Opinião

Espaço APorEP: Protocolo desportivo

Quando nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2014, a organização usou por duas vezes uma bandeira da China com erros no seu desenho, isso obrigou a um pedido desculpas formal.

Um desses momentos foi na cerimónia de abertura dos Jogos, vista por milhões de telespectadores. O erro era subtil, mas teve um forte impacto mediático, que foi preciso resolver pelo protocolo.

Estes erros acontecem muitas vezes, por detalhes e pormenores, e são altamente replicados pela imprensa e pelas redes sociais.

O protocolo desportivo é, hoje em dia, obrigado a preocupar‑se não só com as formalidades cerimoniais, mas também em aspectos como estes, uma vez que estes eventos são vistos por várias pessoas.

Em geral, a organização dos actos protocolares desportivos tem por base regulamentos, normas internas e tradições de cada desporto, e na sua coexistência com as leis e regulamentos do protocolo oficial existente. É o responsável de protocolo que tem as ferramentas para fazer coincidir e interpretar e aplicar estes elementos.

A inexistência de legislação comum para os eventos desportivos faz com que muitas das realizações se baseiem no protocolo olímpico, e nas suas adaptações.

Além da Carta Olímpica, outros grandes eventos internacionais vão marcando tendências, que depois são replicadas em eventos locais. As finais das provas da UEFA e FIFA, e as suas cerimónias, apresentam, cada vez mais, cenários em que a comunicação comercial assume enorme importância.

O impacto visual é enorme, pelo que é preciso entender que os momentos protocolares são também momentos em que se passa dos limites formais e institucionais, para momentos de comunicação de marcas.

Para isso, é preciso que nos eventos desportivos os responsáveis de protocolo entendam os eventos de uma forma global. No campeonato do Mundo da Rússia, por exemplo, serão as hospedeiras da Qatar Airways a entregar as medalhas e o troféu no jogo da final.

Em Portugal, a taça de campeão nacional de futebol é entregue num cenário em que o patrocinador do evento, a NOS, é a imagem principal em pleno relvado. Na Taça da Liga, a entrada das equipas em campo tem uma forte presença do patrocinador CTT.

Nesta linha, veremos nos próximos anos como irão evoluir as cerimónias de entrega do troféu da Liga Europa e da Liga dos Campeões, que são feitas no relvado, por oposição à tribuna presidencial, local escolhido durante a "era Platini”. Por agora, a vertente comercial ainda não é visível, mas será perfeitamente normal que assim aconteça, uma vez que a realização das cerimónias no relvado assim o permitem.

Perceber como actuar ao nível do protocolo, nos eventos desportivos, com toda a tradição cerimonial, todas as leis nacionais, mas também com as novas realidades económicas e comerciais, é fundamental para que a imagem destes momentos seja muito positiva.

Neste campo, a formação nesta área é importante, mas rara em Portugal. Um exemplo positivo é o da Pós‑Graduação em Eventos, Protocolo e Comunicação Estratégia da Coimbra Business School, que dotou o programa com uma vertente de protocolo desportivo.

Mas também é preciso que quem organiza eventos desportivos aposte nos profissionais, como faz a Runporto nos seus eventos, ou como o Clube de Vela Atlântico que organizou em Matosinhos e Porto um Campeonato do Mundo de vela de 49er, e a Volvo Ocean Race em Lisboa e que apostaram em ter na equipa responsáveis de protocolo.

Miguel Macedo
Associado da APorEP e consultor em protocolo desportivo

Tags: Protocolo, APOREP, Eventos desportivos

10-09-2018