O Meu Hotel Dava Um Evento

Vila Galé: Quando o hotel é pensado como um ecossistema MICE

Entrevista

27-05-2026

# tags: Hotelaria , Eventos , Meetings Industry , Hotéis

Há hotéis que recebem eventos. E há hotéis que pensam, vivem e respiram eventos. É a partir desta premissa que nasce ‘O meu Hotel dava um evento’, uma nova secção da Event Point dedicada a ouvir quem está do outro lado: os hoteleiros que, diariamente, desenham, ajustam e entregam experiências à medida da meetings industry (MI). Queremos perceber como encaram o segmento, que estratégias seguem e, acima de tudo, que pessoas estão por detrás das decisões.

Estreia esta rubrica Pedro Ribeiro, diretor geral de Vendas e de Marketing no grupo Vila Galé Hotéis, um dos nomes mais consistentes e estruturados da hotelaria nacional quando o tema é eventos em Portugal.


Para Pedro Ribeiro, a diferenciação dos hotéis Vila Galé enquanto palco para eventos corporativos e de negócios começa numa visão integrada. “O que realmente nos diferencia é a combinação entre localizações estratégicas, infraestruturas modernas e uma equipa altamente especializada no segmento MICE”, sublinha.

Essa abordagem traduz-se numa lógica clara de funcionamento. “Trabalhamos com uma lógica de hotel como ecossistema, onde alojamento, salas, restauração, lazer e tecnologia convivem de forma integrada.” Para os organizadores, esta filosofia reflete-se em benefícios muito concretos: “eficiência, previsibilidade e tranquilidade — três fatores críticos num mercado cada vez mais exigente”.

A esta visão soma-se um ativo essencial: a força da marca. “Temos uma vantagem competitiva clara: a consistência da marca Vila Galé. Quem organiza connosco sabe exatamente o nível de serviço, flexibilidade e qualidade que vai encontrar, independentemente do hotel escolhido.”

O posicionamento do grupo no segmento MI é assumido de forma clara. “O nosso ADN é particularmente forte em congressos e convenções de média escala, graças à dimensão das nossas salas e a capacidade de alojamento integrada”, explica Pedro Ribeiro. Mas a oferta não se esgota nesse formato. As reuniões estratégicas encontram nos hotéis Vila Galé um contexto favorável, já que “o ambiente descontraído dos nossos resorts favorece criatividade e foco”.


Já no caso dos incentivos, a diferenciação surge da experiência global: “conseguimos combinar trabalho com outras experiências, tais como gastronomia, bem-estar, cultura e atividades outdoor”.

Os lançamentos de marca surgem, por sua vez, associados a unidades com identidade própria. “Funcionam particularmente bem em hotéis com cenários diferenciadores, como os temáticos ou os localizados em património histórico.” Em todos os casos, a base é a mesma: “temos versatilidade, capacidade logística e experiência operacional para garantir que cada formato decorre com fluidez”.

Espaços pensados para eventos — desde a planta à experiência


A conceção dos espaços é um dos pilares da proposta do grupo. “Os nossos hotéis foram pensados para eventos”, afirma Pedro Ribeiro, destacando “salas amplas, modulares e com luz natural”, um fator cada vez mais valorizado pelos organizadores.

A componente tecnológica acompanha essa ambição, com “tecnologia integrada, desde AV de última geração a conectividade robusta”. Para além das salas, os hotéis oferecem “áreas de apoio — foyers, esplanadas, jardins, rooftops — que permitem criar momentos paralelos, ativações de marca ou coffee breaks diferenciados”.

Outro fator determinante é a integração da operação. “A capacidade de alojamento no mesmo espaço simplifica toda a logística”, enquanto o F&B surge como elemento diferenciador, com “serviços versáteis e equipas capazes de adaptar menus a qualquer conceito ou restrição alimentar”.


Num mercado onde a mudança é constante, a adaptabilidade assume um papel central. “A versatilidade é um dos nossos maiores trunfos”, afirma Pedro Ribeiro. As salas modulares permitem “passar de um plenário para várias salas paralelas em minutos”, acompanhadas por uma combinação de “espaços indoor e outdoor que podem ser ajustados conforme o objetivo do evento”.

Os layouts são “totalmente personalizáveis, desde setups tradicionais a configurações mais imersivas ou informais”. Tudo isto é suportado por “equipas multidisciplinares que trabalham lado a lado com o cliente, ajustando-se a mudanças de última hora — algo que, no MICE, é inevitável”.

Um parceiro 360º para o organizador


A relação com os organizadores é pensada de forma contínua. “Trabalhamos com um objetivo muito claro: que o organizador se concentre no conteúdo e nos participantes, enquanto nós garantimos que tudo o resto funciona.” Esse acompanhamento 360º começa antes do evento, com “consultoria, visitas técnicas, apoio na construção do programa e soluções personalizadas”. Durante o evento, “uma equipa dedicada no terreno está pronta a resolver, ajustar e antecipar necessidades”. E após o evento, o processo continua com “follow-up, avaliação conjunta e propostas de melhoria contínua”.


“Sabemos que um evento não vive apenas do momento formal”, garante Pedro Ribeiro. Por isso, a experiência do participante é pensada de forma holística, integrando “gastronomia diferenciada, com produtos regionais e opções temáticas”, bem como propostas menos convencionais, como “piqueniques ao ar livre”. A oferta inclui ainda “atividades wellness com os Satsanga Spas” e “experiências locais como visitas culturais, provas de vinhos ou passeios a cavalo”.

O networking informal é estimulado através dos próprios espaços dos hotéis: “bares, snooker, piscinas, jardins e áreas lounge”. O objetivo é claro e assumido: “que cada participante saia não só informado, mas também inspirado”.

O futuro do MICE: sustentável, tecnológico e personalizado


Olhando para o futuro do segmento, Pedro Ribeiro identifica “três tendências incontornáveis”. A primeira é a sustentabilidade, hoje vista como requisito base. “Estamos a investir em eficiência energética, redução de plásticos, gestão inteligente de resíduos e certificações ambientais”, explica, acrescentando que “cada vez mais eventos pedem relatórios de impacto — e estamos preparados para isso”.

A tecnologia surge como um segundo eixo estruturante. “Apostamos em soluções AV avançadas, conectividade reforçada e plataformas que facilitam a interação remota.” Mesmo com oscilações no formato híbrido, sublinha que “a tecnologia continuará a ser central”. E, por fim, a personalização. “O participante quer sentir que o evento foi pensado para ele”, o que tem levado o grupo a trabalhar “propostas mais modulares, flexíveis e orientadas para a experiência”.


Em linha com esta visão, “temos investido na renovação de salas, modernização tecnológica e na criação de novos espaços temáticos”, assim como em “remodelações profundas” em algumas unidades, reforçando a componente MICE com “salas maiores, melhores infraestruturas e novos conceitos de restauração”.

Com esta primeira conversa, ‘O meu Hotel dava um evento’ afirma-se como um espaço de escuta e reflexão sobre o papel da hotelaria no ecossistema MI. Um ponto de encontro entre estratégia, operação e pessoas — exatamente onde os eventos acontecem.

Check-in: Pedro Ribeiro


Um evento inesquecível:
Congressos internacionais nos EUA, pela escala e infraestruturas dos centros de congressos

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