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Qual é o legado social dos grandes eventos desportivos?

Segundo a consultora sul-africana de desenvolvimento social Four Rivers, ouvida pela BBC Brasil, eventos como o Campeonato do Mundo de Futebol ou os Jogos Olímpicos, “devem ser encarados com mais realismo e menores expectativas”. A empresa questiona ainda o legado social que é deixado nas cidades anfitriãs.

A responsável da consultora, Liepollo Pheko, é céptica em relação à herança deixada no seu país da organização do campeonato do mundo de futebol em 2010. Grande parte dos empregos gerados foram extintos após o Mundial e as infra-estruturas de transportes construídas para o evento não são as ideais para a população explica Pheko à BBC Brasil. "As expectativas são muito altas, evento após evento. Mas temos sempre que olhar para os números por trás do entusiasmo", afirma a responsável que lembra que os grandes investimentos nos Jogos Olímpicos de de Atenas, em 2004, podem ter contribuído para colocar a Grécia "no buraco em que está agora".

Voltando à questão sul-africana, Liepollo Pheko, lembra que o dinheiro gerado no Mundial foi em grande parte consumido na organização do evento. Deveria ter sido melhor avaliado o impacto deste mega-evento, continua a responsável, e as populações devem ser tidas e achadas na hora de decidir no investimento nestes eventos. "Olhando para trás, talvez se a Grécia soubesse da situação em que estaria hoje, talvez preferisse adiar a realização do evento", argumentou.

Mas não foram só críticas. A responsável elogiou o clima que se viveu durante o evento e a melhoria de aspectos como a segurança.

Liepollo foi uma das participantes da Conferência Internacional de Segurança no Desporto, que decorreu este ano em Doha.