Entrevistas

João Tavares Gonçalves: “O Cambodja é um destino muito rico”

O CEO da Tapete Voador Viagens foi o único buyer português presente no Cambodia Travel Mart 2017. À Event Point disse que o Cambodja vai passar a ser um destino principal na sua agência e que os portugueses estão a viajar mais.

João Tavares Gonçalves, CEO da agência Tapete Voador Viagens, foi um dos buyers – o único português – presentes no Cambodia Travel Mart 2017, que decorreu em Siem Reap de 17 a 19 de Novembro. O responsável contou à Event Point que os portugueses estão a viajar mais e vão continuar a viajar e que, embora actualmente a agência venda o destino como uma extensão de outra viagem, está nos planos que o país passe a destino principal.

 

Qual a importância de estar presente no Cambodia Travel Mart?

Eu vendo o Cambodja como uma extensão da Tailândia ou do Vietname, como uma combinação de países aqui na região. Não vendo só o Cambodja. Quando é vendido como uma extensão normalmente são viagens muito curtas e para vender dessa forma é muito simples: preciso só do alojamento, dos tours e dos transfers, e isso é fácil conseguir através dos operadores aos quais acedo online. Mas é sempre importante vir aqui, porque gosto de conhecer todos com quem trabalho. E quero começar a vender também o Cambodja como destino principal, que poderá ter, ou não, mais algum país ao lado como uma extensão. Portanto, é sempre importante para mim visitar o destino, conhecer os fornecedores com quem trabalho, porque é o nome da agência que está em risco, é a nossa responsabilidade. E esse é um dos motivos que me faz viajar bastante e ir a várias feiras. Além disso, trabalho toda a parte de redes sociais, principalmente com imagens de todos os lugares que visito.

 

É uma forma de venda dos destinos?

É. De cada vez que faço uma viagem vendo logo de seguida, pelo menos, duas ou três viagens para fazer parte ou tudo aquilo que fiz. Isso logo no imediato. Daí para a frente ainda vêm mais.

 

O Cambodja é um destino procurado pelos portugueses?

Siem Reap é um bocadinho procurado. O Cambodja tem muita coisa para ver, é um destino muito rico. Quero começar a vender aqui e os dois produtos principais serão Siem Reap, com os templos, e praia, porque junto à costa existem três ou quatro ilhas… Se calhar a melhor será Koh Rong, que é uma ilha semelhante às ilhas da Tailândia, mas em vez de estar sobrelotada de turistas tem muito pouca gente.

 

É um mercado em crescimento?

Sim. E está em crescimento com todos os mercados, porque os portugueses cada vez viajam mais. Falava-se da crise nestes últimos anos, mas o meu negócio tem vindo sempre a crescer. Isso quer dizer que cada vez os portugueses viajam mais. Há os que têm mais dinheiro e fazem viagens mais caras e há os que têm menos dinheiros e fazem viagens mais baratas. E a maior parte deles viaja mais do que uma vez por ano. Por isso, é importante conhecer, e quantos mais destinos conseguir conhecer melhor – primeiro porque adoro viajar, e segundo porque isso ajuda imenso nas vendas.

 

E a região?

O Sudeste Asiático cada vez cresce mais para os portugueses. Por exemplo, estive uns dias em Halong Bay [Vietname] e fiquei admirado com a quantidade de portugueses que lá havia. Estava a contar nem ouvir falar português, ou se ouvisse seria com sotaque brasileiro, mas não, vi imensos portugueses lá.

 

Há viajantes de negócios que procuram a Tapete Voador?

Há. Aliás, nós trabalhamos talvez se calhar a 50-50, negócios e lazer.

 

No segmento de negócios, qual é o destino mais procurado?

A Europa. É muito mais Europa do que qualquer outro destino. Temos muitos clientes de inúmeros segmentos diferentes, e cada um tem os seus destinos, e vão variando bastante, mas é muito mais a Europa do que outro destino qualquer. Na área do lazer, trabalhamos, talvez a 90%, com viagens à medida, vendemos muito pouco daqueles pacotes dos operadores portugueses, e é a nossa componente mais forte. É essa imagem que pretendemos mostrar principalmente através do conhecimento que temos dos destinos.

 

É possível trazer viajantes de negócios, como do sector MICE, ao Cambodja?

Sim, principalmente do segmento dos incentivos. Ainda não é muito fácil trazer um incentivo de Portugal para o Cambodja. Para a Tailândia há imensos, para o Vietname também há alguns, para o Cambodja é mais complicado, principalmente devido à falta de conhecimento. Mas acho que isto tem imenso potencial para uma viagem de incentivo, seja como destino principal ou seja como uma extensão. As ligações aéreas são excelentes e os grupos de incentivos nunca são assim muito grandes, são relativamente fáceis de trabalhar. Para mim, há mais qualidade aqui do que nos vizinhos do lado, não por causa do alojamento ou dos serviços, mas porque há menos turistas aqui.

 

Maria João Leite*

*Viajou a convite do CTM 2017 

Tags: Entrevista, Viagens, Incentivos

05-12-2017