Feeders aposta na Arábia Saudita para levar arquitetura de experiências além-fronteiras

Entrevista

29-07-2026

# tags: Stands , Exposição , Feeders , Médio Oriente

Depois de consolidar a sua posição em Portugal, a Feeders está a acelerar a expansão internacional com a Arábia Saudita como principal mercado estratégico.

A Feeders, empresa portuguesa especializada em arquitetura para experiências de marca, encontrou na Arábia Saudita um mercado onde acredita que o seu know-how pode fazer a diferença e prepara-se agora para dar novos passos na consolidação dessa presença internacional.

Segundo Joaquim Silva, partner da Feeders, o objetivo é claro: "aquilo que a empresa quer ser daqui a cinco anos é aquilo que todos procuramos ser: uma referência", sublinhando que essa ambição passa por afirmar a empresa "em Portugal e além-fronteiras".

A decisão de acelerar a internacionalização começou a ganhar forma durante a pandemia. O responsável recorda que foi nessa altura que a empresa redefiniu o seu posicionamento e percebeu que deveria concentrar-se em trabalhar com grandes agências. "Percebemos durante a pandemia que o nosso foco e o nosso cliente-tipo teriam de ser as agências que tinham uma determinada dimensão", afirma. "Quando percebemos que isso era uma prova de conceito muito bem conseguida em Portugal, percebemos que existia forma de amplificarmos isso além-fronteiras", acrescenta.

Porquê a Arábia Saudita?

Antes de escolher a Arábia Saudita, a Feeders analisou mercados como Espanha, França, Alemanha, Reino Unido ou os Estados Unidos. No entanto, explica Joaquim Silva, a empresa concluiu que o esforço necessário para competir em mercados maduros seria demasiado elevado face ao potencial de retorno. "Partindo do princípio que iríamos ter essa taxa de esforço, então queríamos aplicá-la onde ela tivesse o maior retorno possível", refere.

Foi um trabalho desenvolvido com uma consultora que acabou por confirmar essa visão. Como explica, "não deverá ser a Feeders a adaptar-se e a mudar-se para um mercado, mas sim procurar um mercado onde se enquadra melhor". A conclusão apontou para a Arábia Saudita, uma região que, segundo diz, reúne "os maiores índices de desenvolvimento e os maiores índices de retorno" e onde existe "a maior necessidade daquilo que é a ferramenta e o produto" que a Feeders tem para oferecer.

Além do investimento que está a ser realizado no país, Joaquim Silva acredita que a empresa chega num momento particularmente favorável. "Não há uma infraestrutura e uma cultura de eventos como nós estamos habituados em Portugal e na Europa, mas está-se a criar exatamente essa camada onde nós nos podemos inserir e apanhar esse comboio", afirma, considerando que foi precisamente aí que a Feeders percebeu que a sua experiência poderia ser valorizada e gerar maior impacto.

"A qualidade está intrínseca na Feeders"

Questionado sobre aquilo que poderá diferenciar a Feeders num mercado conhecido pelos elevados investimentos em eventos e ativações de marca, Joaquim Silva destaca a consistência da empresa. Recorda, inclusivamente, uma observação feita por um parceiro local: "A qualidade está intrínseca na Feeders, não é uma questão de orçamento." Para o responsável, esse reconhecimento valida uma forma de trabalhar baseada na transparência, já que a empresa procura manter "honestidade, franqueza e transparência entre o nosso processo e aquilo que entregamos".

Outro dos fatores diferenciadores, acrescenta, será a capacidade portuguesa de fazer mais com menos. "Os portugueses têm um talento que infelizmente ainda não valorizamos. Conseguimos fazer muito ruído com muito pouco e isso é espetacular", refere, defendendo que esse rigor e essa capacidade de execução podem constituir uma vantagem competitiva no Médio Oriente.

Novos escritórios para acompanhar o crescimento

A expansão internacional será acompanhada pelo reforço da estrutura em Portugal. Em setembro, a Feeders muda para novas instalações, preparadas para suportar o crescimento da empresa e acolher um espaço de coworking dedicado às indústrias criativas.

"Os novos escritórios vão permitir-nos crescer, criar um ecossistema de troca de ideias e de trabalhos", explica Joaquim Silva, acrescentando que o objetivo passa por reunir designers, fotógrafos, videógrafos, profissionais de sustentabilidade, ilustradores, arquitetos e engenheiros num espaço colaborativo que beneficie toda a cadeia de valor da empresa.

A mudança pretende também reforçar a capacidade de atração de talento. "Mais do que um espaço para a Feeders, é um espaço onde empresas se possam desenvolver, se troquem experiências e seja um valor acrescentado para a freguesia e para a cidade", afirma. "Queremos muito que o talento venha ter connosco."

Apesar da instabilidade vivida recentemente no Médio Oriente, Joaquim Silva garante que a estratégia da Feeders permanece inalterada. Embora reconheça que o contexto representa "efetivamente um contratempo", considera que "não nos pode fazer perder o rumo, nem nos pode fazer perder o norte sobre aquilo que é o nosso objetivo". O responsável assegura que a empresa continuará a investir nas relações com os parceiros da região, acreditando que as ambições da Feeders e do mercado saudita podem continuar a cruzar-se.

A ambição

O crescimento da Feeders também passa pelo reforço das diferentes áreas de negócio, desde os grandes eventos e desporto aos stands e exposições, sem esquecer o retail e o design de escritório. Com projetos já em desenvolvimento para 2028 e até 2029, Joaquim Silva considera que este horizonte demonstra a consolidação da empresa junto dos seus clientes. "Parceiros que contam connosco para projetos já com este tempo alargado significa que somos realmente uma referência naquilo que estamos a fazer", comenta.

Questionado sobre o título que gostaria de ler daqui a cinco anos numa entrevista à Event Point, Joaquim Silva não hesita: "A Feeders abriu capital a novos sócios e tem uma presença em três escritórios a nível mundial. Lisboa, Riade e algures nas Américas." Uma visão que resume a ambição internacional da empresa e o caminho que pretende continuar a construir.

IT&CMA 2026 banner
BEA World 2026