Andamos a fazer eventos para quem não vai! E isso é chato

Opinião

23-02-2026

# tags: Agências , Ativação de Marca , Eventos

No nosso setor, acostumámo-nos a medir o sucesso por aplausos educados, vídeos bem editados e clientes satisfeitos. E, sim, isso é importante. Mas será suficiente?

Depois de mais de 100 ativações, aprendi uma lição dura: muitas vezes, fazemos eventos para agradar a quem paga, não para surpreender quem participa. Quantas vezes já ouvimos ou dissemos: “se o cliente está feliz, está tudo bem”? Só que, se pararmos para pensar, isso é o mesmo que esquecer quem realmente importa, as pessoas que vivem o evento.

Há 20 anos, fundei a Torke com um propósito claro: lutar pelo diferente. Sempre acreditei que a criatividade devia incomodar o sistema, não alimentá-lo. Mas sei como funciona a pressão: diretores de marketing com medo de arriscar, agências com receio de perder o contrato, equipas que se escondem no que é seguro. Sem perceber, entramos na engrenagem da mesmice. E quando damos por nós, estamos a repetir fórmulas que já não emocionam ninguém.

O problema é que a rotina é confortável, mas não memorável. Eventos não podem ser apenas palcos bonitos, coffee breaks fotogénicos, leds cada vez maiores e posts para as redes sociais. Isso cria registos, mas não cria memórias.

Hoje, a maioria dos eventos não é feita para quem está lá, é feita para quem não foi. É para a foto tirada do meio da plateia, para o vídeo recap no LinkedIn, para a história de Instagram que dura segundos nesta nova era em busca da atenção. Criamos mais narrativas editadas do que experiências vividas. E, sem perceber, trocamos a oportunidade de marcar pessoas pelo objetivo de gerar conteúdos bonitos para mostrar depois.

E é aí que entra o risco. Não falo de risco logístico ou financeiro, mas de risco criativo: ousar sair do guião, experimentar algo inesperado, entregar uma experiência que não cabe numa checklist. Um evento marcante não precisa de ser gigante nem perfeito, precisa de ser verdadeiro, corajoso e humano. Precisa de ser o tipo de experiência que as pessoas contam umas às outras, não porque viram nas redes, mas porque sentiram na pele.

O futuro dos eventos, acredito, está em devolver-lhes a sua essência: encontros que transformam quem está presente. E, quando isso acontece, a marca e a agência também saem transformadas. Porque a única métrica que realmente importa é a memória que criamos nas pessoas.

Por isso, este é um convite. Um convite para cada agência e cada profissional repensar: será que já entrei no sistema da mesmice? Será que me escondo atrás do que é seguro, em vez de propor o que é diferente? Se a resposta for sim, está tudo bem, é bom ter agências assim para os outros serem melhores. lol

Não precisamos de fazer eventos maiores. Precisamos de fazer eventos mais ousados. Não precisamos de agradar sempre. Precisamos de marcar para sempre (ficou até bonita esta frase).

Pedi para o chatgpt tirar os palavrões motivadores, mas se quiser pode imaginar este texto cheio deles.

© André Rabanea Opinião

Fundador da Torke CC

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