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Phnom Penh: a capital vibrante do Camboja não é só local de passagem

A capital do Camboja, Phnom Penh, figura, por vezes, nos itinerários de viagem como uma escala ou um ponto de passagem para o destino principal do país: Siem Reap.

Mas, surpreendentemente, Phnom Penh vale como destino por si só. O calor sufocante convida a passeios de tuk-tuk, para conhecer os marcos históricos da colorida capital desta nação asiática, cuja paisagem oscila entre monumentos grandiosos e recordações de um dos mais perturbadores episódios da história do século XX.

Ainda mal refeito das feridas de um regime tão grotesco como o de Pol Pot e da guerra civil que o derrotou, o Camboja procura dias mais felizes e o turismo tem contribuído para isso. Segundo um relatório do ministério do Turismo local, em 2018 entraram no país 6,2 milhões de turistas, aproximadamente mais 600 mil do que no ano anterior. Destes, quatro milhões entraram no país pelos aeroportos internacionais de Phnom Penh e Siem Reap e dois milhões por terra, vindos dos países vizinhos, nomeadamente do Vietname. O relatório estima que, em 2018, as receitas geradas pelos visitantes internacionais tenham ultrapassado os 4 mil milhões de dólares. Se Siem Reap é o destino mais conhecido do país, por ser a antecâmara dos extraordinários templos de Angkor, Phnom Penh possui as marcas da história mais recente e mais triste deste país, e que vale a pena ser conhecida.

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A prisão de Tuol Sleng e os campos da morte

Os khmer vermelhos governaram o Camboja de 1975 a 1979. Este regime, liderado pelo sinistro Pol Pot, acreditava numa política de engenharia social, e tinha o objetivo de transformar o país numa nação auto-suficiente. As reformas implementadas levaram ao genocídio de cerca de 20% da população desta nação asiática. Mais de 17 mil pessoas, homens, mulheres, crianças, consideradas perigosas pelo regime passaram pela prisão de Tuol Sleng - S21, uma antiga escola secundária transformada em cárcere e local de interrogatório pelos khmer vermelhos. A visita é obrigatória para entender este momento da história, embora seja muito dura e deprimente.

Já fora da cidade, mas facilmente acessível, ficam os “campos da morte” ou “killing fields”. Era aqui que vinham morrer os prisioneiros da S-21, das formas mais brutais que se pode imaginar. O memorial, que marca este espaço, contém oito mil crânios, divididos por género, e etiquetados com uma cor, a que corresponde uma arma diferente. Pelo recinto sucedem-se as valas comuns já identificadas, uma vez que este trabalho continua a ser feito ainda hoje. Por isso não é de estranhar, por exemplo, após um período de chuva, surgirem à superfície ossos e roupas. O silêncio impera neste lugar de horror, mas também de lembrança e homenagem.

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Palácio real de Phnom Penh

Situado em frente a área onde se cruzam o rio Mekong e o lago Tonlep, o palácio real é um bálsamo de beleza e tranquilidade numa cidade tão agitada e caótica como a capital cambojana. O complexo de edifícios, dos quais se destaca a sala do trono, é impressionante, embora muitos não sejam acessíveis uma vez que são para utilização integral do rei e da sua família. O complexo data de 1866, altura em que a capital passou de Oudong para Phnom Penh. Adjacente ao palácio fica a Silver Pagoda, cujas riquezas principais são o “Emerald Buddha”, feito de esmeraldas e de cristal, e o Buddha Maitrey, adornado com mais de dois mil diamantes. Destaque, ainda, para os murais baseados no épico indiano Ramayana. Em frente uma grande praça leva-nos ao rio, para onde convergem os locais, sobretudo ao final do dia. Aqui sente-se o pulsar da vida da capital, os habitantes da cidade convivem nos jardins, passeiam junto ao rio, petiscam nas bancas de comida de rua, riem e brincam. Muito recomendável é fazer um “cruzeiro” e ver o sol a pôr-se suavemente no Mekong, ainda que exista sempre a possibilidade de rebentar uma tempestade de trovões, ou não estivéssemos no sudeste asiático.

 

Capital preparada para a meetings industry

Tendo como meta para o próximo ano acolher mais de sete milhões de turistas, o Camboja tem vindo a investir na melhoria das suas estruturas, algumas dedicadas à meetings industry, piscando assim o olho com afinco ao turismo de negócios. Phnom Penh conta com o Diamond Island Convention & Exhibition Centre, mas também com uma série de hotéis com espaços para reuniões e eventos. Algumas destas unidades hoteleiras marcaram presença no Cambodia Travel Mart 2019, que decorreu no Sokha Phnom Penh Hotel, um cinco estrelas localizado na península de Chroy Changvar, com mais de 500 quartos e 12 espaços ao serviço do setor das reuniões e eventos.

Um outro cinco estrelas associado ao evento foi o Nagaworld, que acolheu parte da comitiva do CTM 2019. Este hotel, composto por dois edifícios interligados, conta com 1.658 quartos e suites, casino, centro comercial e também um auditório, cinco salas de reuniões, um salão e área de exposição. O Rosewood Phnom Penh tem três salas flexíveis e um pavilhão; o Palace Gate Hotel & Resort tem três espaços para reuniões e eventos, com formatos distintos; o Dyvith Hotel conta com uma sala de conferências com capacidade para até 300 participantes; e o Sun Moon Urban Hotel apresenta dez espaços para reuniões e eventos, de várias dimensões. O grupo Dara Hotels tem duas unidades hoteleiras na capital, o Olympia City Hotel e o Dara Airport, com dois e oito espaços, respetivamente. São exemplos de hotéis com facilidades e áreas dedicadas ao setor MICE, que contribuem para a captação de mais reuniões e eventos para Phnom Penh.

Relativamente aos acessos, preveem-se mais voos e um aumento de frequências para o próximo inverno por parte da companhia aérea nacional do Camboja. Os voos nacionais da Cambodia Angkor Air decorrem entre as três principais cidades, Phnom Penh, Siem Reap e Sihanoukville, e os internacionais ligam estas cidades a Ho Chi Minh e Da Nang, no Vietname, e a Pequim e Guang Zhou, na China. O volume de operações da companhia aérea tem aumentado nos últimos anos, quer nos voos domésticos, quer nos internacionais. Nos primeiros nove meses deste ano, foram realizados 8.842 voos e transportadas 660 mil pessoas.

Depois do Brunei, em 2020, a ATF – ASEAN Tourism Forum vai reunir-se em Phnom Penh. A capital do Camboja vai acolher o evento da Associação das Nações do Sudeste Asiático em 2021.

 

Cláudia Coutinho de Sousa, Alexandra Noronha e Maria João Leite*
*Viajou a Phnom Penh a convite do CTM 2019


Crédito das fotos: Cláudia Coutinho de Sousa

 

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30-10-2019