Ricardo Ramos: “O que mais me motiva é o contacto humano”
06-05-2026
# tags: Eventos , Vida de Eventos
Na indústria dos eventos, o contacto humano é a motivação de Ricardo Ramos, Senior Project Development Manager na KEXCO International.
Licenciado em Gestão e Administração Hoteleira e mestre em Direção Hoteleira, Comercial e Marketing, o percurso de Ricardo Ramos na área dos eventos teve início quando trabalhou na Associação de Turismo do Porto. Mas o seu interesse por esta indústria começou muito antes.
O primeiro contacto com a organização de eventos decorreu durante o percurso académico, “através de projetos e iniciativas desenvolvidas na faculdade, experiências que despertaram definitivamente a minha curiosidade e motivação por esta área”, conta.
Ricardo Ramos trabalhou durante vários anos num hotel no Porto, onde, “embora desempenhasse funções operacionais, acompanhei de perto a logística, preparação e adaptação dos espaços para diferentes tipologias de eventos, o que me permitiu ter uma noção dos bastidores e a complexidade deste setor”.
Trabalhou depois numa empresa multinacional de Recursos Humanos – experiência de cerca de um ano que o enriqueceu, “sobretudo ao nível da comunicação, da gestão de pessoas e do relacionamento com diferentes perfis profissionais” –, e só então surgiu o convite para integrar a equipa MICE da Associação de Turismo do Porto, que marcou o início efetivo do seu percurso nos eventos.
Foi também Event Manager responsável pelo mercado internacional no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, “uma das experiências mais marcantes e enriquecedoras do meu percurso, que me permitiu consolidar conhecimentos, expandir a minha rede de contactos e trabalhar uma grande diversidade de eventos”.
Hoje é Senior Project Development Manager na KEXCO International, “empresa recente no mercado nacional, mas com um forte background internacional, focado na atração e desenvolvimento de novos eventos, internacionalizando-os, identificando oportunidades e criando parcerias estratégicas”.
Contacto humano e desafios constantes
Ricardo Ramos conta que, ao longo do seu percurso, teve a sorte de se cruzar com profissionais de muito valor. Mas destaca um: Mariana Sousa Pavão, “que me deu a oportunidade de integrar a sua equipa na Associação de Turismo do Porto e teve um papel determinante no meu crescimento e desenvolvimento profissional na área dos eventos”.
Nesta indústria, “o que mais me motiva é, sem dúvida, o contacto humano”. Ricardo Ramos gosta particularmente “da articulação entre diferentes equipas e intervenientes, todos com o mesmo objetivo”, refere.
Além disso, “a diversidade dos temas, formatos e desafios faz com que nenhum projeto seja igual ao outro, o que torna este setor dinâmico, estimulante e proporcionando um constante desafio”. E é disso que gosta nesta indústria.
Rever todos os detalhes, do início ao fim
Quando chega a pressão típica de um dia de evento, Ricardo Ramos evita “exteriorizar o stress para transmitir confiança as equipas com quem trabalho”. E sempre que sente essa necessidade, “retiro-me por breves momentos para um espaço mais tranquilo, faço uma checklist mental e foco-me nas soluções, acreditando que tudo está organizado”, acrescenta.
Não tendo propriamente uma rotina ou uma superstição, tem por hábito “rever todos os detalhes desde a fase inicial da negociação até à execução final”, para garantir “que tudo está alinhado e devidamente planeado”.
Este é um setor que pede, muitas vezes, soluções criativas e inovadoras. E quando assim é, Ricardo Ramos vai buscar inspiração, “maioritariamente, a eventos que já me passaram pelas mãos ou em que estive envolvido na organização, ou até a algum em que já tivesse participado”.
Um evento desportivo, um apagão e… um cão
Um dos eventos mais marcantes do seu percurso foi “a realização de um dos primeiros eventos desportivos no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, o World Battle, um evento internacional de break dance”. Sendo um projeto completamente diferente do habitual, “trouxe ao espaço uma forte energia urbana e atraiu participantes e público de todo o mundo”.
Ricardo Ramos realça também o seu envolvimento inicial na organização do Congresso da ICCA, que decorreu em novembro de 2025 no Porto, “considerado o maior e mais relevante evento internacional da indústria dos eventos”.
Recentemente, enfrentou um dos maiores desafios do seu percurso. Ocorreu no dia do apagão que afetou todo o país. Na altura, estava a decorrer um evento internacional, que contava com mais de 500 participantes. “Perante a decisão do cliente de manter o programa, foi necessário reagir de forma rápida e criativa, reorganizando espaços com luz natural para garantir a continuidade das sessões e assegurando, inclusivamente, o serviço de refeições quentes, através de um gerador”, explica.
No final do evento, continua, “a resposta foi bastante positiva, com os clientes a reconhecerem a capacidade de adaptação, a prontidão da equipa e as soluções encontradas num contexto particularmente exigente”.
Na indústria dos eventos, há sempre momentos hilariantes e Ricardo Ramos recorda um, num evento de grande dimensão, “em que um dos participantes entrou na sala principal acompanhado por um cão, que não era de assistência pessoal, sentando-se tranquilamente para assistir às sessões que estavam a decorrer”.
Arriscar e ter capacidade de adaptação
Para Ricardo Ramos, a maior evolução nos eventos nos próximos anos vai ser, definitivamente, ao nível da tecnologia, “com a inteligência artificial a assumir um papel cada vez mais relevante” no setor.
“Esta ferramenta será amplamente utilizada tanto para apoiar as equipas na resolução de desafios operacionais, como para melhorar a experiência dos participantes, através de soluções como tradução simultânea, resumos de sessões em tempo real e outras aplicações com grande potencial de crescimento. Mais do que mudar o paradigma, a inteligência artificial vem complementar e otimizar os processos existentes”, defende.
Ao mesmo tempo, acredita numa “mudança de mentalidade relativamente aos formatos tradicionais, com menos sessões longas e apresentações pouco dinâmicas. Existirá uma maior preocupação em criar ligações genuínas com os participantes, desenvolver um storytelling consistente para o evento e promover experiências mais envolventes, interativas e participativas”.
Mas não é tudo. Ricardo Ramos destaca também “a crescente importância da personalização e da sustentabilidade, que continuarão a evoluir e a afirmar-se como pilares fundamentais no futuro da área dos eventos”.
Às novas gerações que estão a chegar à indústria, Ricardo Ramos deixa o conselho: “Que não tenham medo de arriscar, que sejam flexíveis nas suas funções e estejam sempre recetivos à mudança. A capacidade de adaptação é, sem dúvida, uma das competências mais importantes nesta indústria”, conclui.
© Maria João Leite Redação
Jornalista

