“Os eventos são uma ferramenta estratégica fundamental para o posicionamento de Cascais”
05-06-2026
Os eventos municipais têm um papel central na promoção do território, assentando num trabalho estratégico de planeamento e gestão responsável.
Dulcineia Meireles Rodrigues, da Câmara Municipal de Cascais, em entrevista a Event Point, dá a sua visão sobre a gestão e liderança de eventos municipais, o seu impacto na imagem do território, os desafios do protocolo institucional e as tendências emergentes.
“Ao longo dos últimos 15 anos, o crescimento significativo do número, da diversidade e da complexidade dos eventos realizados em Cascais exigiu uma evolução contínua na forma de trabalhar dentro da Câmara Municipal”, o que só foi possível “graças a uma forte articulação entre as diferentes equipas municipais, que foram acumulando conhecimento, especialização e experiência prática na organização de eventos de grande dimensão”, a nível nacional e internacional.
No entender de Dulcineia Meireles Rodrigues, “o trabalho colaborativo, o conhecimento profundo do contexto institucional e a capacidade de articulação com múltiplos stakeholders – desde entidades públicas a parceiros privados e representantes da sociedade civil – permitiram desenvolver uma abordagem integrada e estratégica aos eventos”, tendo como base um planeamento rigoroso, a comunicação, o protocolo e a gestão, “fatores essenciais num município com a dimensão, complexidade e prestígio de Cascais”.
Dulcineia Meireles Rodrigues entende que a liderança de um departamento de eventos em contexto municipal está “profundamente ligada ao sentido de serviço público e ao alinhamento com a estratégia definida para o território”. Embora com bases comuns ao setor privado – “princípios de gestão rigorosos, preocupação com o retorno do investimento e com a reputação institucional” –, esta função em contexto autárquico vai mais longe, ao encarar os eventos também como “instrumentos de política pública, de valorização do concelho e de criação de valor para a comunidade”.
Tudo isso exige “uma forte capacidade de articulação interna entre diferentes equipas e áreas, gestão de múltiplos interlocutores institucionais e cumprimento de procedimentos administrativos específicos”, explica.
Eventos como reforço da identidade do município
De acordo com Dulcineia Meireles Rodrigues, “os eventos são uma ferramenta estratégica fundamental para o posicionamento de Cascais”, que é assumida “como uma das principais salas de visita do país”. Defende que lá “cada iniciativa é pensada como uma oportunidade para reforçar a identidade do município e comunicar valores como inovação, sustentabilidade, qualidade de vida e proximidade às pessoas”.
Acrescenta que a diversidade da programação (cultural, desportiva, institucional e comunitária) permite “projetar Cascais a nível nacional e internacional”, reforçando, ao mesmo tempo, o orgulho e o sentido de pertença dos munícipes. “Este impacto resulta, em grande parte, da capacidade de as equipas municipais trabalharem de forma integrada e alinhada.”
Sendo os eventos municipais, por natureza, eventos de grande visibilidade, e num município com elevada exposição mediática, “o escrutínio público é permanente e faz parte do processo”, conta Dulcineia Meireles Rodrigues.
“A resposta passa por um planeamento rigoroso, por equipas experientes e por processos bem estruturados. A articulação entre serviços, o alinhamento com os decisores políticos, a antecipação de riscos e a transparência nas opções tomadas são fundamentais. A comunicação clara e a avaliação pós-evento permitem não só manter a confiança pública, como também promover uma lógica de melhoria contínua”, explica.
Rigor protocolar não limita criatividade, mas define enquadramento
Em contexto institucional, há um fator que é preciso ter em conta: o protocolo. No domínio municipal, o protocolo “tem especificidades próprias”, em especial num concelho como Cascais, “que conjuga uma forte tradição histórica com uma visão cosmopolita”.
“O desafio está em garantir o respeito pelas hierarquias e símbolos institucionais sem perder proximidade com as pessoas e com as tendências contemporâneas, como a inovação, a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental. Em eventos com elevada visibilidade pública e mediática, o rigor nas precedências, nos discursos, nos tempos e na representação institucional é essencial para assegurar coerência e credibilidade”, frisa.
Neste domínio, há ainda a ter em conta os eventos que envolvem diferentes níveis de poder (local, regional, nacional e internacional), que, em Cascais, são realizados com frequência.
“A gestão protocolar destes contextos exige preparação antecipada, conhecimento técnico, discrição e uma forte sensibilidade diplomática. O trabalho assenta numa articulação próxima com todas as entidades envolvidas, clarificando papéis e precedências, garantindo sempre o respeito institucional e afirmando o município enquanto anfitrião”, sublinha Dulcineia Meireles Rodrigues, para quem “o rigor protocolar não limita a criatividade, pelo contrário; mas define o enquadramento dentro do qual ela pode acontecer”.
Considera que “há margem para inovar na cenografia, na narrativa do evento, na programação cultural e na experiência do público”. O fundamental é que essa criatividade “esteja alinhada com a identidade do município e respeite as normas institucionais, contribuindo para eventos mais contemporâneos, diferenciadores, memoráveis e seguros”.
Aposta em “eventos participativos, inclusivos e sustentáveis”
Relativamente às tendências que estão a marcar a organização de eventos no contexto das autarquias, Dulcineia Meireles Rodrigues refere assistir a “uma crescente profissionalização, a uma maior integração da tecnologia e a uma preocupação cada vez mais forte com o impacto dos eventos na comunidade”.
Explica que, em Cascais, “existe uma aposta clara em eventos participativos, inclusivos e sustentáveis, com envolvimento ativo da comunidade e dos parceiros locais. O evento deixou de ser apenas um momento pontual, passando a ser encarado como um instrumento de desenvolvimento social, cultural e económico”.
Dulcineia Meireles Rodrigues acrescenta que, em Cascais, “a sustentabilidade e a inclusão estão presentes desde a fase de planeamento, tanto nas escolhas ambientais e logísticas como na promoção da acessibilidade e da diversidade de públicos”, exemplificando com o Regulamento Municipal para Eventos Sustentáveis, “que integra critérios ambientais na atribuição de apoio aos promotores e é acompanhado por formação regular aos técnicos municipais”.
A eliminação progressiva da utilização de plástico e a implementação de medidas de compensação ambiental são um dos principais eixos desta política.
“Ao nível da inclusão, os locais escolhidos para eventos devem, obrigatoriamente, garantir condições de acesso para pessoas com mobilidade reduzida, assegurando que os eventos municipais são verdadeiramente acessíveis e centrados nas pessoas”, conclui.

