O impacto da situação no Médio Oriente: “aumento da prudência”
17-03-2026
# tags: DMC , MICE , Eventos , Viagens , Médio Oriente
Num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e incerteza, o setor das viagens e dos eventos acompanha com atenção os desenvolvimentos no Médio Oriente.
Para os DMCs portugueses, o impacto não se traduz, para já, numa quebra generalizada da atividade, mas antes em atitudes de mais cautela, mais pedidos de esclarecimento e algum adiamento das decisões. É esta a leitura de Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT (Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo), sobre o impacto da situação no Médio Oriente nos DMCs portugueses.
“No segmento MICE, mais do que um impacto imediato e uniforme, aquilo que se sente é um aumento da prudência”, refere Pedro Costa Ferreira, que lembra que “a instabilidade geopolítica introduz dúvidas sobre acessibilidades aéreas, custos de transporte e previsibilidade operacional, fatores que são muito relevantes para quem organiza eventos internacionais”.
Isso, para os DMCs, “traduz-se sobretudo em mais trabalho de planeamento e aconselhamento aos clientes, revisões de propostas e maior necessidade de flexibilidade”. O presidente da APAVT conta que, “para já, não temos sinais de uma quebra generalizada da atividade em Portugal, mas existe, naturalmente, um ambiente de maior cautela”.
“Atitude de prudência e de gestão de risco”
A informação que a APAVT tem no momento não indica “um movimento generalizado de cancelamentos de eventos ou de viagens de incentivo em Portugal por causa desta situação”, existindo, sobretudo, “algum adiamento de decisões e pedidos adicionais de esclarecimento por parte das empresas”.
Pedro Costa Ferreira considera que, “em momentos de instabilidade internacional, é normal que as organizações procurem ganhar algum tempo antes de confirmar programas ou compromissos”.
Já nas viagens de incentivo nacionais para outros destinos, “o impacto pode ser um pouco mais visível, sobretudo quando falamos de programas que envolvem regiões mais próximas da área de tensão ou rotas aéreas mais expostas”.
Segundo o responsável, em alguns casos, estão a verificar-se “adiamentos, remarcações ou mesmo a substituição do destino”. “No turismo de incentivos a perceção de risco pesa bastante e, mesmo quando o destino não está diretamente envolvido no conflito, as empresas tendem a optar por soluções com menor incerteza operacional”, explica.
Quando questionado sobre se as empresas estão a optar por destinos alternativos para eventos e reuniões internacionais, Pedro Costa Ferreira refere que “há alguns sinais de que as empresas estão a avaliar mais alternativas, sobretudo para garantir flexibilidade caso o contexto internacional se torne mais instável”.
“Destinos percecionados como seguros, com boa acessibilidade e experiência na organização de eventos, como Portugal, podem naturalmente beneficiar dessa procura. Ainda assim, é cedo para falar de uma mudança estrutural; nesta fase, estamos sobretudo perante uma atitude de prudência e de gestão de risco por parte das empresas”, acrescenta.
Impacto nos preços depende da duração do conflito
Em relação aos preços, a curto prazo, a volatilidade é o principal efeito do conflito. “Se houver perturbações prolongadas no espaço aéreo ou pressão sobre os custos do combustível, isso pode refletir-se nos preços das viagens aéreas e na previsibilidade dos orçamentos dos eventos”, aponta.
Mas, a médio prazo, “tudo dependerá da duração do conflito”, defende. “Se for uma situação temporária, o impacto tenderá a ser limitado. Se se prolongar, poderá aumentar a pressão sobre custos de transporte e reduzir a capacidade de fixar preços com grande antecedência, algo que é particularmente relevante para o setor dos eventos”, conclui.
© Maria João Leite Redação
Jornalista
© Cláudia Coutinho de Sousa Redação
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