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Tapada Crew: há 40 anos nos bastidores dos eventos

21-07-2026

# tags: Espetáculos , Eventos , Produção , Empresas

A Tapada Crew, equipa que presta, entre outros, serviços na área de montagem e assistência de espetáculos, está a celebrar 40 anos de atividade.

Olhando para trás, Pedro Vasconcelos, CEO da Tapada Crew, vê que a evolução técnica e profissional deste setor em Portugal tem sido “muita e constante”, o que tem levado a empresa a “desenvolver novas competências e a implementar novos processos internos". As revoluções tecnológicas que melhoram a experiência nos espetáculos são, elas também, fonte de motivação.

Pedro Vasconcelos

São muitos os momentos marcantes nestas quatro décadas. Escolher os mais simbólicos é difícil, mas há alguns que Pedro Vasconcelos destaca: o primeiro grande concerto de estádio em Alvalade (dos Rolling Stones), em 1990; a Expo’98, onde a empresa esteve em todos os palcos, 24h por dia; a montagem de grandes exposições mundiais, em diversos países, e a consolidação da área de montagem de palcos em grandes digressões mundiais, em 2007 e 2008; ou a produção em nome próprio, em 2015/16, da exposição Real Bodies, que nos obrigou a desenvolver competências em novas áreas” e que levou a empresa a fazer o primeiro investimento em meios audiovisuais próprios.

Importa ainda lembrar os anos da pandemia, “em que tivemos que não apenas manter a empresa viva, mas essencialmente apoiar, dentro das nossas possibilidades, a nossa equipa”, refere o responsável, recordando que o setor da Cultura foi fortemente afetado pelos confinamentos e um dos menos apoiados pelos instrumentos disponibilizados pelo Estado. E, depois, “passámos quase instantaneamente de um estado parado para um pico incrível de atividade” – sendo que o setor, no entanto, perdeu alguns recursos humanos que procuraram, no confinamento, outros modos de vida.


O recrutamento nesta área é “um desafio cada vez maior”, dada a sazonalidade do trabalho, que pode acontecer em qualquer altura. A emergência de novos destinos de grandes eventos, como o Médio Oriente, também não ajuda, já que atrai o talento nacional e torna “mais desafiante a capacidade de retenção”.

E tudo isto além de “um défice significativo de ofertas de formação profissional técnica integradas com o mercado de trabalho”, acrescenta Pedro Vasconcelos, que conta que a Tapada Crew tem em curso programas de formação específica.

Agilidade, adaptabilidade e velocidade de reação


A cultura de uma crew constrói-se, muitas vezes, no decorrer de noites longas, imprevistos e prazos apertados. Situações limite que reforçam o espírito de equipa que caracteriza a Tapada Crew. Pedro Vasconcelos recorda o T99, evento com vários dias de concertos consecutivos. Das técnicas planeadas à realidade no terreno ia uma enorme distância, o que implicou um trabalho contínuo. E tal só foi possível por causa da agilidade, adaptabilidade e velocidade de reação “que colocamos em tudo o que fazemos”.


Também no dia do ‘apagão’, no ano passado, com eventos marcados para o dia seguinte, a equipa estava na expectativa sobre a sua realização. Assim que começaram a existir luz e telecomunicações, puseram mãos à obra. “Com uma task force da equipa do escritório, e a já conhecida, mas nem por isso menos elogiável, disponibilidade da equipa de terreno, conseguimos contactar todas as pessoas e no dia seguinte pela manhã tínhamos toda a gente em todos os eventos, como em qualquer dia normal.”

Pedro Vasconcelos acredita que esse espírito de equipa e disponibilidade levam a Tapada Crew a manter a atividade em Portugal, a aumentar a presença internacional e “a crescer em áreas como os eventos corporativos e desportivos, onde já temos uma presença muito significativa, mas vemos ainda um grande potencial de crescimento”.

Por detrás da cortina


A ligação de João Caracóis, Paulo Lopes, Pedro Alves e Solange Craveirinha à Tapada Crew começou em momentos e alturas diferentes: no concerto de Leonard Cohen, no antigo pavilhão do Dramático de Cascais, em 1985; no espetáculo dos Blink-182, na Meo Arena, em 2023; na atuação dos Depeche Mode, no Porto, em 1993; e no concerto dos Iron Maiden, no Estádio do Jamor, em 2022; respetivamente.

Pedro Alves

Em comum têm a vida intensa de quem trabalha nos bastidores de eventos, com os esforços necessários para que os espetáculos aconteçam, as cargas e descargas exigentes e as memórias de concretizar o que, por vezes, parece impossível. Saber lidar com o stress é uma necessidade e vai-se adquirindo com tempo e experiência. “Temos que ter a seriedade de perceber que temos que solucionar o imprevisto”, afirma Pedro Alves.

Solange Craveirinha

É um trabalho, na maior parte das vezes, invisível. Por isso, Solange Craveirinha recorda com carinho o ‘Fantasma da Ópera’, espetáculo da Broadway, onde a equipa foi chamada ao palco para ser aplaudida pelo público, que pôde ver quem está por detrás da cortina. “Foi um momento bastante emocionante”, conta.

João Caracóis

Neste ambiente de bastidores, João Caracóis realça o espírito de “camaradagem” – pessoas que gosta de ter ao seu lado nos momentos de dificuldade… Em todos os testemunhos, há sentimentos que sobressaem: o espírito de família e o cuidado, a amizade e a aprendizagem entre os elementos da equipa, mesmo no meio da pressão.

Paulo Lopes

“A Tapada Crew é reconhecida internacionalmente como uma das melhores. Com 40 anos de vida já poucos momentos são assinaláveis, mas continuamos a receber méritos de grandes empresas e instituições para as quais trabalhamos. Por isso, continuamos todos os dias a ultrapassar os limites para mais 40 anos no topo dos eventos”, conclui Paulo Lopes.


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