Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar: crescer com estratégia
22-04-2026
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As Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar afirmam-se como um projeto onde a exigência científica, a produção profissional e o modelo híbrido se cruzam para criar um grande evento.
Entre a visão clínica e científica do presidente das Jornadas Multidisciplinares, Rui Costa, e a execução da The Backstage Agency, liderada por Olavo Silva, constrói-se um evento sólido de crescimento sustentado. Tratam-se das Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar, que este ano se realizaram no Hotel Sheraton, do Porto, de 11 a 13 de março.
Os números impressionam: 3.642 participantes, dos quais 1.924 presenciais e 1.718 virtuais – mais 375 do que no ano passado; 78 expositores; 47 trabalhos submetidos; 25 sessões; 35 horas de conteúdo científico; 884 perguntas colocadas; para citar apenas algumas métricas.
O ponto de partida é, sem ambiguidades, o conteúdo. “A primeira preocupação é o programa científico”, afirma Rui Costa em entrevista à Event Point, acrescentando que o objetivo é “criar um programa científico que seja aliciante para os desafios da prática diária da Medicina Geral Familiar”. É esta base que sustenta toda a dinâmica do evento, incluindo a relação com os patrocinadores. “O patrocinador só é atraído pela atratividade das Jornadas para o consumidor final, para o médico”, sublinha o presidente, reforçando que “o segredo está sempre no programa científico, na atratividade do programa científico, para depois o patrocinador poder vir atrás”.
Experiência imersiva
Mas a ambição científica exige uma máquina organizativa à altura. Do lado da produção, Olavo Silva, da The Backstage Agency, assume esse compromisso de posicionar o evento de duas formas: “em inovação científica e em organização”. O objetivo é claro: “que os participantes sintam que todos os anos as conferências são sempre melhores e que o evento é cada vez melhor”. Ao mesmo tempo, há uma preocupação evidente com a experiência global: “quando o participante vem ao evento, queremos que sinta que o evento é altamente profissional e super organizado”.
Esta edição marcou também um ponto de viragem operacional, com a reserva total do hotel Sheraton para acolher as Jornadas. “Sentimos que o ano passado o evento já estava a ficar um bocadinho estrangulado”, explica Olavo Silva. A solução passou por “reservar o hotel todo para as Jornadas”, permitindo transformar o espaço numa experiência imersiva.
Num evento desta escala, a rede de parceiros é determinante. “Rodeamo-nos de fornecedores que nos dão garantias”, diz o responsável da The Backstage Agency, sublinhando que são “mais de vinte fornecedores que têm aqui a sua pegada e que nos ajudaram muito”. Uma complexidade que exige coordenação permanente e conhecimento acumulado.
Aposta no modelo híbrido
Se o físico tem limites, o digital abre novas possibilidades — e é aí que o evento aposta claramente. “Nós temos quase o mesmo número de pessoas a assistir virtualmente e presencialmente”, refere Olavo Silva, explicando que o objetivo, no virtual, é providenciar uma experiência, em que o participante se sinta quase na sala. Essa experiência passa pela interação, pela app e pela possibilidade de contacto com expositores, também no ambiente virtual.
Para Rui Costa, o modelo híbrido não é apenas uma solução técnica, mas uma resposta estrutural às necessidades da profissão. “O modelo híbrido é um modelo, digamos, low cost e de proximidade que permite que o maior número de médicos possam usufruir desta atualização científica sem hipotecarem a prática clínica diária”, afirma. E vai mais longe: “temos aqui este produto, o médico quer ver este produto, consome-o quando quer”. A possibilidade de mesmo quem está presente em sala rever conteúdos reforça ainda mais essa lógica.
O crescimento futuro segue essa mesma linha. O evento “vai crescer via digital, assume Rui Costa, defendendo que há um ponto em que é necessário “saber parar”. A estratégia passa por ampliar o alcance sem comprometer a qualidade nem a experiência presencial.
A escolha do Porto faz parte da identidade das Jornadas Multidisciplinares. “Quisemos criar um produto de prestígio, de nível nacional e que fosse o líder da educação médica nacional na cidade do Porto”, explica o médico, destacando ainda o impacto que a iniciativa tem na economia local.
Nos bastidores, há também preocupações com sustentabilidade. “Acabamos com quase todo o papel do evento”, refere Olavo Silva, acrescentando que “todos os crachás e os lanyards são em cartão reciclado” e que existe um sistema para reutilização futura. O próprio modelo híbrido contribui para reduzir deslocações, com impacto na pegada global do evento.
No final, as Jornadas afirmam-se como mais do que um encontro científico. São o resultado de uma equação exigente entre conteúdo, produção e estratégia. Como resume Rui Costa, o objetivo é claro: “atualização médica-científica de ponta”. Tudo o resto — organização, patrocinadores, tecnologia — existe para garantir que essa promessa é cumprida.
© Cláudia Coutinho de Sousa Redação
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