Consultório de protocolo: diferentes culturas organizacionais

Opinião

17-03-2026

# tags: Formação , Protocolo , Eventos

As especialistas de protocolo e imagem, Cristina Fernandes e Susana de Salazar Casanova, respondem às perguntas dos leitores.

Pergunta: Como adaptar o Protocolo a eventos em que se cruzam diferentes culturas organizacionais, uma mais descontraída e outra mais tradicional?

Resposta: Esta é claramente uma situação que exige reflexão e negociações prévias entre ambas as entidades organizadoras. O evento deverá seguir um registo comunicacional, alinhado com os objetivos, que vai ditar o grau de formalidade.

Muitos outros fatores impactam, mas a decisão mais equilibrada seria criar um registo protocolar próprio do evento, após análise dos seguintes aspetos: identificação das sensibilidades culturais de ambas as organizações e mapeamento de elementos não-negociáveis “versus” elementos flexíveis de ambas as culturas organizacionais, sempre em linha com ambos os anfitriões.

Definidos os pontos acima, poderá desenhar-se uma estrutura escalonada, por exemplo, com momentos mais formais que respeitem a entidade mais conservadora, transitando-se gradualmente para um tom mais descontraído, em momentos específicos para cada registo (uma cerimónia de abertura formal, mas um momento de “networking” ou entretenimento informal, por exemplo).

Esta estratégia pode – e deve – ser acompanhada de códigos visuais de interpretação clara (espaços diferenciados, determinado “dress code”, por exemplo), recorrendo-se à comunicação não-verbal como aliada.

Todos os aspetos devem ser negociados entre ambas as partes, sendo que o equilíbrio (nem sempre fácil de atingir) é, também nesta situação, a solução perfeita.

Se pudermos recorrer a uma regra de ouro, será preferível tender para o mais formal inicialmente, pois é mais fácil aligeirar a formalidade ao longo do decorrer do evento, do que o contrário. O sucesso residirá em, por um lado, ambos os grupos se sentirem respeitados e confortáveis nas suas respetivas especificidades culturais e, por outro, os participantes considerarem gratificante a sua presença no evento.

© Cristina Fernandes e Susana Casanova Opinião