Unicorn Awards: Desafio Global e iMotion explicam prémios

Entrevista

14-09-2026

# tags: Prémios , Eventos , Conventa , Desafio Global , iMotion , Ljubljana

A Desafio Global e a iMotion somaram seis prémios nos Unicorn Awards e partilharam com a Event Point as aprendizagens e o impacto do reconhecimento internacional.

A Desafio Global e a iMotion regressaram de Liubliana, na Eslovénia, com seis prémios na 15.ª edição dos Unicorn Awards by Conventa. A Desafio Global conquistou quatro distinções e a iMotion duas, num concurso que reuniu mais de uma centena de eventos finalistas de 24 países.

Além dos resultados, as duas agências destacaram o processo de candidatura, a necessidade de diferenciar os pitches e o impacto do reconhecimento internacional nas equipas e nos clientes.

©Marko Delbello Ocepek

Desafio Global: “Obviamente, estamos muito felizes”


Gonçalo Oliveira, da Desafio Global, conta que esta foi a terceira participação da
Desafio Global nos prémios em Liubliana e que, este ano, aconteceu num contexto de maior concorrência.

“É o terceiro ano que estamos aqui em Liubliana e temos notado uma evolução enorme em termos de projetos e de concurso. Este ano foi excelente em termos de propostas. Notei um salto gigante e ficámos muito surpreendidos por termos ficado com dois prémios, Bronze e Prata, na categoria Business to Business [com os eventos Think Bigger e Deloitte IRGA Awards, respetivamente]”, refere, lembrando também a conquista na subcategoria Ceremony e do Audience Award. “Obviamente, estamos muito felizes.”

“Humanizar cada vez mais as apresentações”


A experiência acumulada permite ir ajustando a forma de apresentação dos projetos. “Passado tantos anos, vamos afinando a apresentação e percebendo o que é que o júri valoriza mais. E não é sempre a mesma coisa, vai evoluindo”, afirma.

Nesta edição, Gonçalo Oliveira identificou, contudo, um novo desafio: a crescente standardização das candidaturas, associada à utilização da inteligência artificial: nas frases, na forma como os vídeos estão feitos, até nas vozes. “Notava-se uma repetição de frases... Acho que as pessoas foram afunilando todas para o mesmo caminho.”

Daí que “o truque para o futuro é tornar-te diferente desta standardização”. É uma aprendizagem para todos os que vão fazendo o pitch e um trabalho que vai sendo adaptado. “Acho que o truque vai ser esse: humanizar cada vez mais as apresentações.”

Gonçalo Oliveira | ©Marko Delbello Ocepek

Condensar um evento em poucos minutos é, por si só, um exercício complexo. “É desafiante criar empatia e convencer, em três minutos, de que o nosso evento foi o melhor e criar um propósito do que é o nosso evento foi. É um desafio e um processo criativo gigantes criar um vídeo que convença um júri em três minutos. É difícil.” A estratégia passa por selecionar as mensagens essenciais: “qual é o propósito, a forma como fizemos e os resultados, que basicamente é o que interessa”.

“É sempre bom mostrar o que já fizeste e como já foste reconhecido no mercado


Gonçalo Oliveira considera que os prémios podem ter importância na relação com potenciais clientes, sobretudo em concursos internacionais. Lembra que, num pitch internacional, já foi pedido à agência o portefólio ou a lista de prémios conquistados, “para perceberem o grau de exigência e de confiança que podem ter”.

“Acho que isso tem alguma importância. Os prémios ganhos diferenciam. Quer dizer, uma agência com muitos prémios é diferente de uma agência com poucos prémios. Não quer dizer que seja melhor ou pior, no todo, mas, no final do dia, é sempre bom mostrar o que já fizeste e como já foste reconhecido no mercado”, explica.

©Marko Delbello Ocepek

iMotion: “Sabemos que temos um bom projeto”


Na iMotion, os dois prémios conquistados foram recebidos como um reconhecimento do projeto e da equipa. A agência ficou em segundo lugar na categoria B2E, com o Deloitte Portugal Christmas Party, que venceu também a subcategoria Internal Celebration.

“Estou super feliz. Quando trazemos a equipa para fazer um pitch, estamos sempre na esperança de ter prémios e nós sabemos que temos um bom projeto”, refere Angelina Castel-Branco, da iMotion, lembrando que, este ano, “havia projetos muito bons”, o que reforça o orgulho de serem premiados com a Prata numa categoria principal.

Este é um reconhecimento que tem impacto dentro da própria equipa. “Acho que isto traz um boost também para a equipa quando partilhamos e dizemos que o nosso projeto, o nosso trabalho, é reconhecido”, frisa, acrescentando, contudo, que os prémios não são o objetivo para o qual os projetos são desenvolvidos.

“Nós não fazemos projetos para prémios, naturalmente. Mas fazer um projeto que podemos levar a prémio, ganhar e ser reconhecidos a nível internacional dá-nos um prazer enorme. E termos a equipa também reconhecida, todo o conceito, toda a parte criativa, toda a produção, acho que é muito bom.”

“É mesmo importante sobressair e marcar a diferença”


Filipa Ferreira da Silva destaca a aprendizagem acumulada nas diferentes competições e a necessidade de conseguir ficar na memória do júri. “É mesmo importante sobressair e marcar a diferença quando tens um júri que está a avaliar 30 e tal, 40 projetos. Tens mesmo de perceber como é que ficas na memória – não só porque tens um bom projeto, obviamente, mas porque, à partida, todos estão ali porque têm um bom projeto.”

Nos Unicorn Awards, o pitch tinha dois minutos, o que obriga a adaptar a abordagem. “Temos mesmo de ser super ‘straight to the point’, dizer o certo, as coisas certas. É uma grande aprendizagem para nos diferenciarmos”, refere.

Filipa Ferreira da Silva | ©Marko Delbello Ocepek

Por seu lado, João Louro Pereira explica que a iMotion optou por vídeos explicativos para controlar melhor o tempo e garantir a transmissão das mensagens essenciais. “Achamos que, fazendo uma apresentação com slides ou com powerpoint, podíamos escorregar um bocado no tempo e depois não teríamos tempo para passar todas as mensagens que queremos para valorizar o projeto”, justifica.

Mesmo assim, reconhece os limites do formato: “Acho que nunca vão apanhar 100% do projeto em dois minutos”. Por isso, a preparação estende-se à fase de perguntas e respostas, que dura cinco minutos, de forma a passar as mensagens essenciais e para que seja mais fácil os jurados entenderem o conceito e a complexidade do evento. “Há mensagens que não se conseguem passar através do vídeo”, afirma, acrescentando que a agência sabe como reforçar as mensagens, “para, independentemente das perguntas do júri, nós conseguirmos inserir estes conteúdos, para explicarem melhor o conceito”.

Reconhecimento para agências, clientes e talento


Para Angelina Castel-Branco, o reconhecimento internacional também chega aos clientes. “O cliente sente que é o projeto dele que está ali, é a marca dele que está a ser projetada. Estes acabam por ser prémios de agência, a agência traz os seus projetos, mas os clientes também se começam a interessar e a perguntar: ‘então, vamos submeter?’”, conta.

A responsável considera que os prémios ajudam a mostrar o trabalho da indústria sob outra perspetiva e constituem também uma validação para os próprios departamentos de eventos das marcas. “É bom, a nível de todo o mercado, da indústria, podermo-nos mostrar de outra forma, os clientes verem-nos de outra forma e termos algum reconhecimento, quer nacional, quer internacional, quer dos nossos pares, parceiros e clientes.”

O reconhecimento pode ainda contribuir para atrair talento para a indústria, avança Filipa Ferreira da Silva. “Acho que é importante para atrair talento para o mercado dos eventos”, afirma, lembrando que, ganhando prémios, é possível mostrar às novas gerações que estão a operar num mercado com reconhecimento internacional.

Rui Ochôa
IBTM World 2026