de aproveitar todo o potencial que este novo mundo oferece.”
Se tivesse de começar hoje, o percurso poderia ser diferente em alguns aspetos? “Boa questão. Provavelmente teríamos investido mais e mais rapidamente em tecnologia. E seguramente teríamos começado mais cedo o processo de internacionalização. Hoje o mercado é mais global e quem não pensar assim fica para trás. Finalmente, talvez fossemos bem mais agressivos no esforço e investimento, para a captação de grandes eventos internacionais.”
Ao assinalar 20 anos, o legado desejado é claro: “Gostava que a Leading fosse vista como uma empresa que ajudou a elevar Portugal no mapa dos congressos internacionais e que criou pontes – entre pessoas, conhecimento e oportunidades. No fundo, uma empresa que fez a diferença no setor e nas pessoas que por ele passaram, afirmando-se de forma discreta, colaborativa, com valores, respeitando sempre quem está no mercado.”
© Cláudia Coutinho de Sousa Redação
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