Entrevistas

Marjolaine Diogo da Silva: “Aquela emoção que sentimos no final de cada evento não tem preço”

“Agora parece que nasci para trabalhar na meeting industry, mas a verdade é que, no início da minha carreira, esta não foi a minha primeira opção”.

Assim começa por contar o seu percurso Marjolaine Diogo da Silva, managing partner da Forum d’Ideias, que revela ter sido incentivada pelo diretor da empresa onde trabalhava e, desde então, nunca mais considerou outra área.

“Estava a trabalhar no departamento de Incoming da Kuoni, na Suíça, e tanto eu como o meu diretor estávamos muito satisfeitos com o meu desempenho. Até que um dia ele me disse que, apesar de reconhecer que eu estava a fazer um excelente trabalho, gostava que eu experimentasse o departamento de congressos. Não esperava tamanho desafio para a primeira experiência...Eram 700 participantes, alojados em vários hotéis, e eu tinha que gerir 14 autocarros entre os hotéis e o centro de congressos (e viceversa), sem nunca ter feito algo sequer parecido e sem ter estes meios de comunicação fantásticos que temos hoje em dia. Logo em seguida, tive de ajudar no registration desk e de garantir o bom funcionamento dos coffee breaks e coffee stations. Sempre ouvi dizer: ‘If it excites you and scares you at the same time, it probably means you should do it!’.” E assim o fez. Bastou‑lhe esta experiência para ficar “apaixonada por esta área tão desafiante e gratificante”, frisa, acrescentando: “Foi uma viagem só de ida e a criação de uma empresa própria foi a evolução natural.”

Não há dois dias iguais para quem trabalha nesta área e Marjolaine Diogo da Silva adora um bom desafio. “É muito bom sermos constantemente desafiados a fazer diferente e é muito gratificante a sensação de missão cumprida. Aquela emoção que sentimos no final de cada evento não tem preço!” A atualização e a aprendizagem a todos os níveis são constantes e “isso faz‑nos crescer e ter vontade de fazer mais e melhor”. Nesta fase, a managing partner da Forum d’Ideias já não se envolve na parte operacional, pelo que o que mais a motiva é “ver como a minha equipa cresceu com a empresa, como somos todos tão apaixonados pelo que fazemos e a garra que temos”. O ano de 2000 foi de aposta no digital e, sublinha, “o sucesso que temos com os nossos eventos virtuais é mérito desta equipa lutadora, forte e unida”. Há várias coisas de que Marjolaine Diogo da Silva gosta nesta atividade. Afinal, esta é uma área “onde temos a possibilidade de ajudar as empresas a concretizar os seus objetivos, de mostrar o melhor deste país maravilhoso, de proporcionar experiências memoráveis aos participantes, de criar laços e relações duradouras com clientes e de nos desafiarmos diariamente a fazer diferente, mais e melhor”. E adianta: “Pessoalmente, sinto‑me muito privilegiada por poder combinar duas grandes paixões que tenho: a paixão pelo mar e pelos barcos com a paixão pelos eventos.”

Por outro lado, o facto de os eventos “serem uma das primeiras coisas a serem desconsideradas quando o orçamento das empresas tem que reduzir” é do que menos gosta nesta área. “Infelizmente, apesar de estar comprovado que os eventos contribuem muito para o melhor desempenho e sucesso das empresas e associações, tanto com os funcionários, como com os clientes e membros, nem sempre são prioridade”, contesta.

“É impossível não pensar em como crescemos e evoluímos!"

Na memória fica guardada a altura em que a Forum d’Ideias abriu, em fevereiro de 2000, e a tecnologia com que trabalhavam. Marjolaine Diogo da Silva recorda o quadro branco com marcador, o fax e as disquetes – “o CD só veio mais tarde” –, os recursos possíveis há 20 anos… “Na época, a empresa tinha poucas pessoas, a tecnologia era muito limitada, ocupando muito do nosso tempo, e a oferta a nível de alojamento, atividades, animação, venues, restaurantes e outros serviços não era tão diversificada. Estas limitações e outras, como o fotógrafo não ter um rolo extra, o orador esquecer‑se das transparências para as suas apresentações, não ter forma de entrar em contacto com as pessoas em situações urgentes ou o cheque não chegar, faziam parte do nosso dia‑a‑dia”, conta, frisando: “É impossível não pensar em como crescemos e evoluímos!”

Como evento mais marcante Marjolaine Diogo da Silva poderia indicar o primeiro que organizou, “mas, na verdade, tive muitos primeiros; o primeiro de cada área diferente ou com um desafio diferente”. Também podia apontar “o primeiro de alguma empresa com quem andava em negociação há anos”, pois não lhe faltam histórias para contar. “Todos os eventos nos marcam de alguma forma e, apesar de já ter perdido a conta, será difícil não me lembrar de algum evento que tenha passado pelas minhas mãos.” Ainda assim, destaca o evento mais marcante de 2020, que foi o primeiro evento da Forum d’Ideias 100% virtual, “que envolveu muita formação, dedicação e empenho de toda a equipa”.

Entre os episódios a mencionar há sempre uns mais hilariantes do que outros. Marjolaine Diogo da Silva recorda um congresso, onde, no final das montagens, a equipa percebeu que o cliente tinha passado uma informação incorreta aos apresentadores de posters. “As medidas e formato dos posters não correspondiam ao material que tínhamos acordado e que estava disponível. O desafio não foi apenas arranjar painéis de posters com aquele tamanho e formato em três horas, mas principalmente pensar de que forma conseguiríamos organizar os painéis horizontais num espaço tão pequeno e com espaço de circulação. O desafio foi ultrapassado e comemorado com um gin tónico bem merecido.” E quanto a um momento marcante em que as coisas poderiam não ter corrido tão bem? “O normal é pensarmos em eventos onde os serviços falharam, mas eu trago‑vos a história de um evento que podia terminar sem participantes e oradores. Na véspera do início de um congresso para 450 pessoas, tínhamos tudo pronto e começámos a estranhar estarmos tão tranquilas a uma hora em que já devíamos estar a receber participantes e oradores. O telefone toca e percebemos logo que não vinham boas notícias – o aeroporto estava fechado devido ao mau tempo! Foi uma noite em claro, entre perceber para onde os voos tinham sido desviados, organizar transfers e garantir refeições tardias para todos. Mas o evento não foi só memorável por isso, mas principalmente porque o cliente nos disse que foi um dos melhores congressos”, refere.

E tudo está bem quando acaba bem! 

 

Maria João Leite

Tags: Vida de Eventos, Histórias, Profissionais de eventos

29-03-2021