Miguel Miranda: “Gosto da energia que existe à volta de cada evento”
04-11-2026
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Miguel Miranda, técnico de informática da EventKey, nunca imaginou que acabaria ligado ao setor dos eventos, mas “a vida tem destas surpresas”, diz.
Na infância, teve fases em que queria ser bombeiro, polícia ou veterinário, “provavelmente mais umas quantas profissões pelo meio”, conta. Durante vários anos, trabalhou em call centers, onde aprendeu “a lidar com situações de pressão, clientes exigentes e ambientes de trabalho bastante intensos”.
Miguel Miranda entrou no setor dos eventos “de forma bastante inesperada”, lembra. Numa fase de desmotivação, surgiu a oportunidade de integrar a EventKey para prestar apoio técnico a um software de gestão de eventos. Rapidamente percebeu “que era muito mais que isso” e já está há quatro anos neste universo. “O que começou por acaso acabou por se transformar numa área onde me sinto realizado e onde consigo juntar duas coisas de que gosto muito: tecnologia e contacto com pessoas”, afirma.
“Nos bastidores existe um enorme espírito de equipa”
Os eventos trazem “desafios novos, pessoas diferentes e situações que exigem soluções rápidas”, o que faz com que os dias sejam sempre diferentes. “Gosto da energia que existe à volta de cada evento”, refere Miguel Miranda, que gosta de trabalhar com o público e de sentir que o seu trabalho tem impacto. “Embora o meu trabalho seja maioritariamente nos bastidores, é muito gratificante ver o resultado final e perceber que as ferramentas e soluções que ajudámos a implementar estão efetivamente a ser utilizadas e apreciadas pelos participantes e pelas equipas organizadoras.”
A sua maior motivação passa pela “materialização” do que é feito em backoffice e que passa despercebido, depois de semanas ou meses de planeamento e testes. “Ver um evento a decorrer sem problemas e saber que contribuímos para essa experiência é uma das maiores recompensas desta profissão”, explica.
A experiência ajuda a gerir a pressão e o stress dos dias de eventos. “Com o tempo aprendemos que entrar em pânico raramente resolve alguma coisa” – assim, manter a calma, definir prioridades e foco no problema. Manter o sentido de humor também ajuda, mas, acima de tudo, as pessoas com quem trabalha. “Nos bastidores existe um enorme espírito de equipa”, frisa, lembrando que “os eventos são feitos de pessoas” e que são elas que “transformam um dia potencialmente stressante numa experiência divertida e gratificante.”
“Às vezes, cinco minutos extra valem ouro”
Antes de cada evento, Miguel Miranda tem alguns rituais: o primeiro é tomar um café – “faz milagres e ajuda sempre a entrar no ritmo certo para o dia que aí vem” –, seguindo-se uma “última revisão de tudo o que está sob a minha responsabilidade”. Antes da abertura, uma troca de palavras com a equipa ajuda “a alinhar os últimos detalhes” e a relembrar que todos estão a remar para o mesmo lado. “Até hoje, esta combinação tem funcionado bastante bem.”
Outra fórmula vencedora é a do ‘kit de sobrevivência secreto’ para emergências: telemóvel carregado, power bank, água, café e uma “capacidade quase sobrenatural para improvisar”. Contudo, perante o inesperado, o mais importante “é manter a calma e encontrar soluções rapidamente”. Assim, “se alguém inventar uma aplicação capaz de impedir pedidos urgentes cinco minutos antes do início de um evento, essa passará imediatamente a fazer parte do meu kit de sobrevivência”.
Miguel Miranda não hesita em escolher o teletransporte como um superpoder que seria útil para resolver questões em várias salas e evitar as ‘pequenas maratonas’ que realizam. Mas um segundo superpoder também iria ajudar: “a capacidade de parar o tempo durante cinco minutos sempre que surge um problema de última hora. Na área dos eventos, às vezes, cinco minutos extra valem ouro”.
Uma lição que aprendeu com os anos é que, embora importante, a formação académica não define por completo o caminho profissional. Antes sentia que, por não ter concluído os estudos universitários, teria “mais dificuldades em encontrar oportunidades profissionais interessantes ou até financeiramente atrativas”. Hoje, vê esse percurso “como uma aprendizagem que me ensinou a não me limitar pelas expectativas que tinha criado para mim próprio”.
Entusiasmo, nervosismo e… um pombo
O primeiro evento em que trabalhou traz algum orgulho a Miguel Miranda, já que eram ainda tempos de aprendizagem e dúvidas – “sentia aquela mistura de entusiasmo e nervosismo típica de quem está a fazer algo novo”. No final, percebeu que conseguia estar à altura e que tinha encontrado “uma área onde gostava realmente de trabalhar e crescer profissionalmente”. Hoje, recorda esse momento com carinho.
Muitos eventos depois, somam-se muitas histórias. Algumas engraçadas, como aquela em que, num evento na Alfândega do Porto, um pombo entrou no auditório e participou ativamente nos preparativos. Mesmo aparentemente confortável e sem intenção de abandonar, o pombo lá acabou por sair sem a ajuda da equipa, que já estava a pensar num plano para o levar para o exterior. “Desde esse dia, costumo dizer que já tive participantes exigentes, mas nenhum tão difícil de convencer como aquele pombo”, recorda.
“Pessoas, partilha de conhecimento e criação de relações”
Miguel Miranda acredita que “a tecnologia vai continuar a ter um papel cada vez mais importante nos eventos, sobretudo na personalização da experiência dos participantes e na simplificação dos processos de gestão”. Hoje, são populares as experiências rápidas, intuitivas e cada vez mais digitais.
Contudo, para Miguel Miranda, a maior evolução não passa apenas pela tecnologia. “Os eventos continuarão a ser, acima de tudo, sobre pessoas, partilha de conhecimento e criação de relações.” Entende que o futuro vai passar por encontrar o “equilíbrio entre inovação e proximidade, aproveitando o melhor da tecnologia sem perder aquilo que faz dos eventos uma experiência tão especial”.
Aos novos profissionais da indústria diz para “não terem medo de começar sem saber tudo” – afinal, aprende-se muito no terreno e é importante ter curiosidade e vontade de aprender. Outros conselhos passam pelo conhecimento das diferentes áreas do setor e pela valorização das pessoas com quem trabalham. “Os eventos são um verdadeiro trabalho de equipa e há sempre algo a aprender com colegas, parceiros, fornecedores e clientes. No final, são essas relações, juntamente com a experiência acumulada, que fazem a maior diferença no nosso crescimento profissional”, remata.
© Maria João Leite Redação
Jornalista

