Reportagens

Meetings & Incentives: “Temos todos de trabalhar para a mudança”

António Marques Vidal, presidente da APECATE, falou com a Event Point no final da sessão 'Meetings & Incentives: que opções', no Congresso da APAVT.

Depois de apontados alguns desafios que a meetings industry tem pela frente, num mundo em mudança, a sessão “Meetings & Incentives: que opções” terminou com nota positiva. “Temos todos de trabalhar para a mudança, para continuarmos a liderar este setor”, referiu António Marques Vidal, presidente da APECATE – Associação Portuguesa das Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos, em declarações à Event Point no final da sessão, que decorreu no segundo dia do 45º Congresso da APAVT, no Funchal.

António Marques Vidal foi um dos oradores convidados desta sessão dedicada ao segmento MI, que contou também com a participação da ‘keynote speaker’ Paula Antunes (Compasso), João Fernandes (Região de Turismo do Algarve), Bruno Freitas (Grupo Savoy) e Eduarda Neves (Portugal Travel Team), que moderou o encontro.

Paula Antunes referiu que, neste segmento, “o nível de exigência é muito elevado na qualidade do serviço e no detalhe”, porque as empresas “gastam muito dinheiro para proporcionar viagens inesquecíveis” aos seus trabalhadores. E, numa época em que o turismo cresce, há desafios diários. “E são muitos”, alertou, destacando as restrições de mobilidade nas grandes cidades; a lacuna na formação em turismo – “a qualificação é fundamental” –; as restrições das ligações aéreas, lembrando que por vezes faltam condições para cativar eventos de grandes dimensões, também pela falta de locais como restaurantes, por exemplo, que complementem os programas dos eventos –; e a questão do IVA – “somos 23% mais caros no MICE”.

 

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Por seu lado, João Fernandes frisou que “o Algarve tem todo o orgulho em ser um destino de sol e praia”. Contudo, são necessários outros produtos para combater a sazonalidade. O presidente da Região de Turismo do Algarve referiu que os desafios são comuns a outros destinos concorrentes e que, no combate à sazonalidade, é preciso criar outras atrações: “O turismo de natureza tem vindo a crescer; o turismo de negócios espero que venha a crescer também.”

Bruno Freitas afirmou que olhar o MI na Madeira é “olhar com expectativa”. O pico de força de acolhimento turístico na região acontece no verão e os eventos ocorrem maioritariamente no inverno. “O Grupo Savoy apostou nesta unidade hoteleira [o Hotel Savoy Palace, onde decorreu o Congresso da APAVT] para capacitar a oferta.” O espaço dedicado ao setor das reuniões e eventos é flexível, adaptável a diferentes formatos, além do factor relacionado com a capacidade de alojamento. O administrador frisou ainda que “a complementaridade que existe com vários grupos hoteleiros permitem a realização destes eventos”, referindo-se ao congresso da associação. “A aposta no MI é importante no desenvolvimento de uma região turística.”

António Marques Vidal reforçou a ideia de que o setor dos eventos é um setor que “exige qualidade e detalhe”. Problemas como os do IVA, “havendo vontade política”, podem ser resolvidos, “mas é preciso qualificação para estarmos à frente dos outros”, sublinhou o presidente da APECATE, durante a sessão, acrescentando depois que é necessário apostar na dimensão humana, saber refletir e criar relações interpessoais. “Esta é a nossa vitória.”

A sessão terminou com uma nota positiva. João Fernandes referiu fatores que é preciso valorizar: o fundo de captação de eventos existente, também a plataforma de agregação de informação e os DMC “com experiência e ‘know how’”. Também Bruno Freitas afirmou: “Temos capacidade organizativa de congressos e eventos, capacidade de resiliência e de adaptação. São vantagens competitivas.”

 

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Três perguntas a António Marques Vidal

 

Os desafios apontados na sessão são os grandes desafios no momento para o setor MICE?

Apesar de todos os desafios, nós somos dos melhores organizadores de MICE e de eventos do mundo. Agora, a questão é que o mundo está em mudança e nós temos de ir ganhando forças e valor para conseguir superar as mudanças que vêm aí. Nós assistimos a várias conferências onde se disse que as coisas estão a mudar e o tipo de clientes também está a mudar. E nós temos de ir ultrapassando. Sabemos que a questão do IVA não se vai resolver em três anos, mas temos de ir trabalhando para isso. A questão das acessibilidades, a mobilidade não se vai resolver num ano ou em dois, mas o trabalho tem de ser feito devagar, construindo e mudando. Agora, se nós não evoluirmos, daqui a cinco anos estamos todos a dizer ‘ai, Jesus, que estamos outra vez na bancarrota’.

Portugal é um bom destino para eventos?

É um grande destino de eventos, a qualidade das empresas é muito boa e temos provas disso. Aliás, nos concursos internacionais de eventos, Portugal ganha. A questão é que se nós já com estas condições ganhamos, se melhorarmos as condições nós vamo-nos tornar realmente líderes e poderosos. Portanto, a questão é termos todos de trabalhar para a mudança, para continuarmos a liderar este setor.

A APECATE vai realizar em fevereiro o seu congresso, com o tema “Turismo e Democracia”. E falou aqui de valores como a cidadania e a responsabilidade. Estes são tópicos que também vão ser abordados no congresso da APECATE?

Sim. A ideia é nós trabalharmos, refletirmos, porque as questões técnicas nós vamos negociando e vamos conseguindo mudá-las. Estas questões de fundo têm de ser discutidas, têm de ser construídas, porque é um processo de construção. E é importante refletir para conseguir mudar.

 

Maria João Leite*

*Viajou para o Funchal a convite da APAVT

Tags: Eventos, Meetings, Incentives, Congressos, APAVT

18-11-2019