Opinião

Influencer marketing e a indústria de eventos

De certo já deu com algumas pessoas em poses sugestivas a tirarem fotos semiprofissionais no meio de um festival de música, ou notou que há palcos de alguns eventos que têm enchentes à conta de personalidades digitais.

Influencer Marketing tem sido umas das buzzwords e tendências que tem dominado o discurso e discussão do marketing nos últimos anos. Não sendo mais uma questão de pertinência, é agora a sua utilidade e penetração em diferentes áreas de ativação de marca que define os novos perímetros da discussão. Também a área de eventos corporativos, patrocínios e ativação de marca não é de todo alheia a esta realidade. É, aliás, uma das áreas onde o marketing de influência mais se faz notar, e também possivelmente onde é mais disruptivo. Em 2019 não é mais uma questão de como a audiência digital é uma realidade mensurável, expectável do planeamento de um evento. Seja uma ação corporativa, uma feira de setor ou um grande festival de verão, tem de ter na sua génese uma preocupação estética e funcional de como o mesmo pode e deve ser amplificado digitalmente. Não apenas com uma estratégia clara de criação própria para os canais parceiros, mas mesmo fazendo do evento algo que provoca e convida à partilha digital dos participantes nas suas redes. Basta observar os fenómenos digitais que a popularidade de festivais como Coachella, TomorrowLand ou Burning Man passaram muito além das fronteiras do espaço geográfico destes certames para serem hoje marcas reconhecidas do grande público. E até mesmo ativações de marca dentro destes eventos a rivalizar com a popularidade digital do mesmo.

O exemplo #REVOLVEFestival para a Revolve Beauty é paradigmático. Parte desta popularidade deve‑se a estratégias de marketing de influenciadores. Tão caricatamente fulcral como fator de sucesso, que até tem na tragédia do “afamado” FYRE Festival o seu mais reconhecido case de sucesso e eficiência no que vale a venda de ingressos. Mesmo terminando numa tragédia em termos de organização. Mas não só de objetivos de venda de passes vive a presença de influenciadores digitais e criadores de conteúdo em eventos. Aliás, a sua presença sobe já hoje em dia aos próprios palcos dos eventos, quando podemos ver já em Portugal como o Rock In Rio dedica palcos inteiros a estrelas digitais como Youtubers ou Gaming Streamers. Quem tem capitalizado, e muito, com recurso a influenciadores em eventos têm sido claramente as marcas: a presença de criadores de conteúdo com largas audiências pode elevar o reconhecimento a marca num evento muito além daqueles que estão presentes no recinto, criando um efeito de curiosidade e FOMO junto dos que acompanham os conteúdos através das redes sociais. Cabe as equipas especializadas em criação de experiências de marca e eventos compreender que otimizar condições para o trabalho destas pessoas é um questão de ganho mútuo, para a organização, para os patrocinadores e para aqueles que participam ativamente no evento. O passo seguinte será integrar inputs da estratégia de conteúdos digitais e influencer marketing no próprio momento de planeamento e criação do evento. Com este nível de antecipação pode‑se tirar o maior partido deste tipo de estratégias: Brand Awareness, Brand Engagement, Lead Generation, Atention Retention, etc… Tudo são objetivos que, depois de definidos, podem ser amplamente ajudados pelo recurso a uma proposição de Influencer Marketing pensada para o efeito.

 

Francisco Morgado Véstia, Country Manager da SamyRoad Portugal

Tags: Influencer Marketing, Eventos

26-12-2019