Portugueses no Médio Oriente: Luís Sepúlveda, LastLap
23-03-2026
# tags: Eventos , LastLap , Eventos corporativos , Médio Oriente
Entre uma “normalidade artificial” e um “mindset positivo”, o CEO da LastLap admite alguns desafios na operação do Dubai, dado o momento que se vive no Médio Oriente. A expectativa é que a situação se resolva e a parte final do ano compense esta paragem forçada.
“Neste momento, a situação no Dubai vive-se com alguma aparente normalidade, talvez uma normalidade artificial. É evidente que as coisas estão longe de estar bem, mas existe um esforço significativo por parte do Governo para transmitir uma forte sensação de segurança”, revela o CEO da LastLap, Luís Sepúlveda. Exemplo desse esforço é, na sua opinião, a forma como o território tem sido defendido: “Passados mais de 15 dias de ataques do Irão aos Emirados Árabes Unidos, nenhum foi bem-sucedido, graças à rápida intervenção das forças militares”.
Os portugueses com quem a Event Point tem falado traçam um retrato de normalidade apesar do conflito. Luís Sepúlveda reforça a ideia, mas admite: “Quando se diz que, no Dubai, a vida continua, isso é verdade, mas não da mesma forma que antes”.
Ou seja, a normalidade do dia a dia é frequentemente sobressaltada pelos sinais que lembram a realidade que se vive na região: “Os negócios mantêm-se abertos e os voos continuam a operar, ainda que com várias limitações. No entanto, isso não impede que se viva num clima de instabilidade, marcado por alarmes constantes e, por vezes, por algumas explosões resultantes da interceção de mísseis e/ou drones”, conta.
Gerir a incerteza
Até ao início de março, tudo indicava que o ano de 2026 seria extremamente positivo para a operação da LastLap no Dubai. “Iniciámos o nosso segundo ano de operação nos Emirados Árabes Unidos da melhor forma, com a confirmação de novos clientes e dois grandes eventos agendados para março e abril”, revela o CEO.
Contudo,o início dos ataques obrigou a que toda a atividade tenha sido colocada em stand-by até depois do verão: “Os dois eventos principais eram conferências internacionais, com participantes vindos de várias partes do mundo, o que se torna incompatível com o atual clima de instabilidade”.
Luís Sepúlveda admite que “esta situação tem impacto na equipa, sobretudo devido à incerteza”, porque “ninguém consegue prever se estamos perante mais uma semana, um mês ou algo mais prolongado”.
Perante este cenário, “gerir expectativas e manter um reforço positivo constante torna-se extremamente desafiante, sobretudo sem visibilidade sobre o futuro”, mas “é um exercício essencial neste contexto”.
Com o adiamento de todos os eventos, e tendo em conta que os meses de verão são geralmente mais calmos devido ao calor, as expectativas voltam-se para o último trimestre de 2026: “Acreditamos que poderá haver um final de ano bastante intenso, com a realização dos eventos que ficaram suspensos durante este período”, diz Luís Sepúlveda, reconhecendo que “este cenário trará, naturalmente, novos desafios, nomeadamente ao nível da disponibilidade de venues, hotéis e fornecedores”.
“Apesar das incertezas, o mindset mantém-se positivo, não poderia ser de outra forma, embora acompanhado por muitas dúvidas quanto à evolução da situação”, conclui.
© Olga Teixeira Redação
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