Entrevistas

Vida de eventos: Pedro Pereira e Paulo Pereira

Pedro e Paulo Pereira são irmãos e partilham o gosto pela música. E é justamente aí que começa o seu percurso e a história da empresa: a 432.

“A 432 nasceu do Quarteto dos 3 Irmãos Pedro e Paulo. Somos músicos de formação e era isso que fazíamos; tocávamos e cantávamos”.

Comunicadores por natureza, “rapidamente tivemos a oportunidade de fazer algumas animações em jantares de empresas, porque no corporate entertainment dos anos 90 era assim que acontecia”, recordam. “Agarrámos a oportunidade e vimos ali um nicho interessante para o nosso talento. A partir daí começámos a ser muito requisitados pelas empresas e agências, para as animações dos seus eventos”, contam, considerando que “a capacidade de adaptação a cada cliente e a cada evento” foi determinante.

Com o passar dos anos a equipa foi crescendo, foram estabelecidas parcerias e as soluções oferecidas também aumentaram, centrando‑se em conteúdos de comunicação interna para as empresas, quase sempre sob a forma de performances ao vivo ou ações de team‑building através de artes performativas.

A motivação é dada por sentirem que “cada cliente é sempre um novo desafio”: “É conseguir dar resposta ao que nos pedem e ir um pouco mais além, surpreendendo os nossos clientes. Sentir que podemos, através das nossas ferramentas que estão quase todas ligadas às artes, fazer a diferença na vida de cada colaborador e das empresas”.

“Despertamos emoções, porque acreditamos que as emoções são âncoras de memória. Uma emoção faz com que um momento perdure no tempo. O que se sentiu naquele dia não se esquece”, sublinham, lembrando que estas emoções, aliadas ao papel ativo que cada pessoa desempenha nas ações que promovem, fazem com que “as pessoas fiquem mais comprometidas com os seus colegas, com as suas empresas e as suas marcas”.

A parte favorita da sua atividade é sentirem que têm, por parte dos clientes, “carta‑branca” para dar asas à imaginação: “Os clientes permitem‑nos sonhar; essa liberdade, que nos traz grande responsabilidade, faz‑nos sair muitas vezes da nossa zona de conforto e, de certa forma, tem sido o que nos fez evoluir e melhorar cada dia. Sempre evoluímos no meio de tempestades”, revelam.

Mas não é tudo. Há outro aspeto realmente apelativo: “Do que mais gostamos é da sensação natural de nunca sentirmos que estamos a trabalhar; brincamos muito em serviço”.

No entanto, nem tudo são momentos descontraídos e há situações na área dos eventos que desagradam aos dois irmãos: “Do que menos gostamos é do tempo que perdemos a desenhar propostas para depois percebermos que a comunicação foi muito pouco eficaz do lado do emissor”, afirmam, criticando também “concursos que não fazem sentido nenhum e cuja informação é parca ou subjetiva”.

“Seria muito importante este setor estar mais unido no sentido de educar os clientes a respeitar o nosso trabalho. Noutras realidades os clientes pagam pelas propostas criativas e essa seria uma boa solução para que este abuso deixasse de acontecer”, consideram.

Entre as histórias que destacam estão aquelas em que sentem que deixaram uma memória forte nas pessoas com quem trabalharam: “Acontece‑nos muitas vezes e é sempre uma força que nos motiva que é estarmos num sítio, às vezes até em contexto familiar, e as pessoas virem ter connosco e dizerem que estiveram connosco há 10 ou há 15 anos naquele evento e que nunca mais se esqueceram daquela noite em que tocaram violino ou acordeão. Acontece mesmo muitas vezes e é muito gratificante”.

Outro exemplo que os motiva e que os faz sentir que fizeram a diferença na vida de um cliente: “Há uma marca, um grande laboratório, que construiu connosco um hino que, passados 12 anos, ainda cantam e o ensinam aos novos”.

Megafones e o método balcânico

Na memória está também um evento que podia não ter corrido muito bem, mas que acabou por ser bem‑sucedido: “Era uma reunião em que se premiavam colaboradores da marca que atingiam 25 anos de serviço e que aconteceu provavelmente no dia mais quente do verão daquele ano. Subitamente faltou a energia elétrica. Lembro‑me que foi no Alentejo e fizemos o espetáculo todo para cerca de 300 pessoas…com um megafone e foi memorável. Ou seja as coisas podiam não ter corrido bem mas…acabaram por correr ainda melhor”.

A boa disposição é uma constante do trabalho de Pedro e Paulo, que elegem como momento mais hilariante a participação no Challenger’s Trophy enquanto equipa de animação: “Mas, estávamos disfarçados de uma equipa normal num esquema de Teatro Invisível, coisa que ainda hoje fazemos. Neste caso, criámos uma empresa fictícia (webizada) de cobranças difíceis que até tinha um site e hot‑line e que se designava www.quemnaopaga.com. Era algo entre o credível e o muito estranho e que também iria participar na prova. Tínhamos um método de cobranças infalível; o método balcânico!”.

E como é que uma empresa fictícia se integrou num evento destes? Na perfeição, já que os dois irmãos pensaram tudo ao pormenor: “Fazia todo o sentido para a nossa marca começar em Portugal no seio deste evento que reunia cerca de 500 participantes com a presença de CEOs e quadros de topo de grandes marcas do nosso país. Era a nossa marca que patrocinava o momento da alvorada através de um jingle radiofónico que acordava o acampamento inteiro, portanto fomos muito notados. A performance da equipa era também muito credível do ponto de vista do discurso de proximidade com os participantes; fazíamos networking distribuindo cartões e charme”.

“Fomos tão credíveis durante o processo de ativação que, mesmo depois de termos desmontado o ‘boneco’ e de termos feito o show musical da segunda noite, havia ainda quem continuasse a querer celebrar contratos connosco”, contam.

 

Tags: Vida de Eventos, Histórias, Profissionais de eventos

28-07-2020