Entrevistas

Jogar, partilhar e aprender no #play14Porto

É através da partilha e do jogo que o conhecimento é transmitido e adquirido. Assim é o #play14, um evento internacional que nasceu no Luxemburgo em 2014 e que chega agora em Setembro, pela primeira vez, a Portugal – o evento vai decorrer de 28 a 30 de Setembro nas instalações da Critical Software, no Porto.

Sem oradores ou um programa fechado, o #play14 conta com a iniciativa dos participantes para a dinamização do evento; afinal, são eles os protagonistas. E para explicar melhor este conceito de “unconference”, Nuno Mateiro e Rita Pelica – co-organizadores do evento – responderam às questões da Event Point.

 

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Como é que este evento surge em Portugal? Foi uma candidatura?

Nuno Mateiro (NM): Mais do que uma candidatura, foi uma declaração, um atirar de cabeça! A “culpada” é uma galega – Raquel Pedrouso de seu nome - que, na edição de Barcelona do #play14 do ano passado, me desafiou, cheia de energia, para trazermos este evento para o Porto. A proximidade com a Galiza conferia já um aroma Ibérico ao #play14Porto. No dia seguinte, aliás, foi durante a noite, falei com um dos fundadores (que estão sempre representados em qualquer edição), o Yann Gensollen, e “namorei” a possibilidade de trazer o evento para Portugal. O Yann foi bastante receptivo e, de imediato, apresentou-me as linhas mestras e requisitos para realizar um #play14. Entretanto, a Ana Umbelino, a Rita Pelica e o Ricardo Fernandes estiveram no #play14 de Março deste ano, no Luxemburdo, e vieram também com a vontade de trazer o evento para Portugal. Alguns encontros, bastantes skypes e telefonemas depois estava constituída uma super-equipa de cinco pessoas que vai colocar este projecto de pé.

É uma “unconference”. O que torna o evento especial?

Rita Pelica (RP): Este tipo de evento é completamente diferente do usual, porque não há oradores e “cabeças de cartaz”. Não há um programa fechado, antes pelo contrário. Existe um programa em branco designado por ‘marketplace’ que é preenchido diariamente, no início do evento, em conjunto com os participantes: uma espécie de agenda na qual se indica quais as salas disponíveis para se fazerem sessões e as janelas horárias. Desta forma, os participantes são os protagonistas e são convidados pela organização a oferecem-se para conduzirem uma sessão com uma dinâmica que seja do seu interesse. O programa é então co-desenhado e criado no momento, com a contribuição de todos aqueles que assim o entenderem. Ninguém é obrigado a nada! Contribui quem quiser e da forma que entender, acrescentando valor com as suas dinâmicas/jogos.

Que vantagens tem este formato de evento?

NM: Neste formato, os participantes trabalham de forma colaborativa, é divertido, criativo, inovador e prático, muito prático. Uma das vantagens, talvez a mais imediata é que este formato coloca todos os participantes muito mais à vontade. Adicionalmente, a predisposição para a partilha e para aprender novas abordagens e técnicas é potenciada, sendo um excelente momento para se testar uma nova dinâmica e pedir opiniões aos restantes participantes (é um bom local para errar e experimentar). O facto de o planeamento do dia ser feito no momento e pelos participantes garante que os conteúdos são os que fazem sentido abordar.

Qual é o público-alvo?

NM: Todas as pessoas que trabalhem com conhecimento, quer seja em empresas, ONG, associações, equipas ou até individualmente. Professores à procura de formas de cativar os alunos, formadores em busca de dinâmicas de grupo, facilitadores com a missão de criar novos espaços de partilha e, claro, a “crew” das TI, Scrum Masters e Agile Coaches. Basicamente todas as pessoas que lidem com pessoas e que o queiram fazer de forma mais eficaz e agradável. Toda a gente que goste de aprender é bem-vinda.

 

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Em que consistem os jogos?

RP: Este tipo de jogos insere-se numa lógica de ‘learning by playing’, na educação/formação de adultos. Apostando num ambiente mais lúdico e descontraído para se trabalharem temas sérios e importantes (há quem lhes chame “serious games”): comunicação interpessoal, resolução de problemas de equipa, criatividade, espírito de equipa... Normalmente são dinâmicas nas quais as pessoas têm de colaborar: podem ser jogos de cartas, dados, com palavras ou até com bolas – o que importa no final é o ‘debrief’! As conclusões que se tiram no final de cada ronda de jogos, respondendo à questão: o que é que levamos daqui? O que é que aprendemos?

De que forma os jogos podem contribuir para o conhecimento e para a aprendizagem?

NM: Atribui-se a Platão a seguinte citação: “Descobre-se mais sobre uma pessoa numa hora de jogo do que num ano de conversação.” A utilização de jogos tem imensas vantagens, sendo uma delas a motivação, pois jogar é divertido e cumpre um propósito e isso é muito importante para manter as pessoas interessadas, é desafiante e atingível. Os jogos são bastante flexíveis e permitem criar cenários que conduzam para as conclusões que se desejam explorar. O jogo ajuda também a criar âncoras que irão beneficiar a retenção, as pessoas lembrar-se-ão mais facilmente e, não menos importante, quando estamos a envolvidos a jogar, estamos a utilizar uma maior parte do nosso cérebro, muito mais do que estando passivamente a ser expostos a informação.

Qual é o papel dos facilitadores?

RP: Os facilitadores devem garantir a correcta apresentação das dinâmicas (setup, objectivos, impacto, resultados a atingir) e a sua implementação. No final, responderem a questões que os participantes tenham e trocar “impressões”. Essencialmente, a grande mais-valia deste processo é a partilha que se faz e o feedback que é recebido. Há facilitadores que aproveitam este ambiente seguro para testarem novas dinâmicas/jogos e recolher feedback dos seus pares. É o verdadeiro ‘learning by sharing’!

É a primeira vez que este evento chega ao Porto? Quais as expectativas?

RP: Pela primeira vez em Portugal e fora de Lisboa! Cremos que o Porto reúne todas as condições para o evento ser um sucesso. O evento é pro bono e por isso todo o trabalho de organização é feito em regime de voluntariado. Temos já alguns parceiros assegurados (um especial agradecimento para a Critical Software que gentilmente nos cedeu as suas instalações!) e o evento está quase lotado. As expectativas são elevadas pois o evento é internacional, nasceu no Luxemburgo em 2014, acontece já em várias cidades europeias e finalmente chega a Portugal! A nossa equipa está entusiasmada, mas aguardemos pelo feedback dos participantes!

 

Maria João Leite, com Cláudia Coutinho de Sousa

Tags: Entrevistas, Eventos, Conferências, Jogo

04-09-2018