Estudo revela setor dos eventos concentrado em Lisboa e Porto

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02-06-2026

# tags: Lisboa , Eventos , Portugal , Porto

Apesar do crescimento económico do setor dos eventos em Portugal, a atividade continua fortemente concentrada em Lisboa e Porto.

A indústria dos eventos tem um peso cada vez mais relevante na economia e no turismo nacional, mas existe uma forte assimetria territorial, refere o estudo ‘Economia dos Eventos em Portugal: Insights sobre Inovação, Sustentabilidade e Comunicação’, desenvolvido pelo ISAG – European Business School e pelo Centro de Investigação em Ciências Empresariais e Turismo da Fundação Consuelo Vieira da Costa (CICET-FCVC), em parceria com o Club.E dos Eventos.

De acordo com o estudo, quase metade das empresas inquiridas (46,2%) realiza mais de 75% dos seus eventos em Lisboa e no Porto, enquanto apenas 4,3% afirmam organizar a maioria dos seus eventos fora destas duas cidades. Num país “a duas velocidades”, no que diz respeito à distribuição territorial dos eventos, Braga surge como a principal alternativa emergente.

O estudo destaca ainda o peso económico da indústria dos eventos em Portugal. Em média, as empresas organizam 92,9 eventos por ano, registando uma faturação média anual estimada que varia entre 464 mil e 2,7 milhões de euros por organização.

Sobre o impacto económico da indústria, a análise da estrutura de custos indica que cerca de 56% do orçamento médio de um evento é absorvido pelo aluguer de espaços, catering e equipamentos audiovisuais, o que reflete “a importância das infraestruturas, da experiência proporcionada aos participantes e da componente tecnológica na organização dos eventos”, lê-se em comunicado.

Apesar do crescimento dos últimos anos, os investigadores alertam para vários desafios estruturais, que passam pela baixa internacionalização, pela reduzida adoção de tecnologias inovadoras e pela forte dependência dos grandes centros urbanos.

No capítulo da internacionalização, o estudo adianta que, embora 35,3% das empresas indiquem que apenas 15% dos seus clientes são estrangeiros, os resultados mostram também uma forte capacidade de atração internacional – 46,3% das organizações trabalham com uma base internacional superior a 30% dos seus clientes.

“Os resultados apontam, assim, para uma oportunidade estratégica: alargar esta dinâmica de internacionalização a um maior número de empresas e regiões do país, reforçando a competitividade da indústria portuguesa dos eventos e distribuindo de forma mais equilibrada os benefícios económicos associados ao turismo de negócios e eventos”, refere o comunicado.

Outro aspeto em destaque é a transformação tecnológica. Apesar da utilização generalizada de ferramentas digitais de comunicação e gestão, a adoção de soluções mais inovadoras pelas empresas ainda está a ganhar terreno.

O estudo refere ainda que a sustentabilidade é uma preocupação crescente das organizações, que, no planeamento dos eventos, têm em conta questões relacionadas com acessibilidade, alimentação, mobilidade e transportes.

Para Elvira Vieira, diretora geral do ISAG e uma das coordenadoras científicas do estudo, “os resultados demonstram a existência de uma indústria madura, experiente e com elevado potencial de crescimento”, lembrando que mais de 56% das empresas atuam no setor há mais de uma década.

Contudo, “persistem desafios estruturais relacionados com a descentralização territorial, a inovação tecnológica e a internacionalização. Os resultados revelam uma internacionalização assimétrica, coexistindo empresas fortemente orientadas para o mercado nacional com outras que já apresentam níveis elevados de procura internacional. Paralelamente, a reduzida participação em associações internacionais – apenas 14,7% das empresas pertencem a estas estruturas – evidencia margem para reforçar a projeção externa, a cooperação internacional e a integração em redes globais do setor”, adianta.

De acordo com o estudo, baseado na análise a mais de 230 empresas que atuam no setor, “o reforço destas dimensões poderá contribuir para uma distribuição mais equilibrada da atividade pelo território nacional, para uma maior competitividade internacional das empresas portuguesas e para a consolidação da indústria dos eventos como um dos motores do turismo e da economia nacional”, conclui a nota de imprensa.

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