Reportagens

Falta de recursos humanos e incerteza são os grandes desafios

Os efeitos da pandemia e a recuperação do negócio dos eventos foi o tema de um webinar organizado pela Five Stars Consulting a 4 de novembro.

A retoma dos eventos presenciais está mesmo a acontecer, com mais ou menos solavancos. Mas os convidados do debate mantêm as cautelas. “Não consigo pensar no longo prazo”, revela Sandra Faria, da Força de Produção, uma empresa que realiza espectáculos, gere espaços (Teatro Vilarett e Maria Matos) e faz agenciamento de artistas. Até porque, diz a responsável acontece neste momento o seguinte fenómeno: há menos ocupação agora, nas salas com a permissão dos 100% de lotação, do que quando só eram permitidos 50%. Isso pode indicar o “excesso de oferta” atual, que implica a dispersão do público, mas Sandra Faria indica que é muito difícil avaliar o público neste momento e por isso tem a “necessidade de estar muito conectada com o presente”.

Ricardo Carvalho, do Futebol Clube do Porto, diz que “está a assentar o pó e ainda não sabemos quais são os danos” e lembra que passamos meses a “afastar as pessoas que sempre acarinhamos e quisemos perto de nós”, e que isso foi feito “bem demais”, e que agora o desafio é voltar a trazê-las ao estádio. “A televisão criou rotina e pode ter afastado pessoas dos estádios”, alerta. Reinventar para trazer de volta o público, é o desafio que Ricardo Acto, do Rock in Rio, elenca como essencial neste momento. “Como é que vamos chegar às pessoas mais novas?”, pergunta Sandra Faria, lembrando que com o confinamento elas se habituaram à tecnologia. Como quebrar este ciclo, e como comunicar com estas novas gerações, são exigências atuais.

Com a retoma dos eventos presenciais começam a surgir novos desafios ao setor. Os recursos humanos parecem ser um dos maiores, assim como a falta de matérias-primas. Miguel Seijo, da Casa do Marquês, lembra que “o mercado de trabalho mudou completamente”, apontando a “falta de pessoas qualificadas”, que se dispersaram por outras áreas. O fornecimento de matérias-primas, que no caso do catering é de uma importância vital, tem tido problemas. “Nem tudo está disponível”, e os preços são hoje mais altos. A juntar a estes desafios, há um outro que passa pelo padrão das confirmações dos eventos. Ou seja, se pré-pandemia a trajectória era de confirmações mais em cima da hora, hoje ainda mais. Isso “levanta problemas a dar resposta” quando as estruturas estiveram paradas mais de um ano e meio, alerta Miguel Seijo. Ricardo Acto, do Rock in Rio, lembra que em 2018 já tiveram algumas dificuldades com os recursos humanos, com “falta de alguns profissionais, mais especializados”.

Estas preocupações são partilhadas por Sandra Faria, que diz que a “ausência de recursos humanos é notória, sobretudo na parte técnica”. “Os recursos humanos fazem a diferença e o país não pode perdê-los”, avisa José Faísca, da Altice Arena. Este facto, mas também outras ameaças, podem contribuir para o menor desenvolvimento do setor dos eventos, “e não podemos arriscar todo o capital investido ao longo dos anos, todas as pessoas que ajudaram a colocar o país ao nível dos melhores em termos europeus”, diz José Faísca, da Altice Arena. O responsável sublinha, “temos de nos organizar, dialogar” no sentido de caminhar para um “setor regulado” e para o defender junto da tutela. O responsável lembra que a “bitola aumentou, os clientes são mais exigentes” porque tem acesso a um manancial de informação, e a concorrência é global” e o setor tem de acompanhar a exigência e entregar mais qualidade. Ricardo Carvalho não tem dúvidas de que Portugal “sabe fazer bem”, agora tem de publicitar melhor isso e capitalizar.

Pode assistir ao seminário completo aqui: 

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12-11-2021