Jaimé Bennett: "Lisboa é o palco ideal para desafiar o futuro da indústria dos eventos"
16-07-2026
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A responsável da Professional Convention Management Association (PCMA) EMEA explica porque escolheram Lisboa para receber o Convening EMEA e desafia os profissionais portugueses a juntarem-se à conversa que irá moldar o futuro dos eventos.
Inteligência artificial, instabilidade económica, novas expectativas das audiências e formas diferentes de trabalhar obrigam organizações e profissionais a repensar o seu papel. É neste contexto que Lisboa recebe, pela primeira vez, o Convening EMEA, o principal encontro europeu da PCMA, que decorre de 13 a 15 de setembro na FIL.
Para Jaimé Bennett, diretora da PCMA para a Europa, Médio Oriente e África, este não é apenas mais um congresso internacional. É um espaço pensado para desafiar ideias, promover conversas difíceis e preparar a indústria para o futuro. "A indústria dos eventos sempre teve como missão juntar pessoas, mas hoje o nosso papel é muito mais amplo. Organizações e profissionais estão a navegar num contexto de mudança, procuram construir comunidades mais resilientes e perceber como podem utilizar a inovação como um acelerador e não como uma barreira. O Convening EMEA foi concebido precisamente para que essas conversas aconteçam num ambiente seguro e aberto".
Integridade, ligação e futuro
Segundo a responsável, a PCMA procura reunir profissionais de diferentes gerações e níveis de experiência, porque acredita que a liderança não depende do cargo nem da idade, mas da forma como cada pessoa contribui para a evolução da indústria. "O nosso papel não é mudar mentalidades, mas desafiar formas de pensar e de trabalhar que nos permitam construir um futuro em que todos possam participar e que gere verdadeira transformação social e económica".
Essa visão está refletida nos três temas escolhidos para esta edição — Integridade, Ligação e Futuro. Bennett explica que o programa nunca começa pela escolha dos oradores ou do destino anfitrião, mas sim por um processo contínuo de escuta da comunidade. "Nunca começamos pelos oradores ou pelo local. Construímos o programa ouvindo a nossa comunidade, através de estudos, conversas e reuniões que nos ajudam a perceber quais são os desafios e as tendências que estão a marcar o setor. Só depois identificamos os problemas e criamos um ambiente onde também possam surgir soluções".
Quanto ao conceito de futuro, deixa uma ideia clara: "O futuro já chegou. Para nós, o futuro não passa por tentar adivinhá-lo, mas por desenvolver a mentalidade e as competências necessárias para o gerir". Já a integridade assume um papel central porque, sublinha, "a nossa indústria é construída sobre pessoas, relações e confiança". E é precisamente essa confiança que permite criar ligações genuínas entre profissionais e organizações.
Questionada sobre o impacto da inteligência artificial, da incerteza económica e das novas expectativas dos participantes, Bennett considera que estas tendências não podem ser analisadas isoladamente. "Não olho para nenhuma delas de forma independente, porque todas se influenciam mutuamente".
A inteligência artificial, defende, deverá ser utilizada para aumentar a produtividade, automatizar processos e tornar o trabalho mais eficiente. A incerteza económica obriga a demonstrar cada vez melhor o valor e o retorno do investimento dos eventos. Ainda assim, acredita que o maior desafio será responder às expectativas de participantes cada vez mais exigentes. "Temos de ir ao encontro das pessoas onde elas estão e garantir que a ligação humana continua a estar no centro de tudo o que fazemos. A tecnologia vai continuar a evoluir e a economia continuará a mudar, mas nenhuma ferramenta consegue criar confiança, estabelecer relações humanas ou despertar a criatividade da mesma forma que as pessoas".
Razões para escolher Lisboa
A escolha de Lisboa para acolher, pela primeira vez, o Convening EMEA também está longe de ser casual. Para a responsável da PCMA, a capital portuguesa representa hoje um exemplo de transformação e inovação. "Lisboa reinventou-se continuamente ao longo dos últimos anos. Basta percorrer a cidade para encontrar polos de inovação, empreendedorismo, investigação e criatividade. Queríamos mostrar um destino que soube reinventar-se em diferentes setores e isso fez todo o sentido para nós".
A decisão foi igualmente influenciada pelo compromisso demonstrado pelos parceiros portugueses, que trabalham em conjunto para receber o evento e construir uma experiência que reflita a identidade do destino. "Queremos que os participantes descubram Lisboa de uma forma diferente e que a cultura portuguesa esteja presente em toda a experiência dos três dias."
O Convening EMEA será, assim, também uma oportunidade para mostrar Portugal aos principais decisores internacionais da indústria dos eventos, mas Jaimé Bennett deixa uma mensagem igualmente dirigida aos profissionais portugueses: "Todos temos uma escolha: podemos limitar-nos a reagir à mudança ou preparar-nos melhor, preparar as nossas equipas e as nossas organizações para a enfrentar. Isso começa nas pessoas, nas mentalidades e nas competências que precisamos de desenvolver".
E conclui com uma ideia que resume a ambição da PCMA: "Temos de criar ecossistemas multigeracionais que construam algo que sobreviva a todos nós. Espero que plataformas como o Convening EMEA sejam precisamente o ponto de partida para desafiar o status quo e começar a construir esse futuro".
A realização do Convening EMEA em Lisboa representa, por isso, muito mais do que a estreia de um grande congresso internacional em Portugal. É uma oportunidade rara para os profissionais nacionais participarem num debate que reúne algumas das principais vozes da indústria global, conhecerem novas perspetivas, criarem ligações internacionais e contribuírem para desenhar o futuro dos eventos empresariais.

