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Hotelaria com menos 73% na receita total em 2020

Segundo o inquérito da AHP, as perdas de receita são de 3.270 milhões de euros.

O setor da hotelaria em Portugal registou uma quebra total de receita de 73% em 2020, relativamente ao ano anterior, representando uma perda de 3.270 milhões de euros, de acordo com o inquérito ‘Balanço 2020 & Perspetivas 2021’. Os resultados foram apresentados hoje pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

Por regiões, a perda da receita distribui-se da seguinte forma: Região Autónoma dos Açores (81,2%), Lisboa (80%), Algarve (73%), Norte (72%), Região Autónoma da Madeira (71%), Centro (62%) e Alentejo (57%).  No capítulo das receitas de alojamento, a perda total a nível nacional foi de 69%.

O balanço indica que 85% dos estabelecimentos hoteleiros encerraram em abril e 84% em maio, no auge da primeira vaga, e em especial nas regiões do Algarve, Açores e Madeira. Houve uma melhoria nos meses de verão, especialmente em agosto (24%) e setembro (21%). Um retrato “bastante anormal”, que teve obviamente “impacto nos resultados do ano”, referiu Cristina Siza Vieira, presidente executiva da AHP.

Os números obtidos a partir de março veio contrariar o otimismo com que o setor encarava 2020. “Janeiro e fevereiro pré-anunciavam um bom ano para a hotelaria”, mas depois fez-se sentir o impacto da pandemia. “Perdemos, em 2020, 65% das dormidas”; 73% se for considerado apenas o período de março a dezembro. De referir ainda que as boas taxas de janeiro e fevereiro não salvaram o setor das taxas “míseras” no que toca à ocupação, que registou uma média nacional total de 26%. Ainda assim, “tivemos o Alentejo com a melhor performance relativa em termos de taxa de ocupação”, na ordem dos 40%.

Portugal foi apontado pelos inquiridos como o principal mercado no ano passado (89%), seguindo-se Espanha (63%), França (45%), Alemanha e Reino Unido (27%), Países Baixos (4%), Itália (2%) e Bélgica (1%). O mercado doméstico optou, especialmente, pelas regiões do Alentejo, Açores, Centro e Algarve. O mercado britânico foi o principal mercado na Região Autónoma da Madeira.

Sobre a utilização alternativa das unidades de alojamento, os resultados indicam que a maioria (76%) não deu novo uso aos seus espaços. No entanto, 17% cederam os espaços para alojamento dos profissionais de saúde, 8% para reuniões, 6% para escritórios, 5% para a área do ensino e formação, entre outros. Relativamente às medidas de apoio, a grande maioria (96%) recorreu ao lay off simplificado e 76% dos inquiridos recorreu ao Apoio à Retoma Progressiva.

 

Junho poderá ser mês de reabertura

Já em 2021, e com um segundo confinamento, “os encerramentos foram substanciais”, com uma média nacional em janeiro e fevereiro de 64%. Embora a partir de março e abril haja a intenção de reabertura, as perspetivas indicam que somente em junho tal será possível para a maioria. Contudo, segundo a AHP, cerca de 30% não sabem se vão reabrir, não sabem quando vão reabrir ou já sabem que não vão reabrir até ao final do ano. O que é “muito perturbador”.

De acordo com Cristina Siza Vieira, o anúncio da vacina ainda “não teve impacto”, registando-se “algum movimento nas reservas”, mas muito “tímido” mesmo no que se refere aos meses de verão. A percentagem de reservas em julho, agosto e setembro situa-se nos 23%, 24% e 25%, respetivamente. “Temos um trabalho enorme pela frente para perceber o que falta para consolidar estas reservas”.

A maioria dos inquiridos (30%) acredita que a retoma, aos níveis de 2019, vai acontecer apenas no segundo semestre de 2022. De referir que 37% acreditam que tal apenas vai acontecer em 2023 (18% no primeiro semestre e 19% no segundo semestre). E ainda há quem perspetive que a retoma só acontecerá em 2024 (9% no primeiro semestre e 15% no segundo).

A terminar, a AHP apresentou os desafios e as incógnitas, que se prendem, por exemplo, com o papel do turismo de negócios e o segmento MICE na recuperação, com os certificados de vacinação, com a retoma da atividade aérea, entre outros.

O inquérito da AHP foi realizado de 4 a 28 de fevereiro, pelo Gabinete de Estudos e Estatística da associação, junto dos empreendimentos turísticos associados ou aderentes ao AHP Tourism Monitors de todas as regiões do país.

 

Maria João Leite

Tags: Hotelaria, Hotéis, Alojamento, AHP

03-03-2021

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