Opinião

UNSDG: Uma forma poderosa de contarmos a nossa história

Durante vários anos a meetings industry – e os centros de convenções enquanto os seus representantes mais visíveis ao nível do destino – tem procurado veículos apropriados para documentar e ilustrar os benefícios abrangentes que gera para o desenvolvimento das comunidades, locais e global.

Por que razão?

Porque durante demasiado tempo a única coisa medida neste setor eram os gastos por delegado – apenas uma consequência destes eventos, e não as reais e variadas razões pelas quais eles se realizam. Isto simplesmente não era o suficiente, face ao contínuo suporte de que todos nós precisamos para fazer o nosso trabalho de uma forma cabal, numa indústria em que muito do investimento exigido vem de dinheiros públicos e deve por isso ter um retorno público relevante.

A procura não foi fácil. Enfrentou resultados tão diversos quanto são diversos os eventos – tudo desde o desenvolvimento profissional e avanços médicos a transferência de conhecimento e posicionamento de uma cidade ou de um país num setor em particular ‑, e muitas vezes acomodou‑se a coisas como as noites de hotel e os gastos dos organizadores em refeições, serviços para eventos e transportes, pela simples razão de que estes são parâmetros que podem ser logo medidos, avaliados, e podem ainda ser extrapolados em coisas como receitas com impostos e outros benefícios de particular interesse para governos locais e nacionais. Chegam então as United Nations Sustainable Development Goals ou UNSDG*. Estas declarações de intenção, bastante abrangentes, foram desenvolvidas para criar “um plano que permita alcançar um melhor e mais sustentável futuro para todos. Elas abarcam as mudanças globais que enfrentamos, incluindo aquelas relacionadas com a pobreza, desigualdade, clima, degradação ambiental, prosperidade, e paz e justiça. As metas interligam‑se, e para não deixar nenhuma para trás, é importante que atinjamos cada meta ate 2030”.

Mas, ainda que genéricas, elas são particularmente relevantes para contarmos a história da nossa indústria e dos nossos venues – por uma série de importantes razões. Primeiro, elas são globais – e globalmente reconhecidas. Isto significa que em vez de aparecer com algo específico desta indústria, e ter que promover a sua adoção por uma ampla variedade de interesses, elas são amplamente reconhecidas e vêm de uma fonte altamente credível. Para uma indústria que continua a ser um mistério para o mundo, este foi um grande benefício. Segundo, elas são tão diversas quanto a nossa indústria – reconhecendo e respondendo a diferentes formas de desenvolvimento social e económico e as muitas formas que isto assume em diferentes partes do planeta. Novamente, este é um grande benefício para uma indústria cuja atividade facilita uma enorme variedade de áreas e de formas de comunicação. Terceiro, elas reconhecem o desenvolvimento de benefícios a longo prazo – uma questão que tem perseguido o setor dos eventos profissionais desde que se tem procurado novas formas de medir o seu valor. A verdade é que os benefícios específicos resultantes de um particular evento, convenção ou feira não surgem todos de imediato, mesmo se questionários e cálculos de valor tendam a representar uma fotografia instantânea de um momento em particular no tempo. Em vez disso eles ocorrem como parte de um continuum, em que as metas e os legados de um evento em particular são parte de um processo que se prolonga por vários anos – exatamente a moldura de tempo a que respondem as UNSDG. Quarto, elas não são “detidas” por ninguém em particular – o que significa que não podem ser colocadas ao serviço de um interesse em particular, excluindo os outros.

O processo de demonstrar como certas SDG são alcançadas por certos eventos ou atividades é um processo que pode tomar diversas formas, cada uma tão válida como as outras, e case studies individuais podem ser encadeados de diferentes maneiras para ilustrar os princípios que todos queremos demonstrar, mostrando a importância – e a relevância – do que fazemos. Finalmente, a possibilidade de aplicar e usar as UNSDG exige e encoraja a colaboração – é tudo o que a nossa indústria pode e deve ser e sobre colaboração. A organização e entrega de um evento bem‑sucedido precisa de se basear numa parceria em que todas as partes reconhecem que toda a gente tem um papel a representar naquilo que é o resultado final, e que o sucesso e o fracasso são de todos, juntos. Isto são tudo boas razoes pelas quais as UNSDG estão a ser adotadas como uma declaração de valor por tantos na nossa indústria – e porque nos podem servir bem no nosso esforço contínuo de clarificar o valor do que fazemos em prol do desenvolvimento global. Membros da AIPC, juntamente com outros colegas da indústria, estão agora empenhados no processo de documentar os mais importantes objetivos atingidos no contexto das UNSDG. Mas no final de contas, e porque este precisa de ser um esforço colaborativo, há um papel a desempenhar por cada um, dos venues e outros fornecedores aos organizadores de eventos e às comunidades que acolhem estes eventos. Isto é uma coisa boa – porque nos dá algo em que nos podemos concentrar, para demonstrar porque uma meetings industry saudável e centros de convenções competitivos são bons, não apenas para as suas respetivas comunidades, mas para a sociedade como um todo.

Rod Cameron, Diretor Executivo da AIPC ‑ International Association of Convention Centres

* As 17 UNSDG podem ser consultadas em www.un.org/sustainabledevelopment/sustainable‑development‑goals/

Tags: Meetings Industry, Venues

06-12-2019