Reportagens

“Job Entregue, Job Pago”

Não há dúvidas; a pandemia abalou as estruturas, tirou o mundo da zona de conforto, mostrou horizontes inexplorados e fez-nos questionar procedimentos, valores e costumes que pareciam ter um lugar eterno nas nossas mentes e no mundo dos negócios.

Felizmente, as lideranças, as entidades de classe e muitos profissionais comprometidos com os seus setores de atuação estão a mostrar que é altura de promover mudanças, questionar o status quo, e lutar por condições e oportunidades mais equitativas para o mercado.

É o caso do movimento “Job Entregue, Job Pago” nascido de um desabafo do CEO da agência Aktuellmix, Célio Ashcar Junior, e que foi abraçado pela Ampro – Associação de Marketing Profissional, com vista a uma retomada mais sustentável dos negócios do mercado dos eventos e live marketing.

“É o momento de abrirmos o diálogo com os anunciantes em busca de uma solução sustentável para todas as partes. O assunto não é novidade e vem sendo discutido há bastante tempo de forma privada. Mas agora com a pandemia, achei que seria um ótimo momento de colocar na agenda novamente. Não podemos aceitar pagamentos a mais de 30 dias. Acredito muito que os anunciantes, que também estão a sofrer com tudo isso, queiram dialogar. O problema é de todos. Quanto mais gente desempregada, menos pessoas a consumir”, afirma Ashcar.

Celio Ashcar faz parte do Conselho Deliberativo da Ampro e o movimento “Job Entregue, Job Pago” integra uma série de iniciativas que a entidade tem tomado em nome dos seus associados, como por exemplo, pedidos dirigidos ao governo, campanha a favor do setor com a assinatura “Não Cancele, Remarque”, geração de informações e assessoria jurídica, bem como a participação coletiva em diversas ações do mercado, além de uma série de transmissões ao vivo.

A paralisação do mercado de comunicação, as dificuldades enfrentadas por profissionais freelancer, as perspectivas remotas de retoma imediata e a consciência do poder das ativações de marca, dos eventos e das campanhas de incentivo sugerem a importância do live marketing. “Temos de ter consciência do nosso papel na sociedade e na economia, e acredito que este seja o momento de discutirmos a relação com os anunciantes para que todos possamos gerar negócios e empregos e que possamos sair desta situação mais fortalecidos e com novas práticas mais éticas”, refere Celio Ashcar.

Destaques

. Para mostrar que a atividade de produção de eventos é complexa, requer especialização e engloba diversos profissionais e planeamento, o produtor executivo Felipe Guedes iniciou uma série de vídeos no Youtube sobre "Como nascem os Eventos"

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. Os profissionais ligados ao Live Marketing brasileiro – incluindo todas as suas áreas de atuação, como Promoção, Digital, Trade, Incentivos e Eventos - ganharam espaço para registarem os seus currículos e prepararem-se para a retoma das ações pós-coronavírus. O Mural de Talentos facilita o acesso dos profissionais disponíveis no mercado e das empresas que pretenderem compor as equipas. Para registar os dados é simples. Basta acessar o site https://ampro.tlv.ag, criar um acesso – para profissional ou empresa – e preencher os dados solicitados.

. Uma conferência de imprensa online lançou na última semana o movimento Go Live – Juntos pelo Brasil. Trata-se de uma coligação formada por 11 entidades ligadas à Indústria de Eventos e também ao Turismo (Ampro – Associação de Mkt Promocional, Abeoc – Associação Brasileira das Empresas de Eventos, Abrace – Associação Brasileira de Montadoras e Locadoras de Stands, Abrafesta – Associação Brasileira de Eventos, Abrape – Associação Brasileira de Promotores de Eventos, Academia Brasileira de Eventos e Turismo, Alagev – Associação Latinoamericana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas, Apresenta - Associação dos Promotores de Eventos do Setor de Entretenimento, ForEventos – Fórum Eventos, Spcvb – São Paulo Convention e Visitors Bureau e Ubrafe – União Brasileira de Feiras), sobre a retoma segura da indústria de eventos. A iniciativa é inspirada no movimento Go Live Together, de empresas e entidades americanas ligadas ao mercado Live - Feiras, Exposições, Eventos, Shows, Incentivo, Conferências e Trade Marketing. Suportado em três pilares – Segurança, Impacto e Legislação – a coligação arranca com o desenvolvimento de um Protocolo para a Retomada da Indústria de Eventos no Brasil. Desenvolvido coletivamente, com base nos protocolos da OMS e de outras instituições nacionais e internacionais, o protocolo sugerido da Go Live Brasil já foi disponibilizado às autoridades governamentais, reforçando os dados de que os eventos representam um dos setores mais importantes na mobilização da economia e na consequente geração de empregos.

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. A solidariedade continua no mercado de eventos brasileiro. Desta vez os funcionários da Informa Markets, NürnbergMesse e Reed Exhibitions organizaram um movimento para ajudar freelancers, que costumam trabalhar como seguranças, auxiliares de limpeza, e de montagem de stands, entre outros, e não possuem contrato fixo de trabalho. Os profissionais, que atuam nos bastidores e recebem cachet diário mediante o serviço prestado, são fundamentais para a realização de um evento. E assim surgiu o nome da campanha, que tem o intuito de ressaltar a importância desta mão de obra: “Juntos por quem faz acontecer!” Iniciada em abril, a campanha arrecadou mais de nove toneladas de alimentos, que fizeram 1.010 famílias felizes e agradecidas. Juntaram-se ao movimento também o Instituto Center Norte, Cava, Cidtech, Envetherm, J.A., PA7, Propórtio, SLC, Tau Joy e Track.

. Simone Scorsato, diretora executiva da BLTA – Brazilian Luxury Travel Association, conta que todas as entidades de hotelaria brasileira, nomeadamente o FOHB  - Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, ABIH – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Resorts Brasil e a própria BLTA, elaboraram um documento chamado Hospitalidade Segura, de forma a implementar boas práticas no setor pós-Covid-19.

O documento foi construído em conjunto com o consultor Marcelo Boeger, especialista em hospitalidade hospitalar e nasceu da observação e estudo de boas práticas em mais de 50 documentos nacionais e internacionais, validando processos com quem está à frente da hotelaria, na operação do hotel, e com mais 150 pessoas que atuam no setor. 

“O documento final nasceu da discussão com vários tipos de empreendimentos e serviu de suporte para a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo na elaboração dos protocolos iniciais para abertura do comércio no Estado. Agora o texto vai transformar-se numa cartilha para as entidades e pretendemos que seja referência para setor, simbolizando uma mesma orientação para o Estado, os Municípios e o Governo Federal com protocolos e políticas internas necessárias para a retoma das atividades quando elas foram possíveis”, afirma a executiva.

 

Rose de Almeida 

Rose de Almeida é blogger e empreendedora do setor MICE. Mora em Lisboa e faz a ponte entre Portugal e Brasil promovendo conhecimento, relacionamento e negócios entre os dois países

 

 

Tags: MICE Business Brasil, Brasil

13-05-2020