Os novos formatos de eventos

03-03-2026

# tags: Eventos , Dicas

A tecnologia, a crescente importância que é dada a colocar o participante no centro do evento e a entrada de novas gerações no setor estão a reformatar os eventos. Damos a conhecer algumas ideias inovadoras.

Se em 2020 os eventos foram praticamente obrigados a reinventar-se para sobreviver, em 2025 são outros os fatores que geram, quase de forma orgânica, novos formatos. Micro, cada vez mais personalizados e centrados na experiência, estes formatos – alguns novos, outros que foram recuperados ou repensados –, refletem, também, a entrada da geração Z no mundo dos eventos (tanto na audiência como na organização): com uma capacidade de concentração mais curta, pouca formalidade e um forte desejo de se fazerem ouvir, os pós-millennials contribuem para uma mudança nos modelos “normais”.

A tecnologia e a valorização do “experimentar” em vez de “ter” ou “ser” estão igualmente a criar formatos imersivos e “hands on”. A inclusão e a valorização de outros pontos de vista geram eventos mais participativos, em que os conceitos se desconstroem, subvertendo a lógica e modelos estanques.

O foco dos eventos, porém, mantém-se – e está cada vez mais – nas pessoas e nas mais-valias que podem trazer a quem as ouve ou com quem interagem. Estes são alguns dos novos formatos que ganham relevância.

Microeventos


Uma das vantagens deste conceito é a sua transversalidade, porque se aplica tanto ao universo corporativo, como a eventos desportivos ou espetáculos. A própria dimensão do “micro” é variável: pode ir de 5 a 50 pessoas (ou até mais), dependendo do tipo de atividade.

A ideia subjacente a este formato é a personalização da experiência – uma tendência cada vez mais forte no setor –, criando, também, um nível de exclusividade que é apreciado pelos participantes.

Um microevento permite também:

- direcionar a atenção de quem participa;

- facilitar o networking;

- criar experiências adaptadas aos interesses dos participantes;

- aumentar a interação;

- maior envolvimento com o conteúdo ou marca;

- maior eficiência em termos de custo.

Unconference


O conceito é disruptivo: permitir que sejam os participantes a escolher os tópicos abordados e a conduzir a sessão, promovendo a partilha de conhecimento e a interação de uma forma mais colaborativa.

Neste formato, não existe uma agenda pré-definida e todos podem sugerir e discutir ideias, trazendo novas abordagens, o que pode levar a que o resultado final seja bastante diferente do esperado, mas igualmente ou talvez mais produtivo e criativo.

O formato unconference pode funcionar bem em eventos corporativos ou setores em que a inovação e a discussão são fundamentais, como as áreas tecnológicas ou criativas.

Conversas “aquário”


É uma desconstrução do conceito tradicional de seminário e, por isso, também usado no formato unconference. Neste modelo, os oradores sentam-se no centro, sendo rodeados pelos participantes. Uma das cadeiras do meio está vazia, para que os elementos do público se possam sentar para se juntarem à discussão.

World Café


Este formato é uma espécie de microevento, mas tem o seu próprio lugar entre as tendências que vão surgindo, por exemplo, em contexto de team building e networking. Contudo, pode ser usado num evento de grande dimensão, como um congresso ou uma feira, juntando pessoas de diferentes percursos profissionais e áreas.

O conceito é (re)criar um ambiente de tertúlia, que permita a troca de ideias entre pequenos grupos, sem qualquer ordem hierárquica. Bastam algumas mesas, cadeiras, toalhas de papel (usadas para apontar ideias ou fazer rascunhos), água e café.

Embora os temas em discussão possam estar definidos à partida, o objetivo é que, nesse ambiente menos formal, cada pessoa possa partilhar ideias e experiências. Como este é um formato flexível tanto em termos de tempo como no número de participantes, a sua aplicação é praticamente transversal.

Festivalização


A ideia é trazer o conceito dos festivais para um evento onde, à partida, o entretenimento, ativações, locais destinados ao bem-estar e experiências interativas não teriam lugar.

Neste formato, um seminário ou um evento corporativo pode ter performances, bares pop-up, desfiles circenses, pintura de doodles ou outro tipo de atividades que são normalmente encontradas nos festivais de música. Um conceito que desafia a imaginação e que permite usar espaços exteriores que, por vezes, não são aproveitados em eventos mais formais.

A festivalização dos eventos reflete outra tendência que também começa a surgir: o mix. Ou seja, a mistura de vários formatos num só evento, permitindo que um almoço passe a ser uma conferência ou que, embora presencial, o evento tenha características de um encontro online. O objetivo é apelar a uma geração habituada a estímulos constantes e a comunicar de forma digital.

Experiências imersivas


Não são propriamente uma novidade, mas a aplicação deste conceito – comum em exposições ou até em ativações – aos eventos mais “tradicionais” pode contribuir para criar maior envolvimento com a empresa ou produto, proporcionando as experiências que são cada vez mais valorizadas.

O marketing sensorial é já bastante comum e tem sido usado, sobretudo, para atrair e fidelizar clientes. No entanto, a sua ampla difusão e a evolução tecnológica permitem que chegue também aos eventos. Das festas de Natal em ambiente imersivo, a peças de teatro ou até exposições que levam o público numa viagem no tempo para conhecer a história de uma instituição, são várias as possibilidades que esta tecnologia proporciona.

Learning labs


O objetivo é semelhante às experiências imersivas: fazer com que o público se envolva no evento, dando à palavra “participante” o seu pleno sentido. Ou seja, quem está presente sente realmente que está a fazer parte do que se passa e a viver uma experiência.

Um exemplo da utilização dos learning labs é a apresentação de um produto tecnológico, dando aos presentes a oportunidade de experimentar e perceber o seu funcionamento. No entanto, este conceito pode ser utilizado noutros contextos, desde as feiras setoriais até às conferências científicas.

Este formato pode igualmente ser transposto para um roadshow, que é, também, um conceito que vai ganhando um novo relevo entre empresas e marcas.

Pecha Kucha


O conceito é minimalista e surgiu no Japão no início do século, pela mão dos arquitetos Astrid Klein e Mark Dytham. A ideia é simples: cada orador deve apresentar 20 slides, que são mostrados durante 20 segundos, num total de 6 minutos e 40 segundos.

Uma limitação de tempo que pode ser desafiante para quem faz a apresentação, já que obriga a que seja conciso e focado, sem tempo nem espaço para divagar ou abordar outro tema. É, no entanto, um formato apelativo para o público, que, além de receber conteúdo impactante, consegue manter a atenção focada no que está a ser apresentado.

O Pecha Kucha é, também, uma forma de otimizar recursos, já que permite concentrar, em algumas horas, um programa que poderia ocupar um dia.

Sessões em movimento


As walking sessions são a antítese do conceito tradicional de evento de partilha de conhecimento. Neste formato, os participantes não estão sentados num espaço fechado, mas caminham ao ar livre, munidos de headphones e de roupa e calçado confortáveis.

Durante a caminhada podem estar a ouvir a intervenção de um orador ou a participar numa discussão ou num brainstorming. Cada pessoa tem uma mochila com água e um lanche. A meio ou no final da sessão há uma paragem para essa refeição ligeira e que pode, também, ser o ponto de partida para networking.

Este tipo de evento pode integrar um congresso ou ser usado pelas empresas que queiram experimentar um modelo diferente de reunião ou de discussão de ideias.

Outros formatos interessantes


24h:
semelhantes aos hackathons, têm uma dinâmica de 24 horas e permitem acampar no local do evento;

Pop-up: são eventos temporários e com um efeito surpresa que, por essa razão, criam uma experiência única para quem participa;

Microfone aberto: o evento tem um local próprio (um corner) onde os participantes podem falar sobre temas do seu interesse;

Speed networking: o mesmo conceito do speed dating, mas aplicado ao ambiente profissional;

Evento mistério: a agenda e os oradores são mantidos em segredo.