Opinião

Gestão de emoções de destinos? Emoções por medida em Portugal

Quase três décadas se passaram desde o último dia do meu curso de turismo no I.S.L.A. com uma licença oficial de Guia Intérprete na mão, mantida segura ‘just in case’ e com uma forte vontade de criar, aprender, sentir, partilhar, e todos os projectos eram como transformar um sonho em realidade, independentemente de alguns pesadelos ao longo do caminho.

Ser Guia Intérprete nunca foi um objectivo, e a minha zona de conforto foi, desde muito cedo, proporcionar boas recordações em cada evento em Portugal. Basicamente, o percurso de uma 'Especialista em Emoções', que é a melhor maneira de me definir a mim e à minha equipa e, para deixar mais claro, há um título que se encaixa em todos na equipa: sim, somos todos Directores de Emoções, um título ousado e a primeira reação quando se lê é geralmente a mais óbvia: um sorriso!

DMC ou Gestão de emoções de destinos?

A definição de uma empresa de gestão de destinos (DMC) não mudou muito ao longo dos anos. Todos sabemos que necessitamos de know-how e competências para encontrar soluções e fornecer serviços no destino para reuniões, programas de incentivo, convenções e eventos em Portugal. Esta é uma actividade apaixonante, mas também stressante e altamente impermanente. Esta impermanência está mais relacionada com a economia e política mundiais, mas também com muitos outros factores, como estabilidade, acessibilidade ou segurança.

Isto para dizer que o sucesso de uma DMC não depende apenas de factores externos, mas também de factores internos, como disponibilidade, capacidade, qualidade, competitividade, segurança ou diversidade do destino. Tive o privilégio de viver momentos promissores e de crise, mas os tempos de hoje são um verdadeiro paradoxo: por um lado, o turismo em Portugal nunca viveu um momento tão criativo e positivo, e por outro lado, nós, DMCs, nunca enfrentamos tantas ameaças. Claramente não vivemos uma crise, mas um tempo que exige mudanças, e qualquer mudança pode ser uma oportunidade para melhorar e dedicar atenção extra à maneira como agimos. Todos os 'Destination Experts' já perceberam que há novos hotéis, restaurantes ou locais abertos diariamente, há cidades renascidas e uma geração de empreendedores a criar novos produtos, e Portugal tem sido notícia pelas melhores razões. Tudo isto é verdadeiramente uma bênção, mas será que nos sentimos realmente actualizados como Especialistas de Destino num país como Portugal? Parcialmente sim, mas infelizmente e pelas melhores razões, nunca é suficiente. Portugal ainda oferece uma boa relação qualidade/preço? Somos todos capazes de encontrar disponibilidade e oferecer qualidade? Independentemente das respostas, todos sabemos que este é um momento fantástico para Portugal, mas é também o momento para qualquer DMC repensar, reequilibrar e ajustar-se a estes novos tempos.

Então, onde podemos realmente acrescentar valor e ser diferentes? Ser "diferente" é baseado no fornecimento de criatividade e soluções personalizadas. Valores como experiência, know-how, flexibilidade, transparência ou disponibilidade dedicada 24 x7 já são um recurso básico de qualquer DMC. Há muitas mudanças nos negócios e personalizar ainda parece ser uma chave válida para qualquer DMC, mas adicionar emoções, ou seja, experiências ou acções personalizadas, parece ser o verdadeiro valor agregado, e hoje como nunca antes, esta é uma oportunidade única para as DMCs fazerem a diferença, criando emoções para a vida feitas por medida em Portugal.

Carla Andrezo, Directora de Emoções da EmotionStore

Tags: DMC, Destinos

08-01-2019