Centro de Congressos de Lagoa reforça oferta de turismo de negócios no Algarve

13-10-2026

# tags: Algarve , Venues , Eventos , Congressos

O recuperado Centro de Congressos de Lagoa reforça a oferta de turismo de negócios no Algarve, ajudando a combater a sazonalidade.

A aposta de Lagoa no turismo de negócios ganhou um novo impulso com a recuperação do Centro de Congressos de Lagoa, um equipamento considerado estratégico para diversificar a atividade turística da região e atrair visitantes ao longo de todo o ano.

O espaço, que pertence atualmente em exclusivo ao Município de Lagoa, resultou da aquisição de um antigo projeto que envolvia quatro municípios (Lagoa, Portimão, Monchique e Silves), a Região de Turismo do Algarve (o maior acionista) e acionistas privados – sociedade proprietária que entrou em insolvência. Segundo António Guerreiro, chefe da Divisão de Desenvolvimento Económico da Câmara Municipal de Lagoa, a decisão de aquisição do equipamento enquadra-se numa estratégia mais ampla de combate à sazonalidade.

“O Executivo Municipal tem procurado complementos aquilo que é o tradicional turismo de sol e praia”, afirmou, lembrando que o concelho tem também como apostas o enoturismo e o turismo desportivo. O requalificado centro de congressos surge agora como mais uma peça dessa estratégia de combate à sazonalidade, permitindo atrair turistas de negócios “durante todo ano, especialmente fora da época alta”.


Com um investimento de 2,1 milhões de euros, a recuperação do venue visou manter as características de funcionalidade que o edifício já tinha. O centro de congressos tem a assinatura do arquiteto Miguel Arruda e, desde a raiz, “responde às necessidades que os negócios têm”, recordou José Carlos Parreiro, responsável do Centro de Congressos de Lagoa.

Além deste equipamento, de “enorme potencial”, Lagoa dispõe de outras infraestruturas para acolher eventos, como o Parque de Feiras e Exposições, o Auditório Carlos do Carmo e o Convento de São José. António Guerreiro considera que o centro de congressos veio responder a uma necessidade do concelho, dando uma capacidade que ainda faltava, referindo-se ao auditório que tem capacidade para cerca de mil pessoas sentadas e até 2.300 em plateia em pé, e as amplas áreas de exposição.

Polivalência e capacidade para receber grandes eventos


Para José Carlos Parreiro, a principal mais-valia da infraestrutura reside na sua versatilidade. Com cerca de 10 mil metros quadrados de área coberta, estacionamento para centenas de viaturas, incluindo pesados, salas de apoio distribuídas por todos os pisos e um auditório que se pode transformar numa arena de 800 metros quadrados (e com um pé direito de 13 metros de altura) em apenas 45 minutos, graças a bancada telescópica, o edifício foi pensado para acolher diferentes tipologias de eventos. “A grande vantagem que o Centro de Congressos de Lagoa tem é mesmo a sua polivalência”, resumiu.

Outra vantagem apontada por José Carlos Parreiro prende-se com o facto de o centro de congressos funcionar de forma independente – ou seja, não estar inserido em nenhuma unidade hoteleira –, o que lhe permite acolher iniciativas sete dias por semana, 24 horas por dia, sem limitações associadas ao ruído ou à operação de um hotel.


Apesar de ter reaberto apenas em maio, o espaço já acolheu três grandes eventos: o Congresso Nacional de Medicina Interna, a InBeauty Algarve e o Associations World Congress (AWC), onde decorreu a entrevista à Event Point. De acordo com José Carlos Parreiro, os dois primeiros já remarcaram o evento, para o próximo ano, o que demonstra “a qualidade do espaço e a necessidade que o Algarve tinha de um espaço com estas características”.

Experiência do destino como fator diferenciador


A realização de eventos internacionais é vista como uma oportunidade para dar visibilidade não apenas ao centro de congressos, mas também ao destino. A propósito da importância de acolher o AWC 2026, um evento internacional, José Carlos Parreiro lembra que “estamos a falar de associações e de pessoas que, a nível mundial, representam cerca de sete mil congressos”, pelo que é importante mostrar a capacidade que o centro de congressos, o concelho de Lagoa e, de forma geral, o Algarve tem para acolher este tipo de eventos com qualidade. Isso pode traduzir-se na captação de futuros eventos para a região.

Para além das infraestruturas, os responsáveis defendem que Lagoa beneficia de um conjunto de atributos diferenciadores enquanto destino MICE. António Guerreiro destaca “o saber receber” de Lagoa, a experiência do município na organização de eventos, as praias – algumas das “mais bonitas do mundo” –, a oferta enoturística e as experiências náuticas.

Na sua perspetiva, estas componentes complementam a vertente profissional dos eventos e podem fazer a diferença na escolha de um destino internacional. “Temos de ter noção que o Centro de Congressos de Lagoa compete a nível internacional. Quem pretende fazer um congresso vai analisar vários centros de congressos em todo o mundo e existem espaços com características e capacidades semelhantes às nossas. Aquilo que nos pode distinguir enquanto destino é aquilo que temos para oferecer”, apontou António Guerreiro. As experiências são, assim, “aquele extrazinho” que, numa viagem de negócios, pode complementar a experiência dos participantes.


José Carlos Parreiro lembrou que, no setor MICE, os participantes procuram cada vez mais experiências para além do programa de trabalho. “As pessoas já procuram as experiências, mesmo nos eventos MICE”, afirmou, assegurando que Lagoa reúne condições para responder a essa procura ao longo de todo o ano.

Com o aeroporto de Faro a cerca de 35 minutos e a autoestrada a apenas cinco minutos do centro de congressos, a facilidade de acessos é outra mais-valia do destino. “Temos uma facilidade de movimentação incrível. E temos também um complemento de operadores privados que conseguem criar soluções, e capacidade de colocar autocarros, transfers… aquilo que pode alimentar o sistema de congressos, em termos de transportes e não só. É uma capacidade que já existe para o turismo. Portanto, é fácil replicá-la e pô-la ao serviço do setor MICE. A região está preparada para receber muita gente e preparada para trabalhar sob pressão”, garantiu António Guerreiro.

Impacto na economia local e na hotelaria


O impacto esperado vai além da atividade do próprio centro de congressos. António Guerreiro acredita que o equipamento vai permitir também aos hotéis da região comercializarem pacotes para congressos e reforçarem a ocupação em época baixa. “Qualquer hotel da região pode introduzir no seu website que tem condições para receber um congresso”, explicou.

José Carlos Parreiro recordou que, num raio de 15 minutos, existem “mais de seis mil camas de 4 e 5 estrelas” e que “um centro de congressos destes, em pleno funcionamento e em operação, vai ajudar muito a combater a sazonalidade da economia local”.


Além disso, o responsável do venue destacou o efeito multiplicador na economia, com a sugestão de fornecedores de serviços técnicos, audiovisuais, empresas de catering, transportes ou alojamento da região. “São empresas do Algarve que nós procuramos”, sempre que é necessário fazer recomendações aos clientes.

Sustentabilidade e perspetivas de crescimento


A sustentabilidade também integrou a recuperação do edifício. Segundo os responsáveis, foram preservadas as características arquitetónicas originais, substituindo-se equipamentos por soluções mais eficientes, como iluminação LED, que vai permitir uma poupança energética estimada em cerca de 30%. O centro dispõe ainda de sistemas de reciclagem distribuídos por todo o edifício e privilegia fornecedores locais e práticas de economia circular. “A sustentabilidade, a reciclagem, a economia circular são tudo preocupações”, assegurou António Guerreiro.

As perspetivas para os próximos anos são positivas. Para 2026, José Carlos Parreiro prevê a realização de entre 20 e 30 eventos, enquanto para 2027 já existem cerca de 15 consultas em curso, algumas internacionais, revelou.

Do ponto de vista financeiro, António Guerreiro sublinhou que a meta do Município não é gerar lucro – “o nosso objetivo final é o serviço público” e dotar Lagoa de um equipamento capaz de trazer vários benefícios para a região –, mas assegurar a sustentabilidade da infraestrutura e o retorno do investimento. Afinal, são “dinheiros públicos que tem que ser bem aplicados”. “Se, por um lado, não vamos à procura do lucro, por outro, temos que garantir que o prejuízo não é uma realidade”, frisou. Ainda assim, acredita que vai ser possível recuperar o investimento “em cinco anos”, ao mesmo tempo que se cria valor para a economia e para o turismo da região.

 

 

*A jornalista viajou a convite da Associations World Congress 2026, em junho

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© Maria João Leite Redação