Opinião

Subsetor dos eventos: A realidade (des) conhecida dos números...

Só os números e apenas os números é que definem a realidade e a tornam visível e comparável.

Os congressos e eventos representam uma das áreas centrais do Turismo, e constituem‑se como um dos principais impulsionadores do desenvolvimento do setor e um importante gerador de rendimento, emprego e investimento. Para além das oportunidades de negócios que permite, o subsetor dos congressos e eventos gera importantes benefícios para a economia em geral, induz um maior nível de gastos, reduz a sazonalidade, contribui para a regeneração dos destinos, dissemina conhecimento e aumenta a inovação e criatividade.

E em Portugal... qual a importância do subsetor dos congressos e eventos? O ‘discurso’ do poder político refere a importância deste setor para a economia em termos gerais, o seu papel central na geração de emprego e rendimento, na projeção internacional de Portugal como destino turístico e na promoção turística dos territórios, na atração de visitantes, na valorização das economias locais, dos seus produtos endógenos e das suas histórias e tradições. Mas... qual a base... quais os dados... que permitem sustentar esta opinião? Quem são afinal as empresas de congressos e eventos?

Para responder a essa pergunta importa definir, em primeiro lugar, o que é um evento e quais as suas tipologias. Investigação realizada nesta área define evento como ‘uma atividade ou conjunto de atividades organizadas, com finalidade específica de promover o encontro entre pessoas, em espaços preparados para o efeito, durante um período de tempo determinado e em função dos objetivos que justificam a sua realização’. Mas, será que esta definição inclui todas as diferentes vertentes e tipologias de eventos, e as especificidades inerentes a este tipo de atividade em Portugal? Importa, por isso, consensualizar o conceito, a sua abrangência, e as diferentes tipologias que o integram.

E qual é a realidade empresarial do subsetor dos congressos e eventos? Quantas empresas de congressos e eventos existem em Portugal? Qual a sua dimensão e estrutura empresarial? Qual o volume de negócios que geram? Qual a sua distribuição geográfica? Qual a sua importância económica? Perguntas para as quais não há uma resposta concreta, uma vez que não existem dados que permitam quantificar de uma forma objetiva a realidade empresarial e a importância económica deste subsetor.

Considerando a informação disponível no Instituto Nacional de Estatística (INE), existem 21.706 empresas de congressos e eventos em Portugal, distribuídas pelos Códigos das Atividades Económicas: 82300 ‑ Organização de Feiras, Congressos e Outros Eventos Similares (6%); 90010 ‑ Atividades das Artes do Espetáculo (75%); 93192 ‑ Outras Atividades Desportivas (19%). Contudo, a opinião é unânime, os dados apresentados não refletem a realidade do setor dos congressos e eventos em Portugal. No entanto, esta é uma questão central para a avaliação do peso económico do subsetor, porque só os números e apenas os números é que definem a realidade e a tornam visível e comparável. Já Kaplan e Norton (1992) referiam que ‘só se pode gerir aquilo que se pode medir’.

Face às dificuldades inerentes em delimitar e consensualizar o conceito, e de quantificar a importância do subsetor dos congressos e eventos, considera‑se fundamental (1) Aprofundar o conhecimento técnico‑científico sobre a temática dos congressos e eventos de modo a consensualizar o conceito de evento, as diversas tipologias de eventos, assim como, clarificar as bases do seu reconhecimento enquanto evento de vocação turística. (2) Caracterizar a oferta disponível e o perfil dos empresários e das empresas de congressos e eventos, o que irá permitir conhecer detalhadamente a atividade das empresas de eventos, os seus atributos e características distintivas, assim como, o perfil, habilitações, experiência e competências dos gestores das empresas de eventos; (3) Avaliar o perfil da procura atual e o impacto económico das empresas de congressos e eventos, o que irá permitir caraterizar a procura atual e potencial das atividades das empresas de eventos, o seu perfil, caraterísticas e comportamentos de compra e consumo, assim como, avaliar o impacto económico gerado sobre as respetivas bases económicas regionais e locais.

Rui Costa, Professor da Universidade de Aveiro

Tags: Impacto, MICE, Eventos

30-05-2019