Opinião

Campeonato do Mundo Feminino da FIFA: Desafios do protocolo

Tive o privilégio de assumir funções na equipa Protocolo/VIP do Comité Local de Organização, do Campeonato do Mundo Feminino da FIFA, realizado em França, tendo trabalhado no Estádio Oceane em Le Havre.

Nesta cidade da Normandia realizaram-se sete jogos, cinco da fase de grupos e dois da fase a eliminar, oitavos e quartos‑de‑final, que foram disputados a um ritmo vertiginoso, com jogos de dois em dois dias, com a exceção do último, em que tivemos um espaço de três dias, para o preparar.

Como responsável de Protocolo&VIP, o meu trabalho era coordenado a partir da central organizativa em Paris, e foi realizado localmente, em parceria, com uma equipa da FIFA, da área de Protocolo e VIP. Em Le Havre, o Estádio Oceane tinha uma capacidade para 25.000 pessoas e dispunha de uma Tribuna VIP com um total de 329 lugares e de dois VIP Lounges. Por lá passaram diplomatas, entidades políticas locais, ministros da área do desporto, o presidente da FIFA e outros dirigentes deste organismo, o primeiro‑ministro Frances Edouard Philippe, o príncipe herdeiro da Noruega, Haakon Magnus, e o seu filho, príncipe Sverre Magnus, e diversas figuras públicas internacionais. Nas minhas funções tive de preparar as visitas oficiais aos diferentes jogos, o envio de bilhetes, a articulação com a equipa de transportes e de segurança e a gestão dos lugares na bancada VIP e dos VIP Lounges. Tudo isto exigia uma partilha de informação constante entre as diferentes componentes organizativas, para que tudo funcionasse pelo melhor, no dia do jogo.

Outras das minhas funções, passava por gerir os bilhetes VIP para um conjunto de cinco entidades locais e regionais, havendo um conjunto de ferramentas informáticas a serem geridas para o efeito numa primeira fase e sendo depois necessário dar apoio e solucionar todas as alterações, problemas ou outras questões que iam surgindo, nomeadamente no dia dos jogos e a última da hora. O jogo dos oitavos‑de‑final, entre a Franca e o Brasil, consistiu num dos maiores desafios. Com a presença do primeiro‑ministro francês, que curiosamente, na sua função anterior, tinha sido presidente da Câmara de Le Havre, desde logo, houve uma noção, de que Edouard Philippe se sentiria de certa forma em “casa”. Tal não significou qualquer tipo de facilidades e, pelo contrário, levou, por exemplo, a que o seu acesso ao estádio fosse organizado através de zonas de público geral e não pelo parque de estacionamento VIP, como acontecia com os convidados nessa condição. Por outro lado, esta era uma visita igualmente política, como é natural, havendo necessidade de criar momentos de impacto mediático, como a visita a central de segurança do estádio e o acesso ao relvado, antes mesmo do jogo se iniciar, exigindo um conjunto de diferentes operações a vários níveis. Como seria natural, a tribuna VIP estava repleta com um grande contingente de convidados da Federação Francesa de Futebol e diversos responsáveis da FIFA, entre outros convidados VIP. Este foi, de facto, um dia mais exigente do que os outros, tornando a minha participação neste evento ainda mais recompensadora. Em jeito de conclusão, o que é exigido a um responsável de protocolo neste tipo de funções: capacidade de trabalho em equipas internacionais (havia 19 nacionalidades); enorme capacidade de aprendizagem; relacionamento humano; gestão emocional; compreensão multidisciplinar e aplicar o protocolo de uma forma consistente, percebendo cada momento do evento e definindo assim a forma mais assertiva de atuar.

 

Miguel Macedo Especialista em Protocolo

Tags: Protocolo, Eventos Desportivos

14-11-2019