Portugueses no Médio Oriente: Joel Vicente, Infinita Inspiration
11-03-2026
# tags: Eventos , Médio Oriente , Dubai
Apesar de estar “a funcionar praticamente a 100%” e da tranquilidade com que se têm vivido os últimos dias no Dubai, o impacto da situação no Médio Oriente nos eventos foi imediato. O testemunho de Joel Vicente dá, no entanto, conta de “uma estrutura de decisão extremamente ágil e eficiente”, que pode ajudar a ultrapassar eventuais obstáculos causados pelo conflito na região.
O CEO & Creative Diretor do estúdio criativo, especializado em soluções multimédia para eventos, com escritórios em Lisboa, São Paulo e Dubai, admite que “os primeiros dias foram naturalmente marcados por alguma apreensão”. “Ouvíamos com bastante intensidade as intercepções dos sistemas de defesa aérea a neutralizar mísseis e drones lançados pelo Irão”, recorda, lembrando que a distância geográfica entre o Irão e o Dubai é relativamente curta, pelo que as primeiras intercepções ocorreram muito próximas da cidade.
A essa apreensão inicial sucedeu uma tranquilidade que se manteve ao longo dos dias seguintes, porque “rapidamente se tornou evidente a eficácia e a capacidade do sistema de defesa”. “Essa eficiência trouxe-nos progressivamente uma sensação de segurança e confiança. O susto inicial deu lugar a uma preocupação mais controlada e, neste momento, a cidade voltou praticamente ao seu ritmo normal”, explica Joel Vicente, confessando estar impressionado “com a forma como o país transmite estabilidade e confiança à população”.
“Apesar de já terem sido lançados milhares de mísseis e drones, os incidentes foram mínimos e rapidamente controlados. O Dubai continua a funcionar praticamente a 100%, mantendo a sua dinâmica económica e social. Naturalmente, sendo período de Ramadão, existe já por si um ritmo um pouco mais sereno, o que também ajuda a manter um ambiente de maior tranquilidade”, explica.
Impacto imediato nos eventos
Apesar dessa tranquilidade e de a vida seguir um ritmo praticamente normal, Joel Vicente admite que o impacto da situação nos eventos (tal como no imobiliário) foi imediato.
“Muitos eventos foram colocados em stand-by nos primeiros dias, alguns acabaram por ser cancelados e outros estão agora a ser reagendados”, conta, adiantando que, embora alguns possam acontecer nos próximos meses, “uma parte significativa deverá ser adiada para depois do verão”. “Este tipo de situação afeta particularmente os eventos internacionais, que exigem um período maior para recuperar confiança, reorganizar agendas e garantir a deslocação de participantes”. salienta.
Apesar deste impacto, garante que “existe uma consciência generalizada de que se trata de uma pausa temporária e não de uma quebra estrutural da atividade”.
Uma certeza que advém da própria história de um “país construído precisamente sobre estes pilares: ambição, eficiência e uma enorme capacidade de execução”. “A história recente mostra que o Dubai tende a sair mais forte de cada crise. A liderança transmite uma mensagem muito clara: a prioridade absoluta é garantir a segurança de todos, mas ao mesmo tempo assegurar que o país continua a funcionar e a projetar confiança para o mundo”.
Joel Vicente fala de uma “estrutura de decisão extremamente ágil e eficiente”, que permitiu, por exemplo, “o controlo imediato sobre possíveis aumentos de preços em setores sensíveis, como o turismo”: “Recebemos comunicações oficiais incentivando a população a reportar qualquer preço anormal através das aplicações governamentais para que as autoridades possam agir de imediato”.
Além disso, “o governo garantiu também que qualquer turista que se encontre no Dubai durante este período não terá custos adicionais relacionados com viagens ou alojamento, sendo essas despesas extraordinárias assumidas pelo próprio governo”.
O futuro a curto e médio prazo é, assim, encarado com otimismo, e com uma convicção muito forte: “Não temos vontade de sair daqui e não vamos sair”!
© Olga Teixeira Redação
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