Nossa Sports: aproximar atletas, marcas e entidades desportivas
22-07-2026
# tags: Agências , Comunicação , Desporto , Eventos
A agência criativa Nossa lançou a Nossa Sports, uma unidade dedicada ao ecossistema desportivo para aproximar atletas, marcas e entidades.
A Nossa Sports pretende responder a uma lacuna identificada no mercado: a falta de estratégia na relação entre atletas, marcas e entidades desportivas. Vasco Teixeira-Pinto, digital & production partner da Nossa, e Miguel Janz Guerra, managing director da Nossa Sports, explicaram à Event Point como querem utilizar a criatividade, os conteúdos e a comunicação para ajudar atletas a construir marcas pessoais, potenciar o investimento e criar relações mais duradouras entre todos os intervenientes do ecossistema desportivo.
Uma ideia que nasceu da vontade de fazer diferente
A criação da Nossa Sports surgiu da constatação de que muitos atletas de enorme talento continuam sem acesso ao financiamento necessário para desenvolverem as suas carreiras. “Sentimos é que havia alguma coisa errada no ecossistema desportivo”, refere Vasco Teixeira-Pinto, explicando que, apesar de existirem modalidades financeiramente bem apoiadas, "há um conjunto enorme de desportos com pessoas muito talentosas que não têm o mesmo nível de investimento".
Foi essa realidade que levou a Nossa a questionar de que forma poderia contribuir. A resposta passou por aplicar aquilo que a empresa já sabe fazer – criatividade, comunicação e produção de conteúdos – ao universo do desporto.
Assim nasceu um modelo assente numa relação triangular entre atletas, marcas e entidades desportivas, fazendo com que, “através do conteúdo e da comunicação, os atletas possam ser mais apetecíveis para investimento – leia-se, patrocínio das marcas –, as marcas consigam ter conteúdos mais interessantes por parte dos atletas e as entidades desportivas possam também beneficiar desta estratégia”.
Pensar o desporto de forma mais estratégica
É com a paixão pelo desporto e com know-how que a Nossa Sports pretende não só dar estrutura aos atletas e entidades, como “colocar as marcas de forma estratégica no desporto”, indica Miguel Janz Guerra.
O desporto já fazia parte do trabalho desenvolvido pela Nossa, mas não desta forma. A Nossa Sports visa mudar esse paradigma, pensando o desporto “de forma mais estratégica" e deixando para trás uma lógica limitada ao evento, à ativação de um patrocínio ou à criação de um conteúdo.
Miguel Janz Guerra
Na experiência anterior do lado das marcas, Miguel Janz Guerra sentia uma ausência de planeamento continuado. Enquanto muitos festivais de música vão lançando artistas e criando momentos ao longo do ano, entende que a comunicação no desporto concentra-se frequentemente apenas nos dias que antecedem uma competição.
"Não há um fio condutor de eventos junto da comunidade, de comunicação junto dos media, de ações pontuais com influenciadores… Não há um fio condutor que ligue isso desde o fim de um evento até o início do outro”, explica.
Entender o potencial que os atletas têm em ser marcas
Para Vasco Teixeira-Pinto, o ponto onde a Nossa Sports pode atuar tem a ver com o “entender o potencial que os atletas têm em ser marcas, em ser algo mais do que a performance desportiva”.
Na sua perspetiva, os fãs procuram hoje muito mais do que resultados desportivos. Querem conhecer as histórias, o dia-a-dia, os bastidores, a preparação e até a vida pessoal dos atletas. "O elo de ligação que falta entre o talento e a notoriedade" passa pela capacidade de contar histórias.
Vasco Teixeira-Pinto recorda que há atletas que podem nunca conquistar grandes títulos, mas isso não significa que não devam ser reconhecidos pelo seu talento. "O que não podemos dizer daqui uns anos é que este atleta era um talento e ninguém soube que ele era um talento – é aí que nós trabalhamos. Se é um talento, toda a gente tem de saber que é um talento, independentemente do que vai ganhar a nível desportivo. E isso nós conseguimos", adianta.
“A parte emocional no desporto é brutal”
Para Vasco Teixeira-Pinto, a forte componente emocional do desporto é um dos principais fatores que distingue este segmento. “A grande diferença que esta área tem é a parte da emoção. A parte emocional no desporto é brutal – a paixão com que se vive um desporto, a paixão com que se torce por uma equipa, a paixão com que se torce por um atleta...”, afirma, sublinhando que poucas áreas conseguem gerar reações tão intensas por parte das pessoas.
Essa dimensão emocional representa também uma oportunidade para criar campanhas e conteúdos verdadeiramente relevantes. “Esta emoção no desporto é algo que também nos cativa. Porque é tão bom quando consegues fazer um bom conteúdo, uma boa campanha, e as pessoas reagem de forma emocional a isso. O inverso também é verdade... Mas é para isso que nós trabalhamos, para ter reações. Portanto, para mim, esta parte da emoção é o grande diferencial”, acrescenta.
Vasco Teixeira-Pinto
Miguel Janz Guerra também considera a emoção um fator diferenciador, mas aponta a grande diferença: a falta de “estratégia e estrutura". Aproveita para esclarecer que a Nossa Sports não vende patrocínios. “O que fazemos é montar estratégias, criar estruturas. A parte dos patrocínios é uma parte integrante, obviamente, da estratégia. Mas não somos nós que vamos fazer o pitch às marcas para vender patrocínios”, alerta.
Reforça que o trabalho passa, então, por ajudar atletas a construir narrativas consistentes, por apoiar clubes e federações na criação de experiências mais apelativas e por permitir que as marcas estabeleçam relações mais próximas com as comunidades desportivas.
Na opinião de Miguel Janz Guerra, há marcas que confundem notoriedade com estratégia. "Visibilidade não é estratégia", refere. Patrocinar um atleta, comprar publicidade num recinto desportivo ou colocar um logótipo numa camisola garante exposição, mas não constrói, por si só, uma relação com as comunidades.
Segundo Vasco Teixeira-Pinto, “as marcas sentem que poderiam estar a aproveitar melhor os seus atletas e os atletas sentem que não estão a entregar aquilo que poderiam entregar às marcas, do ponto de vista de conteúdo. E isto é, de facto, uma oportunidade que está a ser desperdiçada e onde nós podemos ajudar”.
O objetivo é que, no final de cada época, tanto marcas como atletas sintam que a colaboração produziu resultados concretos, evitando relações superficiais que acabam por não ter continuidade.
Marcar a diferença
Para o futuro, a ambição passa por deixar uma marca no ecossistema desportivo. Miguel Janz Guerra considera que não haveria “maior elogio do que aparecerem outras Nossas Sports noutros sítios”. Acima de tudo, “gostávamos muito que houvesse atletas a dizer que, graças à Nossa Sports, conseguem fazer do desporto vida”.
O objetivo passa por fornecer ferramentas de comunicação, estratégia e visibilidade que permitam aos atletas desenvolver carreiras sustentáveis. Porque, para a Nossa Sports, “é extremamente importante em termos de missão”.
Vasco Teixeira-Pinto partilha da mesma opinião. "Queremos ser vistos como uma agência que conseguiu marcar a diferença", afirma. "Se houver mais empresas com esta visão, com esta missão de ajudar atletas a financiarem as suas carreiras, através da comunicação, com boas ideias, com bons conteúdos, a criar relações, a criar uma base de fãs consistente e interessada, acho que era a melhor coisa que nos podia acontecer”, conclui.

