Rita Matos: “O encontro de ideias é a maior fonte de inspiração”

Entrevista

30-04-2026

# tags: Hotelaria , Eventos , Vida de Eventos

Rita Matos, diretora de vendas do grupo Neya Hotels, conta que a sua maior fonte de inspiração é o encontro de ideias.

Foi durante o programa de treino Vita Futura da Starwood que Rita Matos trabalhou pela primeira vez na área de eventos. “O primeiro posto que tive oficialmente em Grupos & Eventos foi no Castillo Hotel Son Vida, a Luxury Collection em Palma de Maiorca. Confesso que originalmente foi muito intenso, sendo que exigiu um período de adaptação”, conta, adiantando que “foi ganhando um enorme prazer em conseguir concretizar as visões dos clientes e satisfação em ter um evento de sucesso”.

Seguiram-se outras experiências em vários hotéis em Marbella, em Valência e no Porto. Antes de assumir funções, em setembro de 2025, no grupo Neya Hotels, desempenhou o cargo de Cluster Regional Sales Manager na Ace Hospitality Management.

Do primeiro trabalho em Palma de Maiorca, Rita Matos guarda mais do que boas memórias. “Devo a incrível base que obtive na área dos eventos a equipa do Castillo Hotel Son Vida, querendo destacar duas pessoas em particular, a Patrizia Schildo e a Carolina Alfano. Apesar de terem ambas estilos muito diferentes, eram as duas incríveis profissionais da equipa de Grupos & Eventos, que, acima de tudo, me ensinaram a importância da organização e de ter carinho por aquilo que fazemos”, destaca.


Do que mais gosto nos eventos é todo o potencial que existe”

Quando tem de apresentar uma solução inovadora e criativa, Rita Matos vai, muitas vezes, buscar inspiração “às próprias pessoas”. Explica que “há imensas opções e soluções às quais é impossível chegar sem ter a perspetiva de outra pessoa”, por isso, acredita que “o encontro de ideias é, de facto, a maior fonte de inspiração”.

“Do que mais gosto nos eventos é todo o potencial que existe; nunca um dia tem de ser igual ao outro e cada ocasião pode trazer novidades, surpresas e aprendizagens”, adianta Rita Matos, que adora “o facto de podermos ser parte também de um momento especial, seja num evento corporativo ou social, passando a ser parte da chave do sucesso”.

Mas nem tudo são rosas nesta indústria, que presenteia os seus profissionais com momentos de pressão e stress. Nessas alturas, Rita Matos revela “fazer como toda a gente e começar com respirar fundo”. “Numa indústria em que lidamos com pessoas e pessoas muito diferentes, há sempre momentos de mais pressão, mas lidar com um problema de cada vez e apoiar-nos na equipa que nos rodeia acredito ser a melhor forma de lidar com o stress que pode surgir”, acrescenta.

A diretora de vendas nunca reparou ter superstições antes de cada evento. Mas reconhece, no fundo, uma rotina: “Quem já tiver trabalhado comigo pode dizer que eu, de facto, na minha preocupação de que os eventos sejam um sucesso, tenho tendência a revalidar a informação repetidamente, para garantir que está conforme, que suponho, se poderia considerar o hábito que tenho.”


Dos desafios as gargalhadas

Muitos dos eventos que realizou marcaram-na pela aprendizagem, outros por serem especiais e há ainda uns quantos, refere, que se destacam pelas surpresas e imprevistos. “Mas o que mais me terá impressionado foi um evento de marca de luxo, quando estava no Westin La Quinta em Marbella, em que transformamos os espaços do hotel para recriar a Feria de Sevilla. Confesso que foi uma daquelas vezes em que desejei ser participante em vez de parte da equipa coordenadora”, adianta.

De todos os desafios que enfrentou, recorda-se especialmente de um, de quando estava em Abu Dhabi, no qual tinha ficado responsável pelo projeto de criar um campo de férias de verão para o Westin Abu Dhabi. “Sem muito mais do que a ideia, e sem budget, e ainda muito verde nessa altura, comecei a montar o projeto, fazendo o estudo de viabilidade que estava apoiado em parcerias e atividades de diversos fornecedores. E, uma vez aprovado, fazer o seguimento e acompanhamento de todo o projeto, sendo que eu era a única pessoa dedicada a 100% ao projeto”, explica.

Considerou este “exigente” projeto como uma “aventura”, que foi, ao mesmo tempo, “satisfatório, pois o projeto depois foi muito bem recebido e preparado para ser replicado noutras unidades do país”. O stress foi gerido da mesma forma, “respirando fundo, levando uma tarefa de cada vez e apoiando-me naquilo que a indústria tem de melhor, as pessoas”.

E é com pessoas que também se vivem momentos hilariantes. Rita Matos refere ter tido o prazer de ter muitos, “desde aventuras com bolas de discoteca, reclamar que a água da piscina estava demasiado fria quando estava a 30ºC (e, atenção, com prova de lábios azuis), pôr todo um escritório as gargalhadas por perder as estribeiras com uma impressora, tentar controlar o entusiasmo do staff por clientes mais bem-parecidos, momentos de desespero transformados em momentos de risada”, entre muitos outros.

A falar é que a gente se entende”

Rita Matos acredita que “os eventos são cada vez mais fulcrais numa sociedade que está cada vez mais digital”, porque com eles há a “possibilidade de contacto e interação humana” cada vez mais escassa nos tempos que correm, aponta.

“Não quero dizer que vão ficar mais criativos, porque já tivemos a oportunidade de ver coisas maravilhosamente surpreendentes; no entanto, acredito que cada vez menos formais”, em parte por “serem uma plataforma para as pessoas se conectarem, privilegiando o autêntico, tanto a nível de conexões como de experiência”.

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© Maria João Leite Redação