ICCA Ibérico: Coimbra reforça ambição no mapa global

Reportagem

23-03-2026

# tags: Centro de Portugal , Coimbra , ICCA , Turismo de Negócios

Reunião em Coimbra junta 93 delegados e reforça cooperação ibérica na captação de congressos internacionais, com foco em IA, sustentabilidade e legado.

Há encontros que servem apenas para cumprir calendário — e há outros que deixam marca. A reunião anual do Capítulo Ibérico da ICCA, que decorreu em Coimbra entre 11 e 13 de março, pertence claramente à segunda categoria.

O número ajuda a contar a história, mas não a explica por completo. “A reunião de Coimbra foi um absoluto sucesso. Tivemos uma assistência record em Portugal de 93 delegados”, resume Jorge Vinha da Silva, presidente do Capítulo. Mais do que o volume, importa o que ele representa: “estes 93 delegados representam em conjunto milhares de eventos”.

E isso muda tudo. Porque, de repente, Coimbra não foi apenas palco — foi ponto de contacto com um ecossistema global que decide onde acontecem muitos dos próximos congressos.

Um dos sinais mais interessantes deste encontro foi a forma como se abriu à cidade e à região. Não ficou fechado em salas nem limitado a quem já está na indústria. “Realizámos uma masterclass sobre eventos com 95 alunos universitários” bem como, “um almoço e encontro de network com mais de 60 empresas da região Centro”, explica Jorge Vinha da Silva. Há aqui uma ideia de legado que vai além do discurso: envolver, capacitar e, sobretudo, criar pontes.

Competir.... colaborando


Num setor onde a concorrência entre destinos é feroz, a Península Ibérica parece jogar um jogo ligeiramente diferente. Ou, pelo menos, mais inteligente.
“Sim, estamos, enquanto Capítulo e região, ainda mais competitivos já que sempre primámos pelo espírito de colaboração”, afirma o presidente do Caítulo. E não é apenas retórica: Lisboa, Barcelona e Madrid continuam a figurar no top mundial da ICCA, provando que a escala ibérica pode ser uma vantagem real. No fundo, a lógica não é tanto “quem ganha”, mas “como crescemos juntos”.

Se havia dúvidas sobre o momento de transformação que o setor atravessa, Coimbra tratou de as dissipar. A inteligência artificial esteve no centro das conversas, mas não sozinha.

“Tentamos sempre abordar temas novos ou tendência da Indústria”, diz o responsável, apontando também para debates sobre sustentabilidade, legado e expectativas dos clientes. A pergunta de fundo é simples: do que é que um evento precisa hoje para continuar a fazer sentido? A resposta, essa, é menos linear. Mas há uma certeza: “o fator humano é tremendamente importante numa indústria de pessoas”.

A escolha da cidade não foi um acaso. Há um movimento mais amplo, visível em vários países, que coloca destinos de média dimensão no radar dos congressos internacionais. “A aposta em cidades médias com elevado potencial e uma grande riqueza cultural e patrimonial”, como é Coimbra, “que possui as infraestruturas e o tecido empresarial com capacidade para responder com qualidade”, sublinha.

Mas talvez o ponto mais relevante seja outro: estas cidades não precisam de competir diretamente com as grandes capitais. “Não existe uma competição com as grandes cidades, mas sim uma complementaridade que é muito importante para o destino Portugal”, garante Vinha da Silva.

Nem todos os destinos que querem entrar neste mercado conseguem fazê-lo. E aqui, a diferença parece estar menos nos equipamentos e mais na atitude. “O melhor exemplo que posso dar é exatamente Coimbra”, afirma o presidente do Capítulo, destacando o papel do Convention Bureau e o envolvimento das entidades locais. A leitura é clara: quando há alinhamento, as coisas acontecem. E deixam memória. Estes 93 delegados “serão os melhores embaixadores do destino e estou certo de que todos regressaram a casa um pouco conimbricenses”.

Relações que ficam


No fim, é isso que estes encontros fazem melhor: aproximam quem ainda não se conhecia. “Passa a existir uma relação direta e mais próxima com 93 entidades que, até à semana passada, não tinham relação com o destino”, refere Jorge Vinha da Silva. Pode parecer simples, mas é precisamente daqui que nascem candidaturas, parcerias e eventos futuros.

A próxima paragem será Bilbao, em 2027. Mas, para já, o foco está em tirar partido do que Coimbra já conquistou. “Ainda estamos a digerir Coimbra” e a trabalhar para “ajudar a amplificar o retorno”, admite. Porque, no fundo, cada encontro é pensado de raiz: “Cada ano criamos um ‘fato à medida’, pois só assim vale a pena”. O objetivo final mantém-se: “Desenvolver cada vez mais os nossos destinos de forma global, Portugal e Espanha, e aumentar ainda mais a sua relevância no cenário internacional”.