C2 Montréal: A criatividade como motor da inovação
02-03-2026
# tags: Caso de Estudo , Eventos , Conferências
O C2 Montréal podia ser “apenas” uma conferência de negócios, mas, apesar de ter oradores, workshops e networking, é a forma como tudo se desenrola que torna este evento uma referência em termos de inovação e criatividade.
Todos os anos, mais de 1.000 empresas de diversos setores participam neste evento, que nasceu em 2012, com base na parceria entre a agência criativa Sid Lee e o Cirque du Soleil. Uma dupla aparentemente inusitada, que acabaria por moldar o que é hoje um evento anual que aposta na improvável mistura entre negócios e espetáculo para gerar oportunidades e novas ideias.
Redefinir o futuro através da criatividade, ultrapassar limites e reimaginar possibilidades podem parecer objetivos pouco comuns para uma conferência em que se discutem temas como a experiência do consumidor ou como tornar as marcas relevantes no contexto atual. Com oradores que vão de CEOs a compositores ou terapeutas de yoga, o C2 Montréal destaca-se, sobretudo, pela forma como desconstrói a tradicional noção de tempo e espaço nos eventos.
Já imaginou uma mesa redonda em que todos os participantes estão suspensos ou numa piscina com bolas de plástico? Ou um passeio “à chuva” num jardim interior no local do evento? Estes são apenas alguns exemplos do que sucedeu em edições passadas e que tornam difícil imaginar o que ainda pode estar para acontecer.
Assumindo-se como um “centro vibrante onde pode mergulhar em atividades práticas, explorar ideias ousadas e envolver-se em conversas transformadoras que redefinem a sua forma de aprender, experimentar e conectar-se”, o C2 Montréal reúne mentes criativas, líderes e agentes de transformação com o objetivo de estimular a colaboração, a inovação e oportunidades de negócio em todos os setores.
Onde a estratégia encontra o espetáculo
Transformação e não apenas informação, encontros inesperados que criam networking, experiências que inspiram novas abordagens para os negócios. O C2 Montréal é como uma cidade de ideias que todos os anos se reinventa e onde a criatividade está, literalmente, em cada canto. Anick Beaulieu, CEO do C2, explica o conceito e a inspiração para um evento que é, também, uma espécie de parque de diversões onde se fala de negócios.
O que torna o C2 Montréal diferente das conferências tradicionais?
A maioria das conferências fornece informação, o C2 foi concebido para transmitir transformação. Criamos ambientes em que a criatividade se torna o motor dos resultados empresariais. Ao substituir as agendas rígidas por experiências imersivas, ajudamos os líderes a verem desafios sob novas perspetivas, fazendo com que saiam com ideias sobre as quais podem agir.
O que faz com que seja um “recreio imersivo” e um festival criativo?
O C2 é construído como uma cidade de ideias – que é, ao mesmo tempo, um teatro, um mercado e um parque infantil. Cada canto convida a explorar: as instalações de arte despertam reflexões, as performances inspiram novas ideias e os encontros inesperados tornam-se oportunidades de negócio. É o local onde a estratégia encontra o espetáculo e onde a criatividade não é apenas parte da decoração, mas o motor da inovação.
Quais são os formatos de conteúdos e de que forma envolvem os participantes?
Acreditamos que as pessoas aprendem melhor a fazer do que quando estão apenas a ouvir. É por isso que a nossa programação inclui conversas, laboratórios práticos, masterclasses de desenvolvimento de competências e trocas de experiências. Cada formato é concebido para transformar insights em ações, tornando a criatividade numa ferramenta de negócio tangível.
De que forma o design do espaço melhora a colaboração?
No C2 a sala faz parte do programa. Da disposição circular das cadeiras – o que dissolve hierarquias – até aos ambientes cenográficos que despertam curiosidade, coreografamos encontros que não acontecem em venues tradicionais. Os nossos espaços são concebidos para colisões e a arquitetura acaba por colaborar na troca de ideias.
Como é que a flexibilidade de horário aumentou a autonomia e a satisfação?
Damos aos participantes a liberdade para que criem a sua própria viagem. Essa autonomia não só torna a experiência mais gratificante, como faz com que seja mais impactante: quando as pessoas escolhem o seu próprio caminho, envolvem-se mais profundamente, criam ligações mais fortes e voltam para casa com perspetivas marcantes.
Precisam de reinventar o evento todos os anos?
Sim, a reinvenção é o nosso ponto de partida. Cada edição tem uma nova direção artística, uma nova cenografia e uma nova abordagem temática. O que se mantém constante é a nossa missão: usar a criatividade como um catalisador para a transformação dos negócios. Esse equilíbrio mantém o C2 fresco, mas fiel ao seu ADN.
Onde encontram inspiração?
Inspiramo-nos em teatros, festivais e laboratórios de design de todo o mundo, mas Montréal é a nossa maior inspiração. A energia criativa desta cidade, a mistura de culturas e o espírito inovador estão presentes em tudo o que fazemos. E somos sempre inspirados pela nossa comunidade e pela forma como os participantes usam o C2 como uma rampa de lançamento para novas ideias.
Quais são as parcerias que o C2 constrói e de que forma está a cidade de Montréal envolvida?
Não nos limitamos a apresentar parceiros, criamos juntamente com eles. Marcas, instituições e inovadores moldam laboratórios, ativações e experiências em conjunto connosco, para que os seus desafios de negócio sejam explorados em tempo real. Montréal acaba também por desempenhar o papel de um parceiro — de jantares imersivos em becos escondidos a colaborações com artistas e chefs, a cidade é uma parte do programa.



