MediaPark prevê crescer 25% e reforça aposta em eventos
10-04-2026
Empresa liderada por João Domingos aponta aos eventos como motor de crescimento, com maior peso no negócio e aposta em conteúdo e tecnologia.
A MediaPark prevê crescer mais de 25% em 2026, sustentada pelo reforço da área de eventos e por uma maior visibilidade no mercado. A empresa, fundada em 1992, tem vindo a adaptar o posicionamento ao longo das últimas décadas, passando da produção televisiva para uma lógica de central de produção de conteúdos e de eventos.
“O que nos define acima de tudo é a resiliência, a paixão por aquilo que fazemos e a cumplicidade”, afirma o CEO, João Domingos. A empresa nasceu no contexto da produção televisiva, desenvolvendo ao longo dos anos projetos para canais como a SIC e a RTP, num mercado que descreve como “um mercado competitivo, mas com alto desempenho - mesmo em termos económicos”.
Com a reconfiguração do setor, a MediaPark foi obrigada a ajustar o modelo de negócio. “Tivemos que fazer uma reestruturação grande da empresa e ir à procura de novos mercados”, explica. A transição para o segmento corporate e para os eventos surge dessa necessidade, suportada pelas competências internas em produção audiovisual.
Produção audiovisual e eventos corporativos
Hoje, a empresa assume-se como uma “central de produção de audiovisuais e de eventos”, com uma abordagem chave-na-mão. “Fazemos tudo, desde a parte criativa, à produção, à criação de conteúdos”, refere João Domingos, sublinhando o papel dos parceiros na consolidação deste modelo.
A pandemia representou um momento de adaptação. “Não foi fácil, mas foi um desafio e uma oportunidade”, recorda. A empresa investiu num estúdio e produziu eventos em formato digital e híbrido. “Passámos a pandemia a ter ideias e, além das ideias, a implementar as ideias.”
O crescimento projetado para 2026 assenta, em parte, no reforço da atividade com clientes regulares. “Já contratámos serviços que nos tranquilizam”, diz, apontando o aumento do número de eventos para um dos principais clientes, ligado ao imobiliário. A aposta recente em marketing e comunicação também está a gerar resultados. “Estamos a sentir que a empresa começa a ter outra visibilidade - que não tinha.”
Apesar do contexto internacional, marcado por incerteza, o responsável mantém uma expectativa moderada. “Se isto continuar, as perspetivas não são muito animadoras e o mercado vai sentir isso”, admite, referindo o impacto potencial na revisão de investimentos por parte das empresas. Ainda assim, João Domingos defende que o papel dos eventos nas estratégias das marcas se alterou. “Os eventos deixaram de ser um meio de comunicação pouco utilizado e passaram a ter uma enorme importância”, afirma. Hoje, acrescenta, são muitas vezes usados para “agregar pessoas, criar conteúdos e novas oportunidades”.
Tecnologia e IA nos eventos
A evolução tecnológica é outro fator de mudança. “Os eventos têm uma componente tecnológica que faz com que sejam totalmente diferentes”, diz, destacando soluções como o vídeo mapping e a realidade virtual. Também a Inteligência Artificial começa a integrar os processos da empresa. “A IA é uma ferramenta muito útil”, afirma. Segundo o CEO, já permitiu desenvolver, por exemplo, conteúdos que antes seriam inviáveis. “Fizemos conteúdos que, sem ela, eram impossíveis de fazer”, por causa dos custos que isso implicaria.
No plano operacional, a MediaPark mantém uma estrutura de base reduzida, com uma dezena colaboradores, que escala em função dos projetos. A estratégia passa por uma gestão integrada. “A nossa aposta é um evento chave-na-mão, 360 graus”, explica, acrescentando que os clientes “preferem esta abordagem”. Os eventos representam atualmente perto de metade do negócio da MediaPark e devem ganhar ainda mais peso. “Acho que daqui a dois, três anos a área dos eventos chega aos 60%”, projeta João Domingos.
