Culture Discovery Destinations leva experiências autênticas ao segmento MI

Entrevista

23-09-2026

# tags: Agências , Incentivos , Turismo , Meetings Industry

A Culture Discovery Destinations (CDD) leva experiências autênticas e com impacto ao segmento MI.

Em 2024, a CDD, antiga Wild Douro, aliou-se à norte-americana Culture Discovery Vacations (CDV), com quem já trabalhava em Portugal, no segmento do turismo experiencial. As duas empresas partilham a mesma filosofia e, agora, uma equipa comum, que opera em vários países com o objetivo de “transformar e juntar pessoas”, explica Marta Marques, CEO da CDD e CSO e partner da CDV.

Michael Kovnick, Paola Kovnick, Marta Marques e Daniele Pintauti, sócios da CDV

A origem da CDV ajuda a compreender este posicionamento. Numa viagem a Itália, o sócio fundador Michael Kovnick ficou em casa de um amigo, partilhando refeições e rotinas da família, em vez de seguir o roteiro turístico convencional. A experiência levou-o a regressar ao país, onde conheceu Paola, com quem construiu a vida e a CDV em 2006, tendo como base uma pergunta: “se amigos próximos nos viessem visitar durante uma semana, o que faríamos realmente juntos?”. A resposta assentava na procura de transformação, mais do que na visita a monumentos.

É essa filosofia que continua a distinguir a empresa, afirma Marta Marques, que entretanto se tornou sócia da CDV, tal como Daniele Pintauti. “A maioria das empresas trata a autenticidade como algo que se acrescenta a um programa, uma camada extra por cima. Isso raramente funciona. Para nós, nunca foi um acréscimo. É quem nós somos. Está no nosso ADN há 20 anos.”

“A mesma história, contada a um público diferente”


A entrada no segmento MI é encarada como uma extensão natural do trabalho desenvolvido pela CDD no turismo experiencial. “Entrámos no segmento MI porque é a mesma história, contada a um público diferente”, refere Marta Marques. Para a empresa, uma viagem de lazer, um retiro corporativo ou um programa de incentivo devem proporcionar experiências genuínas, capazes de levar os participantes a sentir algo verdadeiro e não algo artificial.


A CDD opera como DMC próprio em seis países – Itália, Portugal, Espanha, Croácia, Argentina e Uruguai –, trabalhando diretamente com parceiros familiares e independentes. “Entrar no MI não exigiu construir nada de novo. Exigiu reconhecer que um modelo criado para hóspedes em lazer se aplica com a mesma naturalidade a clientes corporativos”, adianta.

A aposta foi formalizada na edição deste ano da IMEX Frankfurt, embora a empresa já tivesse essa capacidade há vários anos. A CDD quer trabalhar diretamente com as empresas, em vez de encaminhar cada programa através de uma casa de incentivos, garantindo “mesma experiência, entregue de forma mais direta, com mais valor a chegar tanto ao participante como ao destino”.

Experiências construídas no terreno


A diferenciação da CDD começa na forma como desenvolve as experiências. Em vez de partir de um catálogo de atividades já feito, a empresa investe anos a construir relações com as comunidades locais e só depois cria experiências a partir do que é realmente possível fazer com os seus parceiros. “Se algo já é uma oferta padrão, disponível através de qualquer DMC, não lhe tocamos. Não é único, por isso não vale a pena”, explica Marta Marques.

A abordagem aplica-se mesmo a atividades aparentemente convencionais. Uma aula de cozinha pode transformar-se na recriação do ambiente de uma família, com várias gerações a cozinhar juntas num domingo. “Os participantes não estão a aprender uma receita com alguém a encenar hospitalidade. São puxados para o ritmo real de uma família, tornando-se parte dela durante algumas horas.”


Em Portugal, os programas incluem percursos de 4x4 nas montanhas dos arredores do Porto, experiências com artesãos de cabeçudos e filigrana, engarrafamento de vinho no Douro e atividades gastronómicas, como a confeção de pastéis de nata e francesinha em casas locais, por exemplo.

Nos restantes destinos, a oferta passa por produzir pecorino e ricotta em casa de um pastor ou colher azeitonas e produzir azeite em Itália; pescar com habitantes das ilhas da Croácia, vivenciar o mar num iate de 160 pés ou visitar com veteranos locais ligados à guerra; participar em vindimas familiares ou tentar construir uma torre humana com a Colla Vella, em Espanha; ou viver experiências em estâncias da Argentina e do Uruguai, incluindo atividades ligadas à vida rural e aulas privadas de tango.


“Nada disto vem de um catálogo que entregamos ao cliente. Cada programa começa com uma conversa sobre aquilo de que o grupo realmente precisa, seja team building, reconhecimento ou ligação”, sublinha, acrescentando que “o acesso é o verdadeiro produto”: são as relações diretas com o pastor, o proprietário da adega, o veterano e famílias locais que permitem concretizar os programas. A CDD procura gerar uma ligação emocional genuína. “Queremos tocar as pessoas, não apenas ocupar-lhes o tempo”, frisa.

Autenticidade com impacto local


A CDD defende um modelo em que mais de 70% do investimento permanece na economia local, através do trabalho com parceiros familiares e independentes e da redução de intermediários. “Quando a pessoa que entrega a experiência tem um interesse real nela, em vez de estar a três camadas de distância do dinheiro, o participante consegue sentir a diferença”, refere Marta Marques.

Para a empresa, o envolvimento direto dos anfitriões reflete-se na experiência dos participantes. “Um anfitrião genuinamente envolvido comporta-se de forma diferente de um que está a cumprir uma transação.” O modelo procura também responder às exigências crescentes das empresas em matéria de sustentabilidade e impacto nas comunidades, fazendo com que o investimento em incentivos apoie diretamente os pequenos negócios e as comunidades dos destinos visitados.


A crescente procura por experiências autênticas é recebida pela CDD com entusiasmo, que, no entanto, mostra-se preocupada com a forma como o conceito é interpretado pela indústria. Conta Marta Marques que, na IMEX, várias empresas manifestaram a necessidade de os seus programas “parecerem mais autênticos”. “Fazer com que algo pareça autêntico é um problema de marketing. Fazer com que algo seja realmente autêntico é um compromisso de natureza completamente diferente, que exige um interesse genuíno no fornecedor, não apenas no cliente, e anos de confiança que não se fabricam com um prazo”, afirma.

“Não acrescentamos um país só para expandir um mapa”


Para a CDD, o perfil ideal é um grupo entre 16 e 25 pessoas, embora a empresa trabalhe com grupos maiores “quando o encaixe é o certo”. A escala é importante para preservar a autenticidade das experiências, pelo que, em grupos maiores, é desenhado um sistema de rotação. “A cozinha de um pastor ou uma pequena vinha familiar simplesmente não estão preparadas para 80 pessoas ao mesmo tempo”, explica Marta Marques.

Em termos geográficos, os Estados Unidos e o Canadá são os principais mercados, embora a CDD trabalhe também com empresas europeias e aceite parcerias. A sua operação abrange Itália, Portugal, Espanha, Croácia, Argentina e Uruguai, com trabalhos na Bósnia e no Montenegro a partir da base croata. A entrada num destino só acontece com a confiança de construção de relações duradouras. “Não acrescentamos um país só para expandir um mapa”, sublinha, revelando que, no momento, França, Marrocos e Grécia encontram-se “em várias fases de desenvolvimento”.


No que toca à avaliação do impacto, e para não recorrer a uma pontuação única pós-viagem, a CDD está a desenvolver um sistema próprio, o Meridian, que parte dos objetivos reais de uma empresa e que recolhe entrevistas curtas e anónimas antes da viagem e ao longo dos 180 dias seguintes. O foco atual da CDD passa pelo lançamento do piloto do Meridian, previsto para novembro. Um segundo objetivo prende-se com a construção da base operacional necessária para sustentar o crescimento futuro.

A meta final é que os participantes regressem diferentes e com um sentimento de pertença, mais ligados entre si e às comunidades que visitaram – a transformação continua, assim, a estar no centro da proposta. Por isso, a CDD procura ajudar as empresas a enviar as suas equipas para casa “mais ligadas umas às outras, mais leais, genuinamente mais dispostas a trabalhar em conjunto, porque partilharam algo verdadeiro em vez de assistirem a um programa construído para parecer ligação”, conclui.

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© Maria João Leite Redação