Portugueses no Médio Oriente: Sara Correia, Springevents

Entrevista

06-03-2026

# tags: Eventos , Springevents , Staff , Médio Oriente , Dubai

A Springevents é uma das empresas portuguesas na área dos eventos com operação no Médio Oriente. Tal como outras, a empresa de staff para eventos está agora a lidar com uma situação marcada pela incerteza e instabilidade na região. Sara Correia, CEO e Founder acompanha a situação dia a dia, mas diz estar francamente otimista e não tenciona deixar o Dubai.

Num contexto em que tudo acontece rapidamente e em que vários países se viram envolvidos num conflito que tem como protagonistas os EUA e o Irão, a Event Point quis saber como estão as empresas portuguesas de eventos na região a lidar com esta rápida sucessão de acontecimentos.

A situação no Médio Oriente não afeta, para já, a operação da SpringEvents, empresa fundada em Lisboa, que tem trabalhado em vários países da Europa e que se expandiu para os Emirados Árabes Unidos. A CEO, Sara Correia, que vive há algum tempo no Dubai, admite estar “a viver a situação com uma calma que talvez surpreenda algumas pessoas”. 

“No fim de semana em que os mísseis e drones sobrevoaram a região, mantive-me serena, rodeada de uma comunidade portuguesa incrível que fui construindo desde que me mudei para cá. Não entrei em pânico - não é a minha natureza. Sou uma pessoa que procura soluções, mesmo quando o cenário é adverso”, conta.

Para essa tranquilidade contribui também a forma como as autoridades locais estão a gerir os acontecimentos: “O governo dos UAE tem gerido esta situação com uma eficiência e uma humanidade que merecem reconhecimento, com medidas de proteção concretas para quem aqui vive e até para quem estava de visita. A comunicação com os cidadãos tem sido constante e atualizada”.

Sara Correia garante que não se sente insegura no Dubai, embora tenha consciência do contexto que se vive na região. O que a leva a lamentar profundamente “que sejam sempre os civis e as populações no terreno a pagar o preço mais alto das decisões que nunca foram suas”.

Decisões suspensas no Médio Oriente, Europa em crescimento

O modelo em que opera a Springevents – com duas entidades distintas na Europa e no Médio Oriente – acaba por proteger a atividade europeia e fazer com que a Springevents ME “tenha a agilidade de uma empresa focada e autónoma para navegar este período”.

A CEO recorda o processo de expansão e explica como está a ser uma opção acertada no momento atual: “A Springevents opera desde Portugal para toda a Europa, onde a nossa atividade continua sólida e em crescimento. Em setembro de 2025 demos um passo estratégico importante: criámos uma entidade autónoma - a Springevents Middle East - com sede no Dubai, para operar especificamente nesta região. Não é uma sucursal, é uma empresa independente, com a sua própria estrutura e identidade regional”, explica. Lembra que ainda antes do atual conflito já estavam a construir comunidade e conhecimento local. “Chegámos mesmo a organizar um workshop sobre implementação de inteligência artificial, aberto à nossa comunidade no Dubai”, revela.

Assim, o impacto da situação atual acaba por ser mais contido, refletindo-se só na Springevents ME. Sara Correia admite, contudo, que existe “incerteza, clientes a monitorizar a situação e decisões que ficam suspensas à espera de maior clareza geopolítica”.

A receita para lidar com a crise: dia a dia sem perder o otimismo

Perante este cenário, o que esperar a curto e médio prazo? Por enquanto, admite, só é possível acompanhar a evolução dia a dia: “A verdade é que ninguém controla por completo as suas opções quando o espaço aéreo pode fechar sem aviso e tenho consciência disso”.

A nova realidade reforça a importância da flexibilidade e da existência de um plano B, algo que acaba por estar no ADN de quem trabalha em eventos.

“Tenho viagens à Europa frequentes por razões profissionais, os eventos que fazemos por todo o continente continuam a acontecer, mas a realidade geopolítica impõe-nos uma humildade que não existia há um ano. Planeamos, mas mantemos sempre um plano alternativo”, explica.

Embora seja difícil traçar cenários a médio prazo, Sara Correia diz sentir-se “genuinamente otimista”, porque acredita “na resiliência desta região e na determinação da sua liderança para atravessar este momento”.

“A Springevents ME não nasceu de uma decisão impulsiva, nasceu de uma convicção no potencial do Médio Oriente. Essa convicção não desapareceu. O ruído existe, mas também existiu noutros momentos históricos desta região, e ela soube sempre reinventar-se. Estou cá, e tenciono continuar a estar”, garante.



© Olga Teixeira Redação

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