Entrevistas

2021: ano de experimentação

Estamos no início do ano e são muitas as interrogações sobre o futuro dos eventos em 2021. Pedimos a Miguel Neves, especialista em eventos digitais, e membro do board do MPI (Meetings Professionals International), que fizesse o exercício de antecipar o que será este ano para a indústria dos eventos.

Que expectativas tem para 2021 em relação ao setor MI? Será um ano de recuperação? 

Acho que 2021 será um ano de evolução, e parte desta evolução será uma recuperação. Será também um ano de muita experimentação com novos conceitos de eventos virtuais e híbridos. Sem querer fazer previsões de caráter médico, penso que vai demorar algum tempo, mesmo no melhor dos casos, para o público em geral se sentir confortável em participar em eventos presenciais. Esta progressão vai ser lenta, mesmo que estejamos com saudades dos abraços e das conversas animadas que carecem no mundo digital. Entre utilizar tecnologias de formas criativas e conseguir reunir em pessoa, mesmo de forma limitada, vai ser um ano deveras interessante.

Os eventos híbridos são apontados como uma das principais tendências para 2021. Concorda? E que outras tendências identifica?

Concordo e penso ser importante termos um entendimento comum do que são eventos híbridos. Qualquer evento presencial com uma componente virtual pode ser considerado híbrido, tal como um evento virtual que tem um público, mesmo que em número pequeno, a participar conjuntamente. Desde aí a eventos complexos com vários estúdios e palcos, tais como o Congresso ICCA 2020, há toda uma rede gigante de hipóteses, todas elas com as suas vantagens e desvantagens.

Paralelamente, espero que em 2021 consigamos ultrapassar o standard "webinar" com apresentações de conteúdo unidirecionais e com pouca oportunidade para diálogo entre participantes. Pessoalmente vou fazer força para experimentar e que sabe criar novos formatos de eventos virtuais focados em diálogos entre participantes, formatos estes que também poderão ser reproduzidos em eventos presenciais, logo que estes sejam possíveis de realizar.

Que aprendizagens retirou o setor do ano de 2020, que podem servir para o futuro?

Aprendi muito sobre várias tecnologias e ferramentas em volta dos eventos. Tenho feito tudo para tentar sempre coisas novas a testar os limites das ferramentas. Também aprendi muito sobre a psicologia e a criatividade das  pessoas que fazem parte do setor. Mesmo com todas as dificuldades vamos criando e juntando as pessoas da melhor maneira que conseguimos. Certamente vamos olhar para 2020, e talvez 2021, como anos de aprendizagem, difíceis, mas muito importantes para o nosso
desenvolvimento.

 

Cláudia Coutinho de Sousa

Tags: Miguel Neves, Tendências, Eventos virtuais

14-01-2021